{"id":30987,"date":"2019-03-21T15:03:35","date_gmt":"2019-03-21T15:03:35","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30987"},"modified":"2024-04-24T11:42:40","modified_gmt":"2024-04-24T17:42:40","slug":"cuestionamientos-movimientos-sociales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/cuestionamientos-movimientos-sociales\/","title":{"rendered":"Perguntas sobre movimentos sociais"},"content":{"rendered":"<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este livro destaca que entre os graves problemas que enfrentamos est\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o do tecido social e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Ele se concentra nos movimentos contra a din\u00e2mica destrutiva. Ele explora os esfor\u00e7os coletivos, seus contextos, conflitos, organiza\u00e7\u00e3o e objetivos. Chama-se a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que h\u00e1 uma grande diversidade epistemol\u00f3gica na an\u00e1lise dos movimentos sociais: h\u00e1 diversos atores, com diferentes objetivos, motivados por respostas a injusti\u00e7as e queixas e, basicamente, tentando transformar o sistema atual, que \u00e9 excludente e despolitizante. A organiza\u00e7\u00e3o de redes \u00e9 explorada em profundidade. As constru\u00e7\u00f5es de alternativas s\u00e3o investigadas. Al\u00e9m de uma introdu\u00e7\u00e3o geral que explica o significado do livro e sua organiza\u00e7\u00e3o, ele cont\u00e9m sete cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>  Paulina Mart\u00ednez escreve o primeiro cap\u00edtulo, no qual analisa as principais abordagens te\u00f3ricas usadas para estudar os movimentos sociais. Ela descreve as teorias hegem\u00f4nicas, explora suas possibilidades e tamb\u00e9m seus limites. Relembra a \u00eanfase funcionalista de Smelser; a teoria psicol\u00f3gica da frustra\u00e7\u00e3o-agress\u00e3o, mostrando que os movimentos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente desencadeados por agress\u00f5es; explora com Tarrow a mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos; e com Touraine e Melucci aprofunda o acionismo e o aspecto simb\u00f3lico dos movimentos. Com Wallerstein, ele tamb\u00e9m apresenta uma descri\u00e7\u00e3o dos movimentos antissist\u00eamicos. Ele distingue os tipos de a\u00e7\u00e3o coletiva e sua carga cultural. Ele faz uma cr\u00edtica ao eurocentrismo e inscreve a necessidade de apresentar desenvolvimentos te\u00f3ricos alternativos, como aqueles centrados na busca pela autonomia. Ele chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da configura\u00e7\u00e3o subjetiva, da dimens\u00e3o da historicidade, de situar as a\u00e7\u00f5es no tempo e no espa\u00e7o. Ele enfatiza as orienta\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas demonstradas pelos movimentos. Ap\u00f3s uma extensa revis\u00e3o, ele culmina com sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o, segundo a qual um movimento social \u00e9 um espa\u00e7o intersubjetivo, imbu\u00eddo de historicidade, no qual os sujeitos convergem, orientados por objetivos comuns no contexto do antagonismo. S\u00e3o constru\u00eddas identidades, significados e a\u00e7\u00f5es que visam contestar aspectos espec\u00edficos da origem social e introduzir a possibilidade de ordens alternativas. Ele adverte, no entanto, que devemos ser cautelosos para n\u00e3o ver os fen\u00f4menos como presos a uma defini\u00e7\u00e3o, pois qualquer defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode resistir \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es que os pr\u00f3prios movimentos realizam ao longo do tempo. Em sua extensa an\u00e1lise, senti falta de que ele n\u00e3o enfatizasse as contribui\u00e7\u00f5es de Castells para a sociedade da informa\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia da rede. Sua defini\u00e7\u00e3o abrange os principais movimentos do s\u00e9culo XX, mas n\u00e3o se aprofunda nas mudan\u00e7as que est\u00e3o surgindo no s\u00e9culo XXI. No entanto, Castells \u00e9 citado em outros cap\u00edtulos da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O coordenador \u00e9 respons\u00e1vel pelo segundo cap\u00edtulo, no qual investiga os movimentos sociais mexicanos no per\u00edodo de cinco anos entre 2011 e 2016. Ele chama a aten\u00e7\u00e3o para a den\u00fancia e a resist\u00eancia \u00e0 economia criminosa e ao narcoestado. Ele discute os conceitos que usa em sua an\u00e1lise. A economia mexicana \u00e9 prejudicada e est\u00e1 ligada ao crime; h\u00e1 um capitalismo criminoso que gera viol\u00eancia. O Estado est\u00e1 entrela\u00e7ado com o narcotr\u00e1fico. Ele examina os relat\u00f3rios de organiza\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais de direitos humanos. Com esse contexto como pano de fundo, ele investiga os movimentos mais relevantes no per\u00edodo escolhido. Ele destaca a voz desses movimentos porque \u00e9 paradigm\u00e1tico na visualiza\u00e7\u00e3o das queixas sofridas pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. Ele se aprofunda no movimento pela Paz com Justi\u00e7a e Dignidade. Investiga o movimento de autodefesa em Michoac\u00e1n. Levanta um contraponto com base na experi\u00eancia da comunidade ind\u00edgena de Cher\u00e1n. Aborda o movimento do Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Trabalhadores da Educa\u00e7\u00e3o (Coordinadora Nacional de Trabajadores de la Educaci\u00f3n). Tamb\u00e9m examina o movimento de Ayotzinapa. Baseia-se na conceitua\u00e7\u00e3o toureniana de identidade, oposi\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a social. Ele aborda as especificidades de cada um dos movimentos estudados. Ele mostra que esses s\u00e3o movimentos de cidad\u00e3os que foram v\u00edtimas de viol\u00eancia criminal e estatal. Os principais atores desses movimentos, povos ind\u00edgenas, estudantes e trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m contaram com a solidariedade de outros setores sociais. O advers\u00e1rio \u00e9 a mesma ordem social capitalista com as faces do Estado e do narcotr\u00e1fico. Ele descobre que novas formas de organiza\u00e7\u00e3o foram criadas e que novas t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo usadas.<\/p>\n<p>Teresa Isabel Marroqu\u00edn explora o impacto dos novos movimentos sociais no processo de democratiza\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico. Ela se refere \u00e0 tese da mudan\u00e7a pol\u00edtica. Ela d\u00e1 prioridade \u00e0 conceitua\u00e7\u00e3o dos novos movimentos sociais, incluindo os zapatistas em Chiapas e o movimento liderado por Javier Sicilia. Ele pergunta sobre a democratiza\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico mexicano. Ele observa que os movimentos tiveram um impacto na democratiza\u00e7\u00e3o porque, ao questionar um regime autorit\u00e1rio, provocaram uma liberaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que teve repercuss\u00f5es em termos de altern\u00e2ncia pol\u00edtica. Mas ele tamb\u00e9m argumenta que os movimentos se retiraram e n\u00e3o desempenharam um papel fundamental nessas mudan\u00e7as. Ele enfatiza que a sociedade mexicana tem uma percep\u00e7\u00e3o negativa da pol\u00edtica predominante. Ele considera que n\u00e3o houve uma transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica real. Entretanto, ele calibra os argumentos daqueles que apontam que foi um processo lento, enquanto outros denunciam uma regress\u00e3o autorit\u00e1ria. Ele tem em mente as transi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que ocorreram em Portugal, na Gr\u00e9cia e na Espanha na d\u00e9cada de 1970, as que ocorreram na Am\u00e9rica Latina na d\u00e9cada de 1980 e o que aconteceu na Europa Oriental. Ele observa que \u00e9 dif\u00edcil categorizar um processo de democratiza\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico. Ele se refere \u00e0s ideias de Castells sobre o movimento dos indignados e \u00e0s ideias de Zibechi sobre a autonomia dos movimentos e suas implica\u00e7\u00f5es culturais. Ele argumenta que o importante sobre os movimentos \u00e9 que eles surjam, que existam, e adverte sobre o perigo de tentar classific\u00e1-los a partir de uma perspectiva convencional de sucesso ou fracasso, pois sua relev\u00e2ncia est\u00e1 no levantamento de demandas e nas alternativas que eles abrem. Tanto o movimento zapatista quanto o movimento Paz com Justi\u00e7a e Dignidade questionaram profundamente o Estado mexicano. Ele tamb\u00e9m faz alus\u00e3o ao movimento Ayotzinapa e enfatiza que seu desenvolvimento deve ser visto. Sua persist\u00eancia o levou a se tornar um importante movimento pela verdade e pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Emmanuel Rojas enfoca a constru\u00e7\u00e3o conflituosa de um \"n\u00f3s\" nos movimentos mexicanos contempor\u00e2neos com base em uma revis\u00e3o de textos acad\u00eamicos. Ele chama a aten\u00e7\u00e3o para o relacionamento conflituoso dentro dos movimentos e ressalta que os movimentos s\u00e3o formas de a\u00e7\u00e3o coletiva com pr\u00e1ticas perturbadoras. Ele enfatiza a transforma\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o. Ele se concentra na identidade de um \"n\u00f3s\" em oposi\u00e7\u00e3o aos advers\u00e1rios. Ele argumenta que esse \"n\u00f3s\" \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 dada de antem\u00e3o. Ele destaca a import\u00e2ncia do surgimento do movimento zapatista, que colocou em cena a import\u00e2ncia do movimento ind\u00edgena. Ele tamb\u00e9m menciona os movimentos contra o aumento da viol\u00eancia, incluindo o movimento Ayotzinapa. Yo soy 132 o situa como um movimento contra a imposi\u00e7\u00e3o. Todos esses movimentos exigem mudan\u00e7as profundas. Ele argumenta que o \"n\u00f3s\" pode ser constru\u00eddo em face de novos referentes subjetivos que desafiam os participantes e enfatiza que isso implica outro oponente contra o qual lutar. Fora do movimento feminista, ele n\u00e3o v\u00ea as dificuldades internas dos movimentos que est\u00e3o sendo analisados. Ele est\u00e1 convencido de que os pontos de disputa dentro dos movimentos n\u00e3o foram analisados em profundidade. Ele considera que falta uma proposta de pesquisa sobre os conflitos na constitui\u00e7\u00e3o do \"n\u00f3s-sujeito\" dos movimentos.<\/p>\n<p>Guillermo Ortiz analisa o caso do movimento Yo Soy 132 em Guadalajara em 2012. Ele questiona se o movimento pode ser conceituado como um novo movimento social. Ele enfatiza que o movimento estava comprometido com a democracia. Embora tenha passado por uma fase de retra\u00e7\u00e3o organizacional devido \u00e0 repress\u00e3o, ele v\u00ea a capacidade de reativa\u00e7\u00e3o. Ele faz uma cr\u00f4nica baseada em hemerografia e se concentra nas reflex\u00f5es de cinco atores participantes. Ele chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que um setor de jovens de classe m\u00e9dia com acesso ao ensino superior se op\u00f4s \u00e0s elites pol\u00edticas. Ele observa que esse foi um movimento estudantil que se transformou em oposi\u00e7\u00e3o aberta ao PRI e \u00e0 Televisa na conjuntura da campanha presidencial de 2012. Foi um movimento muito cr\u00edtico que atraiu simpatia. Ele se manifestou contra o controle da m\u00eddia de massa que distorcia o processo democr\u00e1tico. Apontava para um curso autorit\u00e1rio e se opunha a isso. Ele destacou como defeito o fato de n\u00e3o ter se tornado um interlocutor do Estado. Por outro lado, h\u00e1 aqueles que veem isso como uma de suas contribui\u00e7\u00f5es. Ele nos lembra que, nos movimentos, as derrotas e os fracassos nunca s\u00e3o definitivos, pois t\u00eam um impacto na mem\u00f3ria hist\u00f3rica da sociedade. O autor faz uma revis\u00e3o conceitual. Ele apresenta duas tabelas nas quais sistematiza v\u00e1rios elementos constituintes dos movimentos sociais. Ele aponta as contribui\u00e7\u00f5es dos movimentos para a din\u00e2mica democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Margarita Robertson estuda os professores rurais como um sujeito pol\u00edtico em resist\u00eancia e constante renova\u00e7\u00e3o. A autora explora conceitos te\u00f3ricos que a ajudam a entender o ator coletivo das faculdades de forma\u00e7\u00e3o de professores rurais no M\u00e9xico. Ela reflete que se trata de um sujeito pol\u00edtico que tem demandas em torno das escolas normais, mas que n\u00e3o para por a\u00ed, transcendendo para a solidariedade com uma ampla gama de lutas sociais. Ele descreve a Federa\u00e7\u00e3o de Estudantes Camponeses Socialistas do M\u00e9xico, que manteve sua ideologia e suas lutas, adaptando-as \u00e0s mudan\u00e7as dos tempos, desenvolvendo o pensamento cr\u00edtico e defendendo suas conquistas como trabalhadores e estudantes, e ampliando seu campo de a\u00e7\u00e3o para outros tipos de lutas sociais. Ele mostra como se trata de um projeto coletivo que foi constru\u00eddo por sujeitos em intensa e permanente intera\u00e7\u00e3o. Ela argumenta que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreend\u00ea-los fora da perspectiva da luta de classes. A autora empreende uma laboriosa e cuidadosa reconstru\u00e7\u00e3o de 80 anos dessas lutas, desde a educa\u00e7\u00e3o socialista at\u00e9 a fase neoliberal. Apesar dos conflitos internos e da diversidade de correntes, foi mantido um movimento coerente em defesa das escolas, dos internatos e de seus m\u00e9todos de ensino. A marca deixada por esse movimento em seus participantes \u00e9 profunda e tenaz. Eles se tornaram uma trincheira de grande relev\u00e2ncia contra a desapropria\u00e7\u00e3o neoliberal.<\/p>\n<p>Luc\u00eda Ibarra encerra o livro com uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a\u00e7\u00f5es coletivas no 10\u00ba distrito de Jalisco. Ela estuda um grupo de jovens que promoveu candidaturas independentes. Ele foi bem-sucedido na cria\u00e7\u00e3o de uma nova rede que vem promovendo a\u00e7\u00f5es para abrir a inclus\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o de jovens insatisfeitos com a pol\u00edtica tradicional. O texto descreve as a\u00e7\u00f5es coletivas realizadas. Uma nova representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica foi proposta e alcan\u00e7ada em um contexto de renova\u00e7\u00e3o de uma democracia altamente participativa. As propostas s\u00e3o estudadas e suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o contextualizadas, levando em conta as caracter\u00edsticas espec\u00edficas desse distrito eleitoral. As redes s\u00e3o visualizadas e as conquistas em termos de transpar\u00eancia e responsabilidade s\u00e3o apontadas. Esses jovens demonstraram que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio pertencer a um partido pol\u00edtico para ter acesso a cargos p\u00fablicos que passam por processos eleitorais.<\/p>\n<p>Se levarmos em conta o que Touraine apontou anos atr\u00e1s, devemos distinguir entre lutas sociais e movimentos sociais. Ele estava inclinado a classificar como movimento social o que implicava mudan\u00e7as estruturais radicais. Entretanto, h\u00e1 outros que usam a no\u00e7\u00e3o de movimento social para qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de massa com repercuss\u00f5es sociais. Nesse sentido, as express\u00f5es de massa fascistas corresponderiam a um tipo espec\u00edfico de movimento social.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> Por outro lado, houve experimentos em que o descontentamento social foi usado para induzir e manipular movimentos em favor dos interesses geopol\u00edticos dos EUA. Fomos alertados de que as elites aprenderam a gerenciar a agita\u00e7\u00e3o que elas mesmas produzem (Renduelas, 2015). Diante disso, \u00e9 preciso ter em mente que h\u00e1 manipula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio distinguir entre o manipulado e o espont\u00e2neo. Os poderes constitu\u00eddos tentam colocar as m\u00e3os nos movimentos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 brechas para escapar de poderes de todos os tipos. Como podemos discernir o que \u00e9 um movimento pr\u00f3prio do que \u00e9 induzido ou mesmo manipulado? Uma pista seria detectar a din\u00e2mica da demoeleutherie.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Se, na realidade, a liberdade estiver envolvida em sua cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Se as pessoas discernissem, discutissem, organizassem, decidissem, executassem, revisassem o que foi feito, corrigissem os erros; se houvesse autonomia e n\u00e3o heteronomia de qualquer tipo, se n\u00e3o fossem os outros que estivessem no comando. Ser\u00e1 necess\u00e1rio visualizar a liberdade, a imagina\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o e a combina\u00e7\u00e3o inovadora de elementos. Outra pista para analisar os movimentos \u00e9 seu desempenho. H\u00e1 um uso nos movimentos de elementos semelhantes, mas eles s\u00e3o constantemente recriados. Outro problema est\u00e1 no fato de que a liberdade n\u00e3o \u00e9 algo un\u00edvoco. A liberdade n\u00e3o \u00e9 uma condena\u00e7\u00e3o, como disse Sartre, mas uma luta cont\u00ednua para preservar o indiv\u00edduo no coletivo, pois ningu\u00e9m pode ser livre isoladamente. Gramsci advertiu que cada tend\u00eancia a preenchia com seu pr\u00f3prio conte\u00fado e chegou a assinalar que ela corria o risco de se tornar um conceito desonrado quando era identificada com a liberdade do mercado e a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias (Fern\u00e1ndez Buey, 2001). N\u00e3o se deve esquecer que o capitalismo afirma ser o defensor da liberdade, mas \u00e9 a liberdade de poucos para oprimir os muitos que se consideram livres. E a din\u00e2mica final do capitalismo levou ao ressurgimento de novas formas de escravid\u00e3o. Al\u00e9m disso, tudo isso acontece como uma express\u00e3o de liberdade. Mas est\u00e1 claro que, quando somos privados de assist\u00eancia m\u00e9dica universal, n\u00e3o \u00e9 que nos seja dada a liberdade de procurar o provedor privado de nossa escolha, nem quando nos s\u00e3o oferecidos apenas empregos prec\u00e1rios e superexplorados, mesmo que estejamos respondendo \u00e0 nossa pr\u00f3pria criatividade. O sistema faz passar por escolhas livres o que \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o de sua terr\u00edvel domina\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um grande engano que, na verdade, est\u00e1 privando as pessoas da escolha de mudar a situa\u00e7\u00e3o (\u017di\u017eek, 2017). Em todo caso, a luta entre liberdade e sujei\u00e7\u00e3o deve ser sempre calibrada. A liberdade leva \u00e0 decis\u00e3o, \u00e0 pr\u00e1tica que produz uma situa\u00e7\u00e3o, um evento, contextualizado, n\u00e3o fechado em si mesmo, mas parte de um processo no qual se tem controle.<\/p>\n<p>V\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es relatam as tend\u00eancias te\u00f3ricas na abordagem dos movimentos sociais e distinguem as \u00eanfases do que chamam de escolas, onde distinguem a escola europeia com Touraine e Melucci na vanguarda, com sua OIT (organiza\u00e7\u00e3o, identidade e disputa da totalidade); e tamb\u00e9m se referem \u00e0 escola americana que recorre \u00e0 estrutura de oportunidades, \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos e \u00e0s estruturas interpretativas da a\u00e7\u00e3o coletiva. As tend\u00eancias latino-americanas n\u00e3o s\u00e3o ignoradas, com as novidades de fen\u00f4menos como o F\u00f3rum Social Mundial e o zapatismo em Chiapas. Tamb\u00e9m \u00e9 dada aten\u00e7\u00e3o \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva contenciosa e \u00e0 resist\u00eancia cotidiana, esse conjunto de pr\u00e1ticas contingentes que desafiam o poder por meio da resist\u00eancia. <a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> Nessa din\u00e2mica est\u00e3o aqueles que veem os movimentos sociais como atualiza\u00e7\u00f5es alternativas de organiza\u00e7\u00e3o social, que enfatizam um mal-estar diante da situa\u00e7\u00e3o, e onde se enfatiza que o importante \u00e9 colocar o sistema em xeque. Tamb\u00e9m se chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que n\u00e3o devemos cair em vis\u00f5es que atribuem triunfos e fracassos a determinados movimentos, mas sim calibrar o impacto e a marca que eles deixam na sociedade e nas a\u00e7\u00f5es futuras. Ele tamb\u00e9m aponta para o papel dos movimentos na reconstru\u00e7\u00e3o social, para a solidariedade e a criatividade que s\u00e3o fundamentais para os movimentos, e n\u00e3o para suas demandas concretas. Um outro cuidado \u00e9 n\u00e3o perder de vista as contradi\u00e7\u00f5es internas dos pr\u00f3prios movimentos. N\u00e3o se deve esquecer que, al\u00e9m da efusividade de uma manifesta\u00e7\u00e3o em massa, o importante \u00e9 o que acontece nas casas dos participantes no dia seguinte, pois o impacto de suas decis\u00f5es depende de sua organiza\u00e7\u00e3o na vida cotidiana (\u017di\u017eek, 2016).<\/p>\n<p>Nos movimentos, n\u00e3o estamos lidando com um comportamento mec\u00e2nico ou pendular. N\u00e3o podemos encerr\u00e1-los em ciclos constantes. H\u00e1 pausas, expans\u00f5es e contra\u00e7\u00f5es que n\u00e3o respondem a elementos constantes e fixos. Em vez da aplica\u00e7\u00e3o de leis, h\u00e1 muitas transgress\u00f5es de supostas regularidades. A energia social \u00e0s vezes explode e, em outros momentos, parece err\u00e1tica. Outro alerta que Zibechi nos d\u00e1 \u00e9 que as grandes mudan\u00e7as come\u00e7am com pequenos movimentos invis\u00edveis para a m\u00eddia e os analistas. Antes da eclos\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de massa, h\u00e1 muitos processos subterr\u00e2neos. Eles acontecem na vida cotidiana das pessoas. Mas ele chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que os movimentos reais s\u00e3o aqueles que mudam o lugar das pessoas no mundo, quando o tecido da domina\u00e7\u00e3o \u00e9 rompido. Entretanto, ele tamb\u00e9m aconselha a n\u00e3o ver isso como uma rela\u00e7\u00e3o direta de causa e efeito. Ela nos convida a tentar detectar essas insurrei\u00e7\u00f5es silenciosas, que s\u00e3o impulsionadas por feminismos comunit\u00e1rios. Ela censura os cientistas sociais por quererem descrever e analisar os novos caminhos que as pessoas est\u00e3o abrindo com conceitos do passado (Zibechi, 2017).<\/p>\n<p>Nesse sentido, John Holloway \u00e9 um inimigo da conceitualiza\u00e7\u00e3o do movimento social e adverte que ele tem fun\u00e7\u00f5es de domesticar a raiva. <a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/p>\n<p>\u00c0 medida que os medos se espalham para manter a ordem atual, uma maneira de sair dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 quebrar os medos. A quebra de medos e o aumento da raiva podem desencadear um movimento. Mas a raiva por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 suficiente e pode at\u00e9 ser prejudicial sem os outros elementos em jogo: desconectar-se da domina\u00e7\u00e3o e buscar novas cria\u00e7\u00f5es. A raiva pode ser usada pelos inimigos dos que est\u00e3o na base para direcion\u00e1-los a caminhos que ser\u00e3o prejudiciais a eles, como, por exemplo, a fraude eleitoral. O in\u00edcio de um movimento tamb\u00e9m costuma ser massivo, mas essa euforia tende a se dissipar rapidamente. O que resta \u00e9 o trabalho organizacional constante. Ultimamente, os movimentos t\u00eam criado espa\u00e7os nos quais culturas diferentes das hegem\u00f4nicas est\u00e3o sendo testadas e novos tipos de rela\u00e7\u00f5es sociais est\u00e3o sendo experimentados. Uma caracter\u00edstica desses movimentos \u00e9 a territorializa\u00e7\u00e3o (comunidades que cultivam a terra sem agrot\u00f3xicos, coletivamente, escolas e cl\u00ednicas de sa\u00fade autogeridas nesses territ\u00f3rios, m\u00eddia autogerida, centros culturais, cooperativas de trabalho). Esse \u00e9 um novo mundo que j\u00e1 est\u00e1 nascendo. Esses movimentos s\u00e3o estrategicamente importantes porque est\u00e3o formando um grande n\u00famero de militantes (Zibechi, 2017). Sem d\u00favida, em comum, s\u00e3o produzidas conquistas sociais de grande alcance. Mas o progresso \u00e9 revers\u00edvel. Quando a luta \u00e9 por um objetivo espec\u00edfico, h\u00e1 um aumento na participa\u00e7\u00e3o. Os movimentos precisam criar novas formas de participa\u00e7\u00e3o e deixar a criatividade fluir (Mart\u00ednez, 2017).<\/p>\n<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">Aqueles que queriam se afastar do capitalismo de cima para baixo n\u00e3o conseguiram sair dele e voltaram. Tomar o poder para mudar a sociedade n\u00e3o demonstrou ser o caminho. A quest\u00e3o \u00e9 como sair do capitalismo de baixo para cima, transformando a sociedade para acabar com o poder dominante. Precisamos aprender a pensar devagar para n\u00e3o sermos devastados pela urg\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio calibrar os desafios, os dilemas, os problemas, as contradi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m as possibilidades que se abrem diante de certas op\u00e7\u00f5es. Em todas essas reflex\u00f5es, a leitura deste livro pode nos ajudar a continuar a aprofundar nossa compreens\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais.<\/p>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Fern\u00e1ndez Buey, Francisco (2001). <em>Leyendo a Gramsci<\/em>. Barcelona: Viejo topo.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Mart\u00ednez, Javier. 11 de septiembre de 2017. \u201c\u00bfCubren los movimientos sociales las necesidades de las personas?\u201d, <em>Rebeli\u00f3n<\/em>. Recuperado de  <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=231374\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=231374<\/a>, consultado el 21 de diciembre de 2018.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Navarro, Isidro y Sergio Tamayo (coords.) (2017). <em>Movimientos sociales en M\u00e9xico en el siglo XXI.<\/em> M\u00e9xico: Red Mexicana de estudios de los movimientos sociales.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Ram\u00edrez, Miguel \u00c1ngel (coord.) (2016). <em>Movimientos sociales en M\u00e9xico. Apuntes te\u00f3ricos y estudios de caso<\/em>. M\u00e9xico: UAM.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Renduelas, C\u00e9sar (2015). <em>Capitalismo canalla<\/em>. Barcelona: Seix Barral.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Reynoso, Carlos Alonso y Jorge Alonso (2015).  <em>En busca de la libertad de los de abajo, la demoeleuther\u00eda<\/em>. Guadalajara: Universidad de Guadalajara.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Rosenberg, Arthur (2009). <em>El fascismo como movimiento de masas<\/em>. Espa\u00f1a: Omegalfa.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Zibechi, Ra\u00fal. 10 de noviembre de 2017.\u201cInsurrecciones silenciosas\u201d. <em>La Jornada<\/em>. Recuperado de <a href=\"http:\/\/www.jornada.unam.mx\/2017\/11\/10\/opinion\/020a1pol\">http:\/\/www.jornada.unam.mx\/2017\/11\/10\/opinion\/020a1pol<\/a>, consultado el 21 de diciembre de 2018.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  ___________(2017). \u201cLa revoluci\u00f3n latinoamericana del siglo XXI\u201d, en <em>V.V. A.A. Revoluci\u00f3n. Escuela de un sue\u00f1o eterno<\/em>. Buenos Aires: Negra Mala Testa.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  \u017di\u017eek, Slavoj (2017)&nbsp; \u201cEl Capital ficticio y el retorno de la dominaci\u00f3n personal\u201d (Antonio J. Ant\u00f3n [trad.]). <em>Minerva \u2013 Revista del c\u00edrculo de bellas artes, <\/em>29, IV \u00c9poca. Recuperado de  <a href=\"http:\/\/www.circulobellasartes.com\/revistaminerva\/articulo.php?id=721\">http:\/\/www.circulobellasartes.com\/revistaminerva\/articulo.php?id=721<\/a>, cconsultado el 21 de diciembre de 2018.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  ___________ (2016). <em>Problemas en el para\u00edso. <\/em>Barcelona: Anagrama.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">Aqueles que queriam se afastar do capitalismo de cima para baixo n\u00e3o conseguiram sair dele e voltaram. Tomar o poder para mudar a sociedade n\u00e3o demonstrou ser o caminho. A quest\u00e3o \u00e9 como sair do capitalismo de baixo para cima, transformando a sociedade para acabar com o poder dominante. 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