{"id":30959,"date":"2019-03-21T15:09:51","date_gmt":"2019-03-21T15:09:51","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30959"},"modified":"2023-11-17T19:00:04","modified_gmt":"2023-11-18T01:00:04","slug":"casorio-indigena-nasa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/casorio-indigena-nasa\/","title":{"rendered":"Nasa Phtamnx\u00fbu. Casamento ind\u00edgena Nasa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Nasa Phtamnx\u016bu - Casa de fazenda ind\u00edgena Nasa\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/128873751?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"580\" height=\"326\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este documento tem como objetivo mostrar o marco hist\u00f3rico no qual, por um lado, se desenvolve o produto audiovisual produzido pelo Aica Colectivo sobre o resgate do casorio ind\u00edgena e, por outro, tra\u00e7ar a rota de consolida\u00e7\u00e3o do conhecimento gerado pelo povo ind\u00edgena Nasa, em um exerc\u00edcio que permite delimitar as dist\u00e2ncias culturais que hoje est\u00e3o presentes no resto das culturas do pa\u00eds. Este trabalho tem como objetivo esbo\u00e7ar a hist\u00f3ria do povo ind\u00edgena Nasa Paez, um povo do territ\u00f3rio ancestral de Tierradentro, Cauca-Col\u00f4mbia, cuja l\u00edngua materna \u00e9 o Nasaywe, uma comunidade em constante resist\u00eancia e em uma luta para forjar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria seguindo os passos de seus ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/casorio\/\" rel=\"tag\">casamento<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/costumbres\/\" rel=\"tag\">alf\u00e2ndega<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/rituales\/\" rel=\"tag\">rituais<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/union-familiar-indigena\/\" rel=\"tag\">uni\u00e3o familiar ind\u00edgena<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/usos\/\" rel=\"tag\">usos<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">Nasa Phtamnx\u00fbu. Cas\u00f3rio de na\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da Nasa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">O objetivo do documento \u00e9 tornar clara a estrutura hist\u00f3rica na qual, por um lado, a produ\u00e7\u00e3o audiovisual do Aica Colectivo para preservar os costumes do casamento ind\u00edgena Casorio Ind\u00edgena se desenvolveu, ao mesmo tempo em que tra\u00e7a o caminho da consolida\u00e7\u00e3o do conhecimento que emergiu da cultura ind\u00edgena Nasa, em um exerc\u00edcio que nos permite diminuir as dist\u00e2ncias culturais que atualmente podem ser encontradas entre as outras culturas da Col\u00f4mbia. O trabalho apresenta um esbo\u00e7o da hist\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o ind\u00edgena Nasa Paez, um povo de uma antiga terra natal em Tierradentro, Cauca-Col\u00f4mbia, cujo idioma nativo \u00e9 o Nasaywe. \u00c9 uma comunidade de resist\u00eancia cont\u00ednua que luta para forjar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, seguindo os passos de seus ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\"><strong>Palavras-chave: <\/strong><em>Casamento<\/em> (casamento simb\u00f3lico), unidade familiar ind\u00edgena, rituais e costumes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da tulpa ao c\u00e1lice: recontando a conquista (contexto e an\u00e1lise)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><em>Conselho de Lima de 1551<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Todos os cultos e ritos estritamente religiosos, particularmente os consagrados aos antepassados, mas tamb\u00e9m os ritos de inicia\u00e7\u00e3o, a maioria das festas e dan\u00e7as, as uni\u00f5es de casais n\u00e3o consagrados pelos c\u00e2nones cat\u00f3licos [...] As constitui\u00e7\u00f5es listam uma s\u00e9rie de obriga\u00e7\u00f5es que equivaliam a proibi\u00e7\u00f5es culturais: obriga\u00e7\u00e3o de assistir \u00e0 missa, de receber instru\u00e7\u00e3o religiosa, de dormir em esteiras [...], de comer em fam\u00edlia e n\u00e3o coletivamente, de ter costumes modestos, etc. (Rengifo Bernardo, 2007: 277).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">A uni\u00e3o de casais ind\u00edgenas tradicionalmente consagrados implica a lembran\u00e7a do compromisso de vida com os ancestrais e autoridades espirituais como parte constituinte de uma sabedoria opaca, tornando-se uma reconcilia\u00e7\u00e3o com a cosmovis\u00e3o Nasa. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio relatar o processo em que esse conhecimento e essas pr\u00e1ticas foram transgredidos, semeando nas novas gera\u00e7\u00f5es um grande prop\u00f3sito de resist\u00eancia tecido no plano de vida do movimento ind\u00edgena Nasa, encarregado da luta di\u00e1ria para superar o etnoc\u00eddio ocidental, por meio da reconstru\u00e7\u00e3o dos cen\u00e1rios originais. Essas pr\u00e1ticas valiosas s\u00e3o agora uma mem\u00f3ria reivindicada.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato dessa jornada hist\u00f3rica faz parte do processo de reparar a ferida infligida aos ancestrais da Nasa. Lazio Regione (2010), parte do fato de que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">A conquista e a coloniza\u00e7\u00e3o come\u00e7aram em 1535 e, quase simultaneamente, a Cacica Gaitana organizou seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito para defender seu povo, impedindo assim o saque de nossas riquezas. Esse confronto foi espiritual e tamb\u00e9m material, mas, de qualquer forma, desigual, por causa das armas de fogo que os espanh\u00f3is trouxeram consigo; \u00e0s vezes ganhamos, \u00e0s vezes perdemos; o importante \u00e9 que, por causa da luta unida e da clareza dos objetivos, o direito de existir como povos, em meio \u00e0 diversidade \u00e9tnica e natural, foi alcan\u00e7ado (p. 262).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a vis\u00e3o de mundo e a fonte de vida dos Nasa foram transgredidas pelo plano de acultura\u00e7\u00e3o dos conquistadores, que visava \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o nominativa do Novo Mundo. Assim, fortemente armados, invadiram suas terras, impondo a mensagem da Boa Nova com a cruz nas m\u00e3os, uma de suas principais armas de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o, capaz de levar os ind\u00edgenas a se separarem de suas pr\u00f3prias origens, criando assim o processo que enfraqueceu a unidade milenar constru\u00edda sobre a identidade e a espiritualidade de todo um povo. Nas palavras literais do invasor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Temos uma grande embaixada daquele grande Senhor que tem jurisdi\u00e7\u00e3o espiritual sobre todos os que vivem no mundo, que \u00e9 chamado de Santo Padre, que est\u00e1 ansioso e preocupado com a sa\u00fade de suas almas... que mora na grande cidade de Roma, dando-nos seu poder e autoridade. E tamb\u00e9m trazemos as Sagradas Escrituras, nas quais est\u00e3o escritas as palavras do \u00fanico Deus verdadeiro... E para esse prop\u00f3sito fomos enviados, para que possamos ajud\u00e1-los a se salvar e para que recebam a miseric\u00f3rdia que Deus lhes mostra. O grande Senhor que nos enviou n\u00e3o quer ouro, prata ou pedras preciosas, ele s\u00f3 quer e deseja sua salva\u00e7\u00e3o... Esse grande Senhor \u00e9 o vig\u00e1rio de Deus na Terra e tem os tempos de Deus e seu poder (Dur\u00e1n, 1984: 330).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse mandato enviado por Roma foi levado \u00e0s comunidades amer\u00edndias por ordens religiosas formadas por mission\u00e1rios que se diziam seres superiores dignos de obedi\u00eancia. Eles impuseram suas doutrinas religiosas \u00e0s comunidades amer\u00edndias e presumiram que, pelo ato ritual dos povos ind\u00edgenas de agradecer e retribuir reciprocamente aos seus esp\u00edritos anci\u00e3os da natureza, eles se tornaram, perante eles, perante seu Deus, seu Evangelho e todo o seu reino expansionista, seres pag\u00e3os, primitivos, selvagens e id\u00f3latras que precisavam urgentemente ser removidos dessa vis\u00e3o bioc\u00eantrica.<\/p>\n\n\n\n<p>O rep\u00fadio aos rituais sagrados foi a principal causa desse choque de culturas desconhecidas e opostas, e a causa do conflito come\u00e7ou com o etnocentrismo do homem branco que, em sua expans\u00e3o cultural, negou as liberdades de tudo o que considerava desconhecido para sua vis\u00e3o euroc\u00eantrica e materialista.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es do expansionismo cultural colonizador geralmente visavam \u00e0 domina\u00e7\u00e3o por meio da desterritorializa\u00e7\u00e3o, ou seja, uma estrat\u00e9gia autorit\u00e1ria de controle baseada na reorganiza\u00e7\u00e3o do \"modo de exist\u00eancia em estreita uni\u00e3o com as for\u00e7as do mundo natural [...]\" (Rengifo Bernardo, 2017: 277). Dessa forma, eles for\u00e7aram os povos ind\u00edgenas a abandonar seu conhecimento ligado \u00e0 M\u00e3e Terra, a fim de separ\u00e1-los de sua espiritualidade e origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que, naturalmente, para os ind\u00edgenas existe uma rela\u00e7\u00e3o importante - que os mant\u00e9m vivos - entre o territ\u00f3rio, seu esp\u00edrito e seus costumes, e para assegurar a ruptura dessa rela\u00e7\u00e3o, o papel fundamental do mission\u00e1rio consistiu em p\u00f4r em marcha uma mudan\u00e7a cultural dirigida com a ajuda do Evangelho, ou seja, uma modifica\u00e7\u00e3o intencional baseada na imposi\u00e7\u00e3o dos estudos sacramentais do catolicismo, que seria a chave para come\u00e7ar a fragmentar a identidade e \"reiniciar\" a mem\u00f3ria ancestral original.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, esse processo de acultura\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi agrad\u00e1vel nem f\u00e1cil para os invasores; a comunica\u00e7\u00e3o foi o maior impedimento para a prega\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica. O encontro entre o espanhol e a pluralidade de idiomas nativos dificultou a compreens\u00e3o, o que levou, em um primeiro momento, \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o do espanhol como o novo e \u00fanico idioma do territ\u00f3rio; isso significou a nega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade do povo ind\u00edgena ao substituir sua l\u00edngua materna.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o grande n\u00famero de aldeias e comunidades espalhadas pelo territ\u00f3rio tamb\u00e9m dificultou o avan\u00e7o colonizador na erradica\u00e7\u00e3o de costumes e tradi\u00e7\u00f5es, pois a falta de contato e vigil\u00e2ncia constantes com cada uma das pessoas das comunidades limitou a manipula\u00e7\u00e3o do Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, os primeiros casos de deslocamento de comunidades ind\u00edgenas ocorreram com o objetivo de redistribuir a vida dos povos ind\u00edgenas para cumprir os objetivos da coloniza\u00e7\u00e3o. Portanto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">\u00c9 aqui que o espa\u00e7o redutor interv\u00e9m decisivamente para a realiza\u00e7\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o do ind\u00edgena: se ele est\u00e1 imerso em um bios, ser\u00e1 ent\u00e3o necess\u00e1rio mov\u00ea-lo para a polis e, em particular, para seu centro sacramental: a par\u00f3quia (Rengifo Bernardo, 2017: 278).<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo pelo qual a redu\u00e7\u00e3o se tornou fundamental naquela \u00e9poca \u00e9 que, quando um ind\u00edgena deixa seu territ\u00f3rio, ele morre, e \u00e9 exatamente esse o objetivo do plano de centraliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Consistia em uma a\u00e7\u00e3o de desenraizamento causada pelo deslocamento territorial for\u00e7ado, com o objetivo de enfraquecer os fortes la\u00e7os milenares do tecido coletivo, dividindo as grandes comunidades em grupos pequenos e controlados, longe de seu pr\u00f3prio centro cerimonial, neutralizado por uma nova ordem religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, foram estabelecidos conjuntos habitacionais compostos por ruas, casas e escolas, nos quais era mais f\u00e1cil manipular e subjugar os habitantes sob novas leis regidas pela teologia militar das par\u00f3quias e igrejas. Elas foram constru\u00eddas para ser um eixo central nas sociedades estabelecidas que agora lutariam por \"uma futura liberta\u00e7\u00e3o do homem e de sua alma\" dentro da estrutura do paganismo e da vida em pecado. Liberta\u00e7\u00e3o que, de acordo com a Igreja, s\u00f3 viria por meio da ado\u00e7\u00e3o de uma f\u00e9 cat\u00f3lica distante das pr\u00e1ticas de harmoniza\u00e7\u00e3o com a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de ent\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o desses templos ocidentais, saturados de simbolismo esc\u00f3pico integrado por mem\u00f3rias culturais estranhas \u00e0s dos povos ind\u00edgenas, foi tamb\u00e9m o fator fundamental que deu in\u00edcio \u00e0 deforma\u00e7\u00e3o da identidade original. As igrejas serviriam para desarmonizar a vida dos povos, assumindo a tarefa de \"civiliz\u00e1-los\", um conceito ocidental cuja etimologia se refere \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de um modelo cultural de vida como vest\u00edgio da luta pelo territ\u00f3rio. Como explica Rengifo Bernardo (2017): \"[...]. <em>civilis<\/em> (cidadania) refere-se, entre seus significados, a 'uma vit\u00f3ria sobre o inimigo' e tamb\u00e9m aos 'despojos de guerra' obtidos\" (p. 27).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pretens\u00e3o de civilizar ou \"elevar o n\u00edvel cultural para melhorar o treinamento e o comportamento das sociedades menos desenvolvidas\", uma ideia concebida dentro de um profundo eurocentrismo, revelou interesses econ\u00f4micos em hierarquizar as popula\u00e7\u00f5es, considerando-se superiores em diferentes cen\u00e1rios, um pensamento parcialmente refor\u00e7ado por seu \"progresso\" tecnol\u00f3gico baseado na posse de armas e na ideia de serem embaixadores de um ser supostamente supremo na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a verdadeira ess\u00eancia dessa civiliza\u00e7\u00e3o se tornou a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e do conhecimento ancestral como um trof\u00e9u para fortalecer o com\u00e9rcio na Europa, impondo um modo de produ\u00e7\u00e3o que estava em algum lugar entre a escravid\u00e3o e o feudalismo e que sobreviveu at\u00e9 os dias atuais em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Recapitulando, a ideia de alcan\u00e7ar esse \"n\u00edvel superior de cultura\" estava exclusivamente ligada ao estabelecimento de um conhecimento sacramental, que tinha o \u00fanico prop\u00f3sito de cegar as mentes dos habitantes das redu\u00e7\u00f5es a fim de promover o esquecimento do conhecimento ind\u00edgena imerso na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a Igreja estabeleceu um tipo de ensino baseado na catequese (conhecimento religioso) por meio da repeti\u00e7\u00e3o como uma t\u00e9cnica de manipula\u00e7\u00e3o que facilitaria essa doutrina\u00e7\u00e3o. Na \u00e2nsia de ensinar os ind\u00edgenas a falar espanhol e, assim, faz\u00ea-los entender o Evangelho, os mission\u00e1rios criaram uma metodologia composta por diferentes textos, gravuras, m\u00fasicas e ilustra\u00e7\u00f5es, que deveriam fazer parte do cotidiano. Um dos principais foi o <em>Cartilha castelhana<\/em>Os povos ind\u00edgenas foram for\u00e7ados a ler, escrever e repetir at\u00e9 que tivessem memorizado todo o seu conte\u00fado; ora\u00e7\u00f5es como o Pai Nosso, a Ave Maria, o Credo, a Salve, uma confiss\u00e3o geral, artigos de f\u00e9, os mandamentos e os pecados capitais, todos fundamentos individuais improdutivos para o desenvolvimento e a sobreviv\u00eancia do comportamento coletivo natural.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra t\u00e1tica para catequizar os nativos foram as gravuras do mission\u00e1rio Fray Diego Valad\u00e9s, que comunicavam a chegada dos sacramentos: \"Em uma gravura, \u00e9 mostrado como o sangue de Cristo cai na forma de sete fios (os sete sacramentos) em uma fonte...\" (Vel\u00e1zquez, 1899: 113). A mensagem transmitida aos nativos era a ideia de como a Igreja concebia o sacrif\u00edcio \u00fanico da cruz como o \u00fanico ritual e a \u00fanica maneira de alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o por meio da dor e do sofrimento, representados na imagem de Cristo e sua crucifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas representa\u00e7\u00f5es de vida, morte, nascimento, batismo, casamento etc. s\u00e3o toda a estrutura da narrativa cat\u00f3lica que eles queriam impor. A morte e o derramamento de sangue, na vis\u00e3o de mundo ind\u00edgena, t\u00eam uma enorme dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cren\u00e7as do catolicismo, porque, enquanto para o guerreiro nativo ela simboliza uma oferenda a ser compartilhada com os esp\u00edritos e a comunidade, ou um ritual de honra que resulta em um novo come\u00e7o, para a Igreja Cat\u00f3lica, a morte \u00e9 percebida como uma oferenda a ser compartilhada com os esp\u00edritos e a comunidade, ou um ritual de honra que resulta em um novo come\u00e7o, para a Igreja Cat\u00f3lica, a morte \u00e9 vista como um evento repleto de repulsa e medo pelo fim da exist\u00eancia de um ser, e incerteza sobre o destino e a salva\u00e7\u00e3o de sua alma individual, que eles acreditam que s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada por meio da aceita\u00e7\u00e3o do Evangelho e dos sacramentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa aceita\u00e7\u00e3o do Evangelho foi instalada nos locais erguidos ao redor da par\u00f3quia, juntamente com as v\u00e1rias pr\u00e1ticas de aprendizado mec\u00e2nico que garantiram a internaliza\u00e7\u00e3o das novas cren\u00e7as na mente dos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Todas as manh\u00e3s, ao amanhecer, eles se reuniam nos cantos das aldeias, onde haviam sido colocadas imagens ou cruzes, e l\u00e1 recitavam e cantavam o que haviam aprendido no catecismo, convenientemente traduzido para seus idiomas; tamb\u00e9m aos domingos, toda a aldeia se reunia no \u00e1trio e, durante duas horas antes da missa paroquial, eles se lembravam ou eram instru\u00eddos em suas ora\u00e7\u00f5es. \u00c0 noite, os homens iam novamente para os cantos onde cantavam a salve e quatro ora\u00e7\u00f5es pelas almas do purgat\u00f3rio (Jaramillo, 1899: 207).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa mancha indel\u00e9vel na mem\u00f3ria das pessoas, veio a proibi\u00e7\u00e3o e a estigmatiza\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios rituais.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois que a identidade cat\u00f3lica foi acostumada a partir da catequese memorizada, a pr\u00e1tica da vida sacramental come\u00e7ou com a recep\u00e7\u00e3o do batismo como a porta de entrada indispens\u00e1vel para o caminho da evangeliza\u00e7\u00e3o. Em teoria, o ato do batismo representa uma purifica\u00e7\u00e3o da mancha do pecado original; no entanto, o verdadeiro significado do batismo implicava o renascimento de um novo ser por meio da mudan\u00e7a de sua identidade, tirando os nomes nativos que eram dados por uma for\u00e7a espiritual, de acordo com a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com a natureza, e substituindo-os pelo nome de algum santo protagonista da B\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa modifica\u00e7\u00e3o foi realizada n\u00e3o apenas para criar um novo ser religioso, mas tamb\u00e9m para apagar a chama do fogo da tulpa.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> que salvaguardava as tradi\u00e7\u00f5es e os costumes nativos e que, quando extinto \u00e0 for\u00e7a por meio da \"\u00e1gua divina\" do batismo, transformaria em cinzas o modo de vida comunit\u00e1rio ind\u00edgena. Para ser mais claro, o fogo instalado no centro de cada casa ind\u00edgena representa o cora\u00e7\u00e3o onde se pratica a oralidade e onde tamb\u00e9m se ensina o ser a se relacionar com o outro, criando um espa\u00e7o coletivo de harmonia para compartilhar, aprender e manter viva a chama da unidade nas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Ao destruir essa unidade, toda a coes\u00e3o \u00e9 perdida. O espa\u00e7o sagrado do complexo familiar \u00e9 destru\u00eddo; o sistema de relacionamentos de ajuda m\u00fatua, servi\u00e7o, confian\u00e7a e respeito \u00e9 destru\u00eddo. Dessa forma, o \u00edndio \u00e9 reduzido a um estado de pobreza, onde tudo o que \u00e9 mesquinho e ego\u00edsta em uma civiliza\u00e7\u00e3o pode germinar (Reichel Dolmatoff, 1972: 105).<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, alguns povos subjugados come\u00e7aram a rejeitar suas pr\u00f3prias tradi\u00e7\u00f5es, acreditando que, se aceitassem o novo modo de vida imposto pelos espanh\u00f3is, teriam condi\u00e7\u00f5es de vida iguais. Assim, o compartilhamento da palavra comunit\u00e1ria ao redor da fogueira do av\u00f4 foi substitu\u00eddo pela <em>sacramento da confiss\u00e3o<\/em>. Com isso, os padres for\u00e7avam os ind\u00edgenas a contar todas as suas experi\u00eancias cotidianas, fazendo-os acreditar nesse ritual cat\u00f3lico como a salva\u00e7\u00e3o de suas almas clandestinas culpadas. Nesse ritual de confiss\u00e3o, o ind\u00edgena era julgado por um exame de consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Os ind\u00edgenas que n\u00e3o sabiam espanhol ou n\u00e3o o dominavam... se confessavam com seus pecados pintados em certos caracteres para que pudessem ser entendidos, e os declaravam [...], e outros que tinham aprendido a escrever, levavam seus pecados escritos (Rengifo Bernardo, 2017: 77).<\/p>\n\n\n\n<p>Para ratificar o progresso da evangeliza\u00e7\u00e3o com o sacramento da confiss\u00e3o, foi desenvolvido um confession\u00e1rio traduzido para o idioma chibcha com perguntas mais detalhadas relacionadas \u00e0 vida cotidiana:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Voc\u00ea j\u00e1 ofereceu pequenos cobertores, pepitas de algod\u00e3o, esmeraldas, ouro, moque, mi\u00e7angas ou qualquer outra coisa, e como? Voc\u00ea j\u00e1 derramou prata na boca dos mortos ou qualquer outra coisa em seus t\u00famulos? Quando voc\u00ea perde alguma coisa ou ela lhe \u00e9 roubada, voc\u00ea j\u00e1 procurou um feiticeiro para pedi-la? Voc\u00ea j\u00e1 bebeu tabaco ou o bebeu para encontr\u00e1-la? Quando voc\u00ea v\u00ea p\u00e1ssaros, corujas, raposas, rolinhas, abutres, pardais, ratos, focinhos ou outros animais chorando ou gritando na sua frente, voc\u00ea j\u00e1 acreditou que algo bom ou ruim vai acontecer com voc\u00ea? (Rengifo Bernardo, 2017: 76).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, os povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m foram obrigados a trair os seus pr\u00f3prios, denunciando aqueles que mantinham os antigos costumes originais, o que gerou conflitos dentro da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, para completar seu objetivo desorientador, as novas autoridades espirituais regidas pelo direito real e can\u00f4nico europeu consideraram o ritual da uni\u00e3o ind\u00edgena (casorio) como a celebra\u00e7\u00e3o ancestral mais amea\u00e7adora para seu prop\u00f3sito de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora esse ritual de uni\u00e3o entre um homem e uma mulher fosse praticado em ambas as culturas, foi conveniente para a Igreja, em seu ato de evangeliza\u00e7\u00e3o, rejeitar o direito ancestral de uni\u00e3o livre praticado pelos homens ao longo de seus mil\u00eanios de sabedoria. Em algumas culturas nativas, os chefes se caracterizavam por ter mais de uma mulher como esposa, o que os tornava pecadores aos olhos da Igreja. A poligamia era a desculpa perfeita para estabelecer o sacramento do matrim\u00f4nio por meio do rito cat\u00f3lico. Com base nas novas leis espanholas de dom\u00ednio territorial e espiritual, era proibido que os ind\u00edgenas se casassem com mais de uma mulher, ainda mais sem antes serem batizados. Consequentemente, foi criado um contrato de casamento por escrito no qual a uni\u00e3o s\u00f3 seria v\u00e1lida se celebrada por mediadores que representassem a Igreja Cat\u00f3lica (os padres).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Os padres devem cuidar para que a noiva, o noivo e os padrinhos venham \"enfeitados e tragam suas velas e oferendas ao padre, e que no dia do casamento a igreja seja enfeitada com flores e outras coisas\". Antes de cas\u00e1-los, ele cuidar\u00e1 para que se confessem e, depois de casados, explicar\u00e1 a eles a santidade do casamento e suas obriga\u00e7\u00f5es (Vel\u00e1zquez, 1899: 170).<\/p>\n\n\n\n<p>No final, foi essa \u00faltima lei de prote\u00e7\u00e3o da Igreja Evang\u00e9lica que foi a arma definitiva do etnoc\u00eddio em favor dos espanh\u00f3is. O casamento cat\u00f3lico foi criado para punir os av\u00f3s ind\u00edgenas daquela \u00e9poca por usarem seus m\u00e9dicos tradicionais (Th\u00ea Wala) para praticar seus pr\u00f3prios rituais, como a uni\u00e3o de um casal, n\u00e3o perante Deus, mas perante a natureza.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mem\u00f3ria em a\u00e7\u00e3o: resgate de um casamento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">O objetivo foi manter a mem\u00f3ria de uma hist\u00f3ria, recriar valores e pr\u00e1ticas culturais, despertar o enraizamento no territ\u00f3rio, a valoriza\u00e7\u00e3o da medicina tradicional, o respeito pelas autoridades e estruturas organizacionais, recuperar a valoriza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua NasaYuwe e fortalecer a capacidade de di\u00e1logo com outros povos e a apropria\u00e7\u00e3o consciente de elementos culturais externos que fortalecem o Plano de Vida (Lazio Regione, 2010: 147).<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o estabelecimento das leis que ditaram a consagra\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o de casais sob os c\u00e2nones cat\u00f3licos, o povo Nasa n\u00e3o o fez de outra forma, um costume que nunca foi realmente pr\u00f3prio de suas ra\u00edzes. \u00c9 por isso que hoje, dentro do processo de resist\u00eancia, eles querem restaurar o significado espiritual desse ritual de casamento, reintegrando o valor e o respeito pelas autoridades espirituais dentro da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e, assim, erradicar qualquer tipo de estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o proveniente da cultura ocidental em seu projeto hegem\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, a Lei da Origem \u00e9 o principal elemento da vida da Nasa, que ensina os fundamentos da integra\u00e7\u00e3o entre todos os seres e nosso relacionamento com a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Quando sustentamos a origem do povo Nasa, voltamos ao passado, \u00e0 mem\u00f3ria guardada no cora\u00e7\u00e3o de nossos Th\u00ea Walas (mayoras (es), aos nossos mitos, e vemos que nossa origem \u00e9 semelhante \u00e0 de outros povos ind\u00edgenas e outras culturas que se baseiam no matriarcado, na mesma igualdade e no respeito aos seres que nos cercam (esp\u00edritos, plantas, animais, minerais): tamb\u00e9m temos uma forma integral de ver o mundo, onde tudo \u00e9 coletivo e onde a vida \u00e9 gerada pela integra\u00e7\u00e3o de dois seres: a mulher e o homem (Lazio Regione, 2010: 220).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, dentro da natureza da vida, a base principal do equil\u00edbrio comunit\u00e1rio \u00e9 o complemento entre as energias feminina e masculina. \u00c9 por isso que, para a Nasa, no casamento ind\u00edgena, o papel da mulher e o do homem s\u00e3o de igual import\u00e2ncia. Para a Igreja Cat\u00f3lica, entretanto, a origem da cria\u00e7\u00e3o baseia-se exclusivamente em um esfor\u00e7o puramente masculino e individual, dando uma orienta\u00e7\u00e3o patriarcal n\u00e3o apenas \u00e0 sua origem, mas a todas as suas cren\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de seus ensinamentos, a f\u00e9 cat\u00f3lica impregnou a sociedade com um sentimento machista, fazendo com que as mulheres, ao longo da hist\u00f3ria, fossem exclu\u00eddas de qualquer tipo de participa\u00e7\u00e3o significativa na vida, e considera a uni\u00e3o de dois seres (mulher e homem) como uma sociedade de esp\u00edrito mercantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">O casamento \u00e9 um reflexo da vida trinit\u00e1ria, o pai, o filho e o esp\u00edrito santo, e isso representa a base da sociedade... o casamento \u00e9 o pacto que \u00e9 feito no casamento de Cristo com a igreja, o marido \u00e9 o representante da igreja e a esposa \u00e9 a pr\u00f3pria igreja, de tal forma que \u00e9 um pacto em que os c\u00f4njuges prometem um ao outro amor, fidelidade e respeito (Vel\u00e1zquez, 1899: 173).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, na religi\u00e3o cat\u00f3lica, as mulheres nunca s\u00e3o levadas em considera\u00e7\u00e3o como o elemento indispens\u00e1vel da cria\u00e7\u00e3o, e Deus, em todas as suas representa\u00e7\u00f5es, \u00e9 visto como o \u00fanico exemplo de comunidade na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ensinamentos dados por um padre aos casais que desejam se unir por meio do rito matrimonial cat\u00f3lico, apesar de sua principal tarefa ser form\u00e1-los em certos valores por meio da catequese, n\u00e3o t\u00eam valor espiritual, pois s\u00e3o uma prepara\u00e7\u00e3o de meses imposta como obriga\u00e7\u00e3o pela Igreja, baseada em contratos e promessas vazias que os impedem de perceber a uni\u00e3o espiritual como um fluxo natural do cora\u00e7\u00e3o. Como consequ\u00eancia dessas obriga\u00e7\u00f5es implantadas, \u00e9 gerada uma inconsci\u00eancia nos atos que acaba quebrando qualquer promessa de alian\u00e7a eterna, dando origem ao desrespeito, \u00e0 infidelidade e \u00e0 falta de valores comunit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O detalhe: o casamento \u00e9 minga<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Deve-se enfatizar que um ind\u00edgena Nasa que cede o papel de guia a um sacerdote abandona seus princ\u00edpios espirituais e exclui suas verdadeiras autoridades tradicionais, os Th\u00ea Wala. Como resultado, ele acaba adotando v\u00e1rios dos componentes do casamento ocidental baseados no consumismo, no individualismo, na hipocrisia etc., quest\u00f5es que v\u00e3o contra a cosmovis\u00e3o e s\u00e3o um obst\u00e1culo ao desenvolvimento do plano de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na busca por esse resgate, \u00e9 importante mencionar todos os nossos elementos primordiais para exercer a autonomia em meio \u00e0s leis da suposta justi\u00e7a cristalizada nas leis que n\u00e3o os reconhecem como povo. Para isso, devemos levar em conta que as leis que regem o direito \u00e0 sobreviv\u00eancia est\u00e3o completamente desvinculadas de qualquer outra norma ou lei estabelecida por agentes externos, neste caso, a religi\u00e3o, por meio da Lei 001, foram consagradas as diretrizes para o casamento ind\u00edgena, de modo que as uni\u00f5es ind\u00edgenas sejam praticadas sob esses novos rituais, lembrando todo o esp\u00edrito do povo Nasa na consagra\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o da fam\u00edlia de forma tradicional. Esse processo representa um avan\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 autonomia como um povo que a constitui\u00e7\u00e3o nacional promove e que o povo Nasa pratica sem a necessidade de qualquer media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 o trabalho coletivo na Minga que organiza os preparativos para o casamento em um distanciamento da individualidade que permeia todo o casamento cat\u00f3lico. Nesse caso, \u00e9 a comunidade que se prepara para a nova uni\u00e3o e n\u00e3o exclusivamente as duas pessoas que s\u00e3o os protagonistas desse evento. Al\u00e9m disso, as alian\u00e7as e os arras s\u00e3o substitu\u00eddos por tecidos (chumbos, mochilas, anacos e chap\u00e9us) e s\u00e3o, para essa celebra\u00e7\u00e3o, o que fortalece a comunidade em uma gratificante tarefa de costumes e novas hist\u00f3rias que direcionam seus passos para a consolida\u00e7\u00e3o de seu plano de vida de acordo com a lei de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei de origem da cosmovis\u00e3o ind\u00edgena da Nasa ensina que duas correntes de ar - uma masculina e outra feminina - flutuam pelo cosmos, colidindo uma com a outra, e conseguem mostrar a complementaridade que o homem e a mulher oferecem um ao outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, com caracter\u00edsticas diferentes em suas formas e capacidades, eles se complementam para viver como uma fam\u00edlia, e \u00e9 a natureza e a harmonia desse confronto que permite a uni\u00e3o sagrada.<\/p>\n\n\n\n<p>A representa\u00e7\u00e3o do mito de origem dos av\u00f3s (UMA e TAY) se concretiza na celebra\u00e7\u00e3o do casamento, que \u00e9 praticada com a orienta\u00e7\u00e3o de um Th\u00ea Wala ou m\u00e9dico tradicional, e a mastiga\u00e7\u00e3o da folha de coca \u00e0 noite se torna o cen\u00e1rio no qual os esp\u00edritos sagrados dos Nasa convergem para limpar o caminho que essa uni\u00e3o tomar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao amanhecer, a nova not\u00edcia n\u00e3o demora a chegar, a permiss\u00e3o espiritual que autoriza o casal a se unir se manifesta na natureza e, ao mesmo tempo, os preparativos para o casamento aumentam o alimento para toda a comunidade. Por um lado, a casa do pensamento Nasa (nasa yat) \u00e9 o local de celebra\u00e7\u00e3o e for\u00e7a e, por outro, o fogo da Tulpa em brasa \u00e9 a testemunha que d\u00e1 as boas-vindas ao casal e ao seu povo para o resgate desse casamento ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Ebert e Nancy s\u00e3o os protagonistas desse evento que marca a hist\u00f3ria do povo ind\u00edgena Nasa, e s\u00e3o seus padrinhos Noe e Esnea, como um casal de lutadores e l\u00edderes do processo de resist\u00eancia ind\u00edgena das \u00faltimas d\u00e9cadas, que est\u00e3o guiando esse novo processo.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo senso de unifica\u00e7\u00e3o formalizado pela uni\u00e3o das equipes de comando e autogoverno do casal n\u00e3o \u00e9 mais apenas um cap\u00edtulo sem precedentes na hist\u00f3ria da Nasa ind\u00edgena, mas uma realidade apoiada por um ato emanado da autoridade pol\u00edtica e espiritual, o cabildo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, fazer com o cora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de fazer com a cabe\u00e7a, faz parte da cosmovis\u00e3o da Nasa. \u00c9 o fundamento de fazer mais do que pensar, de saber que cada ato nasce do sentimento e da ritualidade da renova\u00e7\u00e3o e da harmoniza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de um discurso ortodoxo que ignora o verdadeiro sentimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Novas narrativas, novas pr\u00e1ticas: hist\u00f3ria e pedagogia em imagens<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">\u00c9 pertinente destacar que o contato, por mais sutil que seja, com a modernidade e a globaliza\u00e7\u00e3o dentro e fora das popula\u00e7\u00f5es, levou ao fen\u00f4meno da acultura\u00e7\u00e3o para todas as comunidades nativas, e os Nasa Paez n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o. Apesar do fato de a oralidade ser mantida viva nas fam\u00edlias ind\u00edgenas, a mem\u00f3ria intacta \u00e9 sempre alterada quando a pr\u00e1tica dos usos e costumes \u00e9 abandonada.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a falta de pr\u00e1tica de suas tradi\u00e7\u00f5es, elas se tornam um elemento sujeito a mudan\u00e7as ao longo do tempo; assim, a tradi\u00e7\u00e3o do casamento como um ritual de uni\u00e3o acaba sendo uma forma de v\u00ednculo entre duas pessoas que tamb\u00e9m sofre modifica\u00e7\u00f5es, e assim a antropologia visual se torna um estudo fundamental nesses processos de atualiza\u00e7\u00e3o de conhecimento, mem\u00f3ria e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 importante ter em mente que, para fortalecer a restaura\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e do tecido espiritual, \u00e9 apropriado adotar certos elementos culturais externos, como as artes visuais, desde que funcionem como uma ferramenta para continuar construindo espa\u00e7os para a educa\u00e7\u00e3o em seu pr\u00f3prio direito.<\/p>\n\n\n\n<p>O registro visual tem a fun\u00e7\u00e3o de mostrar toda a riqueza cultural que foi esquecida, tendo como objetivo o resgate da mem\u00f3ria coletiva, n\u00e3o s\u00f3 dentro da comunidade Nasa, mas para o benef\u00edcio de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">A fotografia ap\u00f3ia e sustenta projetos de pesquisa, educa\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o e defesa dos ind\u00edgenas dentro e fora das institui\u00e7\u00f5es... \u00c9 uma quest\u00e3o de investigar novos temas e inaugurar novas vis\u00f5es e consci\u00eancias. O in\u00e9dito refere-se a uma faceta da identidade nacional (Ram\u00edrez Casta\u00f1eda, 2001: 122).<\/p>\n\n\n\n<p>Este documento servir\u00e1 para ensinar visualmente \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es de ind\u00edgenas da Nasa como as cerim\u00f4nias de casamento devem estar de acordo com a cosmovis\u00e3o, analisando o verdadeiro valor espiritual da uni\u00e3o de duas pessoas para o seu bem-estar e crescimento, bem como a verdadeira import\u00e2ncia de assumir essa responsabilidade de caminhar juntos como uma fam\u00edlia, contribuindo para a sobreviv\u00eancia do povo ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Levando em conta que, para o Nasa, a uni\u00e3o e a fam\u00edlia representam um elemento indispens\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia da comunidade, o principal objetivo de resgatar essa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar a partir do cora\u00e7\u00e3o para retornar \u00e0 espiritualidade e, como resultado, iniciar o caminho para a completa dissocia\u00e7\u00e3o do que, para a religi\u00e3o cat\u00f3lica e o Estado colombiano, constitui o ritual da uni\u00e3o de um homem e uma mulher.<\/p>\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/ia801404.us.archive.org\/6\/items\/vol2-num3-imgs\/tabla-5.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"922x1042\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 1. Diferencias entre un ritual de matrimonio cat\u00f3lico y un casorio ind\u00edgena nasa\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ia801404.us.archive.org\/6\/items\/vol2-num3-imgs\/tabla-5.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 1. 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XXXII, n\u00fam. 4.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rengifo Lozano, Bernardo (2007). <em>Naturaleza y Etnocidio. <\/em>Bogot\u00e1: Tercer Mundo Editores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vel\u00e1zquez, E. Rafael (1899). <em>Estructura y acci\u00f3n evangelizadora de la orden franciscana en hispanoam\u00e9rica<\/em>. Paraguay.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este documento tem como objetivo mostrar o marco hist\u00f3rico no qual, por um lado, se desenvolve o produto audiovisual produzido pelo Aica Colectivo sobre o resgate do casorio ind\u00edgena e, por outro, tra\u00e7ar a rota de consolida\u00e7\u00e3o do conhecimento gerado pelo povo ind\u00edgena Nasa, em um exerc\u00edcio que permite delimitar as dist\u00e2ncias culturais que hoje est\u00e3o presentes no resto das culturas do pa\u00eds. Este trabalho tem como objetivo esbo\u00e7ar a hist\u00f3ria do povo ind\u00edgena Nasa Paez, um povo do territ\u00f3rio ancestral de Tierradentro, Cauca-Col\u00f4mbia, cuja l\u00edngua materna \u00e9 o Nasaywe, uma comunidade em constante resist\u00eancia e em uma luta para forjar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria seguindo os passos de seus ancestrais.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[394,398,396,395,397],"coauthors":[551],"class_list":["post-30959","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-11","tag-casorio","tag-costumbres","tag-rituales","tag-union-familiar-indigena","tag-usos","personas-munoz-ruiz-alejandra","personas-leguizamon-mateo","numeros-362"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Nasa Phtamnx\u00fbu. 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