{"id":30954,"date":"2019-03-21T15:10:40","date_gmt":"2019-03-21T15:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30954"},"modified":"2023-11-17T18:59:40","modified_gmt":"2023-11-18T00:59:40","slug":"prensa-comunitaria-guatemala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/prensa-comunitaria-guatemala\/","title":{"rendered":"Pesquisa social e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no contexto da viol\u00eancia. Reflex\u00f5es sobre minha experi\u00eancia com a Community Press na Guatemala."},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Ap\u00f3s o genoc\u00eddio da d\u00e9cada de 1980 e o processo de paz na Guatemala, foi iniciado um processo de desapropria\u00e7\u00e3o territorial vinculado \u00e0 atividade de ind\u00fastrias extrativas e megaprojetos. A resposta foi a mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades afetadas, que se tornou o eixo da organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e antineoliberal no pa\u00eds, \u00e0 qual o Estado respondeu com a deslegitima\u00e7\u00e3o, a repress\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes ativistas e das autoridades comunit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, um grupo de ativistas me convidou a participar de um projeto pol\u00edtico para acompanhar essas comunidades por meio de an\u00e1lise, dissemina\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. O mesmo contexto for\u00e7ou o projeto a se tornar uma iniciativa de comunica\u00e7\u00e3o alternativa - Imprensa Comunit\u00e1ria - e a\u00e7\u00f5es contra a criminaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste texto, reflito sobre minha experi\u00eancia nesse espa\u00e7o e nesse processo como um caso de uso pol\u00edtico da profiss\u00e3o de pesquisador social. Examino os desafios e as possibilidades dos processos em que as ci\u00eancias sociais s\u00e3o transpostas para ferramentas de a\u00e7\u00e3o comunicativa e jur\u00eddica, e mostro as tens\u00f5es que estavam presentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/comunidades\/\" rel=\"tag\">comunidades<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/despojo\/\" rel=\"tag\">desapropria\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/guatemala\/\" rel=\"tag\">Guatemala<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/investigacion-colaborativa\/\" rel=\"tag\">pesquisa colaborativa<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">Pesquisa social e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em contextos de viol\u00eancia: reflex\u00f5es sobre minha experi\u00eancia com a imprensa comunit\u00e1ria na Guatemala<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Ap\u00f3s o genoc\u00eddio e o processo de paz da Guatemala na d\u00e9cada de 1980, um protocolo de confisco de terras territoriais foi promulgado em conjunto com atividades da ind\u00fastria extrativa e megaprojetos. A resposta foi a mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades afetadas, que se tornou um eixo para a organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia ind\u00edgena e antineoliberal em todo o pa\u00eds. O Estado respondeu com deslegitima\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o dos ativistas, l\u00edderes e autoridades da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Nesse contexto, um grupo de ativistas me convidou para iniciar um projeto de acompanhamento pol\u00edtico nessas comunidades usando an\u00e1lise, difus\u00e3o e reflex\u00e3o. O pr\u00f3prio contexto obrigou o projeto a acabar sendo uma iniciativa de comunica\u00e7\u00e3o alternativa - uma \"imprensa comunit\u00e1ria\" - e tamb\u00e9m se traduziu em a\u00e7\u00f5es contra a criminaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Reflito sobre minha experi\u00eancia nesse espa\u00e7o e processo, como um caso de uso do trabalho do pesquisador social para fins pol\u00edticos. Revisito os desafios e as possibilidades que os processos das ci\u00eancias sociais implicam quando se tornam ferramentas para atos comunicativos e legais, bem como exemplos de tens\u00f5es que surgiram durante meu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Guatemala, comunidades, desapropria\u00e7\u00e3o, pesquisa coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">Em um trabalho recente, Gustavo Lins Ribeiro (2018) pediu um maior envolvimento das ci\u00eancias sociais na sociedade que estudamos e da qual fazemos parte. A quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os cientistas sociais e a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 de forma alguma uma quest\u00e3o nova ou resolvida, mas a situa\u00e7\u00e3o atual exige que repensemos nossas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Soma-se a isso a provoca\u00e7\u00e3o vinda dos mesmos sujeitos sociais subalternos historicamente pesquisados - os povos ind\u00edgenas, no meu caso -, tanto da pol\u00edtica (Segato, 2015) quanto da pr\u00f3pria academia (Cumes, 2008; Ramos, 2018), que est\u00e1 questionando e modificando as formas e os objetivos de nosso trabalho - especialmente aqueles de n\u00f3s que trabalham com e sobre grupos politicamente organizados -, for\u00e7ando-nos a pensar sobre a pesquisa social a partir de estruturas e processos que os incorporam como sujeitos com plenos direitos nas atividades de pesquisa e gera\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo, quero contribuir para esse debate compartilhando minha experi\u00eancia como parte do coletivo que criou a Prensa Comunitaria na Guatemala, para refletir sobre as possibilidades que as ci\u00eancias sociais e nosso trabalho como pesquisadores podem oferecer para a atividade pol\u00edtica, bem como as limita\u00e7\u00f5es e os problemas dessa a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vou contar toda a hist\u00f3ria desse coletivo, nem seria poss\u00edvel mostrar aqui o n\u00famero de atividades, din\u00e2micas e rela\u00e7\u00f5es que eles colocaram em movimento; apenas apresentarei reflex\u00f5es baseadas em parte do meu trabalho no coletivo entre 2011 e 2016, para mostrar os dilemas, problemas e propostas que surgiram durante minha participa\u00e7\u00e3o nesse projeto.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, este texto faz parte de - e deve muito a - uma s\u00e9rie de trabalhos que buscam refletir sobre as ci\u00eancias sociais com base em uma etnografia contextualizada de nossas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es como pesquisadores.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O contexto e o problema: a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica comunit\u00e1ria na Guatemala<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A entrada das comunidades ind\u00edgenas no processo de questionamento geral foi um dos elementos que abalou o regime militar instalado na Guatemala desde a interven\u00e7\u00e3o da CIA em 1954. Longe das narrativas triunfalistas que subsumiam essa incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras ou que colocavam os povos ind\u00edgenas \"entre dois fogos\" (Stoll, 1993), est\u00e1 cada vez mais claro que essa incorpora\u00e7\u00e3o maci\u00e7a dos maias ao movimento revolucion\u00e1rio na segunda metade da d\u00e9cada de 1970 (Arias, 1985) foi o resultado de uma din\u00e2mica de transforma\u00e7\u00e3o e politiza\u00e7\u00e3o do altiplano maia guatemalteco (Vela, 2011), que respondeu ao tipo de moderniza\u00e7\u00e3o que lhe foi imposto.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> A incorpora\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o era a \u00fanica forma de buscar participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; havia tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o eleitoral em n\u00edvel nacional e municipal, bem como em organiza\u00e7\u00f5es culturais, camponesas e cooperativas. Mas o importante \u00e9 que, a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1970, as comunidades deixaram de ser o sujeito pol\u00edtico da mobiliza\u00e7\u00e3o, e a iniciativa passou para as organiza\u00e7\u00f5es nacionais (Bastos, 2015a), fossem elas o Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena, o partido Frente de Integra\u00e7\u00e3o Nacional (FIN) ou uma das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias (Falla, 1978, Cojt\u00ed, 1997; Uk'ux Be', 2005). Embora essa atividade revolucion\u00e1ria tenha sido o exemplo mais radical da entrada dos ind\u00edgenas na modernidade (Le Bot, 1992), as formas e l\u00f3gicas comunit\u00e1rias foram fundamentais para a mobiliza\u00e7\u00e3o (McAllsiter, 2003; Bastos e Camus, 2003; Vela, 2011; Palencia, 2015; Tzul, 2016).<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O genoc\u00eddio do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, que dizimou 400 aldeias, causou um milh\u00e3o de deslocados e a maioria dos 200.000 mortos no conflito (CEH, 1999), foi o resultado da combina\u00e7\u00e3o da doutrina de seguran\u00e7a nacional com o medo e o desprezo racistas (Casaus, 2008; Sanford, 2003). O conflito encerrou essa fase de mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena na Guatemala, transformando as comunidades no objeto central da viol\u00eancia atroz e desumana e, em seguida, submetendo-as \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o e ao controle que desarmou os \u00f3rg\u00e3os comunit\u00e1rios em meio a uma atmosfera de medo, divis\u00e3o interna e desconfian\u00e7a que durou 15 anos (Zur, 1998).<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo era que o \"regime civil\", inaugurado em 1985-1986 sob controle militar (Schirmer, 2000), n\u00e3o envolvesse as comunidades ind\u00edgenas que haviam colocado em xeque toda a estrutura do poder olig\u00e1rquico. Entretanto, os maias organizados aproveitaram os poucos espa\u00e7os abertos a eles e a din\u00e2mica do processo de paz entre 1991 e 1996 para ressurgir como um \"movimento maia\" que exigia direitos como povo e um lugar no espa\u00e7o pol\u00edtico. Por meio de sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e gra\u00e7as ao apoio da comunidade internacional, esse ator ind\u00edgena unificado conseguiu garantir que a paz assinada em 1996 inclu\u00edsse um Acordo sobre Identidade e Direitos dos Povos Ind\u00edgenas (AIDPI) que reconhecia a discrimina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas povos ind\u00edgenas da Guatemala: Maya, Xinka e Gar\u00edfuna, aos quais foi reconhecida uma s\u00e9rie de direitos culturais e alguns direitos pol\u00edticos (Cojt\u00ed 1997; Bastos e Camus 2003).<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa mobiliza\u00e7\u00e3o se baseou na ideia de criar um sujeito, o povo maia, a partir de uma identidade \"pan-maia\" que superaria a divis\u00e3o pol\u00edtico-cultural produzida pelos 23 idiomas e pelas poderosas identidades locais-comunit\u00e1rias - que eram consideradas o resultado da divis\u00e3o imposta pelos colonizadores (Warren, 1998; Fisher e Brown, 1996). Foi esse povo unificado que reivindicou do Estado guatemalteco os direitos a que tinha direito como povo nativo. Por esse motivo, a din\u00e2mica pol\u00edtica continuou a privilegiar os atores nacionais, agora coordena\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que se assumiam e agiam como maias (Bastos e Camus, 2003). As comunidades foram fundamentais como apoio, fornecendo l\u00edderes e ativistas e apoiando-os quando necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, a t\u00e3o sonhada paz n\u00e3o trouxe tranquilidade a esses espa\u00e7os, pois os acordos de paz foram, em sua maioria, engavetados, e uma inser\u00e7\u00e3o no mercado global foi promovida por meio de pol\u00edticas neoliberais (Guerra Borges, 2011) que trouxeram descampesiniza\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos, viol\u00eancia, farsa eleitoral e corrup\u00e7\u00e3o a essas comunidades que estavam apenas emergindo da militariza\u00e7\u00e3o e da decomposi\u00e7\u00e3o interna (Camus, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em meio a tudo isso, come\u00e7aram a ocorrer processos de recomposi\u00e7\u00e3o das l\u00f3gicas e institui\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, como forma de curar feridas e recuperar espa\u00e7os de conviv\u00eancia.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> Pr\u00e1ticas de direito comunit\u00e1rio maia (Esquit e Ochoa, 1998; Sieder e Flores, 2011), de espiritualidade com a ajuda de guias espirituais (Morales, 2004), de autogoverno com a ajuda de prefeituras ind\u00edgenas - timidamente reconhecidas pelo C\u00f3digo Municipal de 2003 - e dos Comit\u00eas de Desenvolvimento Comunit\u00e1rio - que haviam sido criados para controlar essa capacidade comunit\u00e1ria - come\u00e7aram a tomar forma (Ochoa, 2013).<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> Tudo isso era agora proposto como uma forma de exercer e construir na pr\u00e1tica os direitos humanos e os direitos ind\u00edgenas pelos quais vinham lutando e que eram proclamados na nova \"democracia\". Nessa rearticula\u00e7\u00e3o, foram muito importantes os l\u00edderes e ativistas que, depois de terem participado da pol\u00edtica nacional que agora entrava em colapso, retornaram \u00e0s suas comunidades, em muitos casos como autoridades (Bastos, 2015b). Mas o mais importante foi a recupera\u00e7\u00e3o, pela popula\u00e7\u00e3o, dessas l\u00f3gicas, atividades e rela\u00e7\u00f5es sociais oriundas de sua experi\u00eancia hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo de rearticula\u00e7\u00e3o foi fundamental, pois a oligarquia viu os megaprojetos e as atividades extrativistas como uma oportunidade de renovar as bases econ\u00f4micas de seu poder. Especialmente desde 2004, a pol\u00edtica econ\u00f4mica da Guatemala tem se dedicado a apoiar investimentos em minera\u00e7\u00e3o, energia hidrel\u00e9trica e agrocombust\u00edveis (Solano, 2005; Yagenova, 2012). Diante da amea\u00e7a que essas atividades representavam para o pouco espa\u00e7o e os bens comuns que lhes restavam e para a vida comunit\u00e1ria que estavam apenas come\u00e7ando a reconstruir, surgiram grupos nessas comunidades que estavam em processo de rearticula\u00e7\u00e3o e responderam confrontando-os e recusando-se a permitir que operassem em seu territ\u00f3rio. A maneira pela qual essa capacidade e decis\u00e3o foram expressas foi por meio de consultas comunit\u00e1rias de boa-f\u00e9, nas quais as comunidades demonstraram sua rejei\u00e7\u00e3o a essas atividades com base na Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT, na Constitui\u00e7\u00e3o e no c\u00f3digo municipal. Essas consultas come\u00e7aram em Sipakapa, departamento de San Marcos, em 2005, contra a expans\u00e3o da Mina Marlin (van der Sandt, 2009; Revenga, 2005), estenderam-se a Huehuetenango em 2006 (M\u00e9rida e Krenmayr, 2008) e, em 2011, foram realizadas consultas em cerca de 70 munic\u00edpios em todo o pa\u00eds (Prensa Comunitaria, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>O que chamou a aten\u00e7\u00e3o nessas consultas n\u00e3o foi tanto sua dissemina\u00e7\u00e3o, mas a resposta: onde quer que tenham sido realizadas, a participa\u00e7\u00e3o foi maci\u00e7a e incluiu mulheres e crian\u00e7as (M\u00e9rida e Kremayr, 2008; Castillo, 2010; Camus, 2010; Rasch, 2012). Essa capacidade de convoca\u00e7\u00e3o se deveu ao fato de que elas foram realizadas de acordo com os procedimentos e l\u00f3gicas da comunidade, e que as autoridades dessas comunidades - reconstitu\u00eddas, rec\u00e9m-reconhecidas ou tradicionais - foram encarregadas de realiz\u00e1-las (Trentavizzi e Cahuec, 2012). Dessa forma, essa institucionalidade comunit\u00e1ria no processo de renova\u00e7\u00e3o adquiriu um papel pol\u00edtico fundamental como intermedi\u00e1ria com o capital e o Estado e como unificadora da din\u00e2mica interna (Tzul, 2016); ao mesmo tempo, garantiu uma mobiliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua contra as empresas que se instalaram nos territ\u00f3rios comunit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em um contexto em que os atores nacionais - organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, camponesas e revolucion\u00e1rias - haviam se esgotado e se desmobilizado ap\u00f3s a miragem da paz e do multiculturalismo (Bastos, 2013), essas comunidades mobilizadas em defesa de seus territ\u00f3rios e de suas vidas tomaram a iniciativa da pol\u00edtica popular, ind\u00edgena e antineoliberal. A partir delas, foram desencadeados processos de articula\u00e7\u00e3o regional (Castillo, 2010) e as organiza\u00e7\u00f5es anteriores que sobreviveram politicamente foram as que se juntaram a essa mobiliza\u00e7\u00e3o, cedendo o protagonismo \u00e0s autoridades comunit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma proposta de trabalho de pesquisa com e para comunidades<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Nesse contexto, em 2011, fui convidada por Quimy de Le\u00f3n, uma feminista guatemalteca com ampla experi\u00eancia no movimento social, para participar do M\u00e9xico na implementa\u00e7\u00e3o de um projeto\/processo de acompanhamento e apoio a essas comunidades que estavam se organizando contra a desapropria\u00e7\u00e3o territorial.<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> O objetivo era apoiar essas comunidades mobilizadas porque acredit\u00e1vamos que elas estavam envolvidas em processos participativos e desenvolviam formas de organiza\u00e7\u00e3o que poderiam contribuir muito para o futuro da Guatemala neoliberal do p\u00f3s-guerra em que est\u00e1vamos vivendo. Quer\u00edamos implementar um processo\/projeto centrado nessas comunidades e organiza\u00e7\u00f5es que estavam no centro da mobiliza\u00e7\u00e3o, cujo trabalho deveria servir de insumo para seu processo, mas tamb\u00e9m de onde a a\u00e7\u00e3o deveria partir.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de nossas respectivas experi\u00eancias na academia, em ONGs ou em outras organiza\u00e7\u00f5es, os membros do coletivo pensaram que a l\u00f3gica da pesquisa deveria partir dos pr\u00f3prios sujeitos pol\u00edticos, sem procurar suplant\u00e1-los, mas sim nos colocando a servi\u00e7o deles. Nesse sentido, e sem ser nosso prop\u00f3sito, essa experi\u00eancia fez parte dos esfor\u00e7os para alcan\u00e7ar metodologias colaborativas na rela\u00e7\u00e3o com os sujeitos pol\u00edticos (Leyva, Speed e Burguete, 2008; Rappaport, 2015; Leyva, Speed e Burguete, 2008). <em>et al.<\/em>, 2015). Evidentemente, havia uma contradi\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca no fato de que tudo isso partia de nossa iniciativa e n\u00e3o dessas comunidades como sujeitos pol\u00edticos. Tentamos resolv\u00ea-la com base nos contatos que tivemos em comunidades e coletivos, com os quais procuramos fazer algo semelhante \u00e0 \"antropologia sob demanda\" proposta por Segato (2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de v\u00e1rias tentativas de estabelecer uma din\u00e2mica de pesquisa-a\u00e7\u00e3o, essa rela\u00e7\u00e3o pr\u00e9via com atores e processos nos permitiu localizar tr\u00eas locais marcados por conflitos decorrentes da presen\u00e7a de atividades extrativistas, onde realizamos pesquisas sobre a mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria em oposi\u00e7\u00e3o a essa desapropria\u00e7\u00e3o. Esses lugares foram San Juan Sacatep\u00e9quez, um munic\u00edpio Kaqchikel pr\u00f3ximo \u00e0 capital, onde uma f\u00e1brica de cimento estava sendo constru\u00edda desde 2005; Barillas, uma localidade Q'anjob'al e mesti\u00e7a no norte de Huehuetenango, onde, em 2008, a empresa espanhola Hidro Santa Cruz instalou uma usina hidrel\u00e9trica; e o vale do rio Polochic, onde as comunidades Q'eqchi foram deslocadas pela empresa Chabil Utzaj para plantar cana-de-a\u00e7\u00facar. Nos tr\u00eas casos, a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria foi recebida com repress\u00e3o, viol\u00eancia e criminaliza\u00e7\u00e3o pelo Estado, o que permitiu que as empresas atacassem as comunidades com impunidade (Bastos e de Le\u00f3n, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de nossas inten\u00e7\u00f5es, tratava-se, em grande parte, de uma pesquisa tradicional, realizada por pesquisadores de fora da comunidade, mas, desde o in\u00edcio, o foco do trabalho estava nas vers\u00f5es locais do que aconteceu, obtidas das pessoas diretamente envolvidas na defesa do territ\u00f3rio. Depois de muitas vicissitudes, o trabalho foi conclu\u00eddo e publicado um ano depois do planejado com o t\u00edtulo <em>Din\u00e1micas de despojo y resistencia en Guatemala. Comunidades, Estado y empresas<\/em> (Bastos e De Le\u00f3n, 2014)<em>.<\/em><a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a> O livro foi publicado como um produto do que, na \u00e9poca, decidimos chamar de \"Equipe de Comunica\u00e7\u00e3o e An\u00e1lise Colibr\u00ed Zurdo\".<a class=\"anota\" id=\"anota10\" data-footnote=\"10\">10<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia de participar desse coletivo, desse projeto e dessas tarefas significou uma mudan\u00e7a em minha trajet\u00f3ria como pesquisador. Eu havia trabalhado ao lado e acompanhado mobiliza\u00e7\u00f5es populares - especificamente ind\u00edgenas - em trabalhos acad\u00eamicos que poderiam ser considerados colaborativos, mas sempre a partir da minha posi\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma como pesquisador. Agora havia uma diferen\u00e7a: eu n\u00e3o agia mais como um pesquisador que colaborava com o sujeito em luta, mas sim como um pesquisador que havia se envolvido na luta. <em>como parte dela.<\/em> Foi um trabalho pol\u00edtico realizado por um ator que se assumiu como parte dessa mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, eu tamb\u00e9m n\u00e3o fazia parte dela totalmente. Minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica foi o que me levou at\u00e9 l\u00e1, mas o fato de ser um acad\u00eamico homem, branco, branco e estrangeiro fez de mim o s\u00edmbolo daquilo contra o que meus colegas estavam lutando. Eles ancoravam suas ra\u00edzes identit\u00e1rias - pessoais e pol\u00edticas - em lutas e em um credo que mais tarde eu viria a conhecer e compartilhar, mas a partir de outras bases pessoais e ideol\u00f3gicas. Na equipe, t\u00ednhamos consci\u00eancia dessas diferen\u00e7as e procur\u00e1vamos us\u00e1-las como parte da riqueza do nosso trabalho. A vigil\u00e2ncia epistemol\u00f3gica e pol\u00edtica \u00e0 qual minhas contribui\u00e7\u00f5es foram submetidas foi uma verdadeira experi\u00eancia de aprendizado para mim, tanto na concep\u00e7\u00e3o das metodologias quanto na interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados. Mas isso n\u00e3o impediu o surgimento de tens\u00f5es sobre pontos de vista e formas de abordar problemas, rela\u00e7\u00f5es com o restante da disciplina popular e a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de trabalho em equipe.<a class=\"anota\" id=\"anota11\" data-footnote=\"11\">11<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impacto da criminaliza\u00e7\u00e3o em Huehuetenango<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em 2012, quando come\u00e7amos a trabalhar na pesquisa, aconteceu algo que foi fundamental para a din\u00e2mica da mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria na Guatemala e mudou nossos planos de trabalho: o general aposentado Otto P\u00e9rez Molina assumiu a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, consolidando a pol\u00edtica de apoio \u00e0s empresas extrativistas por meio da repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o de qualquer forma de descontentamento, mobiliza\u00e7\u00e3o e defesa de direitos, que foi respondida com repress\u00e3o direta e militariza\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtica (Cabanas, 2012; Colibr\u00ed Zurdo, 2013).<a class=\"anota\" id=\"anota12\" data-footnote=\"12\">12<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Barillas, o local onde est\u00e1vamos investigando, localizado na \u00e1rea de Q'anjob'al, foi um dos locais onde essa estrat\u00e9gia tomou forma. Em 1\u00ba de maio de 2012, um campon\u00eas foi morto pelo agente de seguran\u00e7a da empresa Hidro Santa Cruz, e dois outros ativistas que o acompanhavam ficaram feridos. Barillas estava no meio da feira titular e a raiva popular levou um grupo a invadir o destacamento militar e deter o respons\u00e1vel. O presidente declarou estado de s\u00edtio e, antes do amanhecer, cerca de 260 policiais e 370 militares (OHCHR, 2012: 3) chegaram \u00e0 cidade e, durante tr\u00eas dias, fizeram o povo de Barillas reviver os piores momentos da repress\u00e3o da d\u00e9cada de 1980: buscas, militariza\u00e7\u00e3o, listas negras. Como resultado, nove l\u00edderes comunit\u00e1rios e autoridades foram detidos e imediatamente levados para a capital, e um n\u00famero n\u00e3o especificado deles fugiu para as montanhas para evitar o mesmo destino.<a class=\"anota\" id=\"anota13\" data-footnote=\"13\">13<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Esses eventos foram um precedente para o que aconteceria em outros lugares nos quatro anos seguintes. Diante da mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade, o Estado guatemalteco n\u00e3o hesitou em usar seu repert\u00f3rio repressivo: mortes, sequestros, militariza\u00e7\u00e3o, desaparecimentos, impunidade (Rivera e De Le\u00f3n, 2018). Desde o in\u00edcio dessa fase, o processo criminal foi a forma de repress\u00e3o mais utilizada em um contexto que n\u00e3o era muito prop\u00edcio \u00e0 viol\u00eancia extrema. Essa estrat\u00e9gia, usada em toda a Am\u00e9rica Latina (Composto e Navarro, 2014), busca desmobilizar as comunidades e os grupos organizados por meio do medo e do atrito, e exige a colabora\u00e7\u00e3o direta das autoridades de seguran\u00e7a e justi\u00e7a para implementar processos criminais que s\u00e3o falhos e ilegais desde o in\u00edcio.<a class=\"anota\" id=\"anota14\" data-footnote=\"14\">14<\/a> Sua import\u00e2ncia em termos de processos de mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria nos levou a prestar aten\u00e7\u00e3o especial a ela, com a ideia de entend\u00ea-la e sua l\u00f3gica. Desde os eventos em Barillas em 2012, j\u00e1 hav\u00edamos denunciado que os l\u00edderes detidos eram presos pol\u00edticos (De Le\u00f3n e Gonz\u00e1lez, 2012). Posteriormente, foram exploradas formas h\u00edbridas de apresenta\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o entre a academia, a pol\u00edtica e a comunica\u00e7\u00e3o, como o texto <em>As vozes do rio<\/em> (Colibr\u00ed Zurdo, 2014), que reconstruiu a hist\u00f3ria da organiza\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o em Barillas por meio das vozes dos perseguidos pol\u00edticos, e o <em>Relat\u00f3rio sobre persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Barillas<\/em> (Colibr\u00ed Zurdo, 2013; De Le\u00f3n, 2018), que buscou analisar a forma como os eventos ocorreram e estavam ocorrendo nesse local.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a criminaliza\u00e7\u00e3o de autoridades e ativistas em Barillas fez com que a equipe, para manter o esp\u00edrito do projeto, tivesse que mudar seu foco e objetivo. Como diz De Marinis (2017: 11), a viol\u00eancia nos obriga a considerar um \"para qu\u00ea\" que exige respostas concretas e, nesse caso, havia duas. Por um lado, o v\u00ednculo entre os membros da equipe e os presos os colocava no papel de intermedi\u00e1rios entre as fam\u00edlias e o processo criminal que se iniciava. Eles foram fundamentais na conex\u00e3o com advogados e organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, enviando informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o dos prisioneiros e apoiando visitas de Barillas, a mais de 12 horas de dist\u00e2ncia. Esse foi o in\u00edcio de um trabalho em rela\u00e7\u00e3o aos processos judiciais que se desenvolveu nos anos seguintes em lit\u00edgios estrat\u00e9gicos, campanhas pela liberta\u00e7\u00e3o de prisioneiros e colabora\u00e7\u00e3o com advogados, como veremos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ficou clara a necessidade de informa\u00e7\u00f5es verdadeiras sobre o que estava acontecendo em Barillas e com os prisioneiros, pois a m\u00eddia escrita, radiof\u00f4nica e televisiva contava vers\u00f5es imprecisas e parciais, muitas vezes com a clara inten\u00e7\u00e3o de transformar os membros da comunidade em criminosos, a fim de facilitar a face jur\u00eddico-pol\u00edtica da repress\u00e3o (Korol e Longo, 2009; de Le\u00f3n, 2018). Assim, com base na experi\u00eancia de alguns dos membros da equipe de comunica\u00e7\u00e3o alternativa, nos dias seguintes aos eventos descritos acima, foi criado o site Barillasresiste! que publicava informa\u00e7\u00f5es provenientes da \u00e1rea, o andamento dos processos judiciais e artigos de opini\u00e3o. Diante da generaliza\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o em todo o pa\u00eds - com o massacre no Alasca como ponto culminante,<a class=\"anota\" id=\"anota15\" data-footnote=\"15\">15<\/a> e em acordo com as autoridades e l\u00edderes de Huehuetenango, em dezembro daquele ano, o site Prensa Comunitaria apareceu publicamente como um meio de divulgar as diferentes formas de resist\u00eancia que estavam ocorrendo no pa\u00eds e, acima de tudo, de denunciar o ass\u00e9dio ao qual estavam sendo submetidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A comunica\u00e7\u00e3o no centro da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O surgimento da Prensa Comunitaria como uma ag\u00eancia de not\u00edcias administrada por um coletivo significou que o foco e o foco de nosso trabalho mudaram da mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da comunidade para as formas de repress\u00e3o contra elas, e a forma de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mudou da pesquisa para a comunica\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota16\" data-footnote=\"16\">16<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Novas pessoas se juntaram \u00e0 equipe, jovens que deram apoio em diferentes tarefas, e uma rede de comunicadores comunit\u00e1rios foi formada, geralmente jovens envolvidos nos processos de luta em suas comunidades, que representavam e representam melhor do que ningu\u00e9m o trabalho com e das comunidades que pretend\u00edamos desde o in\u00edcio. Dessa forma, formou-se uma \"comunidade pol\u00edtico-afetiva\" (De Marinis, 2017: 17), que em grande parte se estendeu aos membros das organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, especialmente nas \u00e1reas de Q'anjob'al e Q'eqchi.<\/p>\n\n\n\n<p>A base do trabalho de informa\u00e7\u00e3o foi a mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade e a criminaliza\u00e7\u00e3o com a qual as empresas e o Estado responderam; mas o trabalho se expandiu para outros espa\u00e7os e quest\u00f5es (desde o julgamento de R\u00edos Montt por genoc\u00eddio at\u00e9 os dias de protesto contra a corrup\u00e7\u00e3o, e levou \u00e0 ren\u00fancia do vice-presidente e do presidente do pa\u00eds em 2015) com base em uma rede de colaboradores que enviaram artigos de opini\u00e3o, relat\u00f3rios ou not\u00edcias, links com a m\u00eddia em outros pa\u00edses e o uso de v\u00e1rias m\u00eddias digitais (WordPress, Facebook, e-mail, Twitter).<\/p>\n\n\n\n<p>A Prensa Comunitaria se tornou o espa\u00e7o que deu forma \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es com a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que deram origem ao nosso projeto, e a comunica\u00e7\u00e3o passou a ser o trabalho b\u00e1sico do coletivo. Entendida como uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ela abriu espa\u00e7o para muitos tipos de a\u00e7\u00f5es e campos de incid\u00eancia: o documento <em>Quem somos<\/em> fala de jornalismo comunit\u00e1rio, feminismo, direitos humanos, lit\u00edgio estrat\u00e9gico, mem\u00f3ria e justi\u00e7a, sistematiza\u00e7\u00e3o e pesquisa social, arte, curtas-metragens e ilustra\u00e7\u00e3o (Prensa Comunitaria, n.d.: 3-19). Em outras palavras, uma gama de possibilidades que derivam do desejo de transformar a a\u00e7\u00e3o comunicativa, baseada na pesquisa, em a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 por isso que n\u00e3o fingimos ser neutros, fomos conscientemente tendenciosos, porque as outras vers\u00f5es j\u00e1 eram dadas pela m\u00eddia corporativa.<a class=\"anota\" id=\"anota17\" data-footnote=\"17\">17<\/a> Essa postura n\u00e3o estava em desacordo com o rigor na verifica\u00e7\u00e3o das fontes e no tratamento das quest\u00f5es: a realidade era mostrada de tal forma que n\u00e3o precisava ser for\u00e7ada. Com tenacidade e perseveran\u00e7a, com base no trabalho volunt\u00e1rio em meio \u00e0 precariedade do trabalho e da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos membros da equipe na Guatemala, a Prensa Comunitaria gradualmente conquistou um espa\u00e7o para si mesma e ganhou reconhecimento entre a m\u00eddia e os atores pol\u00edticos na Guatemala.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, essa a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m teve seus custos. V\u00e1rios membros da equipe tiveram que sofrer press\u00e3o, viol\u00eancia e criminaliza\u00e7\u00e3o por parte do governo e das empresas.<a class=\"anota\" id=\"anota18\" data-footnote=\"18\">18<\/a> Mas n\u00e3o s\u00f3 isso; fazer parte do assunto tamb\u00e9m nos fez participar de seus conflitos e contradi\u00e7\u00f5es internos. Quando a equipe da Prensa Comunitaria se tornou um ator na arena pol\u00edtica no norte de Huehuetenango, rarefeita e tensa ap\u00f3s o estado de s\u00edtio em Barillas, a din\u00e2mica interna desse espa\u00e7o afetou o trabalho: n\u00e3o pudemos apresentar o livro <em>Din\u00e2mica de desapropria\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia<\/em> nem na cidade de Huehuetenango nem em Barillas, devido ao boicote organizado por parte de um setor do movimento social. Desde 2013, j\u00e1 havia rumores, desqualifica\u00e7\u00f5es, sil\u00eancios e agress\u00f5es verbais que se tornaram um verdadeiro ass\u00e9dio para os membros da equipe na capital, especialmente Quimy de Le\u00f3n e a fot\u00f3grafa Cristina Chiqu\u00edn. Aqueles cujos interesses hav\u00edamos tocado aproveitaram a desconfian\u00e7a e as suspeitas deixadas pela clandestinidade e pela repress\u00e3o entre o sujeito pol\u00edtico popular para destruir amizades de longa data, acabar com espa\u00e7os de coordena\u00e7\u00e3o e provocar dist\u00farbios emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas mudan\u00e7as tiveram um impacto no meu trabalho na equipe. A dist\u00e2ncia f\u00edsica j\u00e1 havia dificultado a minha participa\u00e7\u00e3o no trabalho investigativo, e agora era muito mais dif\u00edcil participar do jornalismo cotidiano. Eu participava da edi\u00e7\u00e3o de textos e entrevistava pessoas via Skype que ligavam de suas comunidades para relatar casos de viol\u00eancia ou criminaliza\u00e7\u00e3o. Dessa forma, pude acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da luta e da repress\u00e3o em Barillas, a viol\u00eancia em Alta Verapaz e a impunidade judicial em v\u00e1rias partes do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso n\u00e3o escondeu o fato de que eu estava cada vez mais distante dos fatos sobre os quais estava trabalhando. Se a pesquisa social se baseia no papel de testemunha (De Marinis, 2017: 18), eu achava cada vez mais dif\u00edcil fazer o trabalho de um pesquisador: o conhecimento direto da realidade social sobre a qual eu estava refletindo estava me distanciando, e isso diminu\u00eda minha capacidade de analisar em profundidade e usar minha experi\u00eancia e conhecimento. Isso dificultou minha contribui\u00e7\u00e3o para o trabalho de an\u00e1lise e reflex\u00e3o, que havia se acelerado com essa nova estrutura metodol\u00f3gica, e para as atividades de pesquisa que ainda restavam. Havia aqui uma quest\u00e3o contradit\u00f3ria e agridoce, pois, ao mesmo tempo, a presen\u00e7a e o papel dos comunicadores comunit\u00e1rios significavam que est\u00e1vamos trabalhando com base no conhecimento e na vers\u00e3o direta que nos era dada pelos pr\u00f3prios sujeitos mobilizados: eles eram os etn\u00f3grafos, aqueles que forneciam as diretrizes para a compreens\u00e3o dos processos, aproximando-nos de um de nossos objetivos iniciais. A partir da\u00ed, foi realizado o trabalho de sistematiza\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, gostaria de me deter em uma das tarefas que tive de assumir nesse novo formato: tive de escrever artigos de destaque durante quatro anos. Em geral, eram textos anal\u00edticos em vez de artigos de opini\u00e3o, resultado de trabalho em equipe: os argumentos eram baseados em fatos de primeira m\u00e3o coletados pelos comunicadores, e o assunto era discutido e debatido. Era um formato novo para mim, no qual as exig\u00eancias de concis\u00e3o e poder comunicativo eram colocadas acima ou ao lado do rigor e da profundidade da an\u00e1lise. O meio provou ser um meio que n\u00e3o s\u00f3 possibilitou ser lido muito al\u00e9m dos canais acad\u00eamicos habituais, mas tamb\u00e9m forneceu uma sa\u00edda para outras formas de express\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade: a indigna\u00e7\u00e3o era frequentemente o gatilho para a escrita.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00e3o legal em um processo criminal<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Como eu disse anteriormente, diante dessa criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto social, a Prensa Comunitaria n\u00e3o atuou apenas como uma ag\u00eancia que priorizou essas quest\u00f5es. Al\u00e9m disso, v\u00e1rias atividades pol\u00edticas foram e continuam sendo realizadas: campanhas pela liberta\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos, apoio a iniciativas como os Festivais de Solidariedade e contato com a m\u00eddia internacional. Nesse contexto, uma nova frente de trabalho foi aberta em colabora\u00e7\u00e3o com advogados no processo criminal de ativistas e autoridades. Desde os casos dos nove l\u00edderes de Barillas em 2012, trabalhamos com alguns deles, em comunica\u00e7\u00e3o com suas fam\u00edlias, com os pr\u00f3prios presos e no planejamento de estrat\u00e9gias. Com o passar do tempo, o trabalho foi sistematizado, com a elabora\u00e7\u00e3o de campanhas de informa\u00e7\u00e3o e den\u00fancia como parte das propostas estrat\u00e9gicas de lit\u00edgio dos advogados e o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es sobre os casos e seu contexto que os advogados normalmente n\u00e3o tinham.<a class=\"anota\" id=\"anota19\" data-footnote=\"19\">19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o afetou o norte de Huehuetenango de forma muito concreta, onde a mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o parou com os eventos de maio de 2012. O julgamento das pessoas detidas em maio de 2012 terminou com sua liberta\u00e7\u00e3o sem acusa\u00e7\u00e3o oito meses depois (Bastos <em>et al<\/em>., 2015). A press\u00e3o continuou em Barillas e se espalhou para os munic\u00edpios vizinhos de Santa Eulalia e San Mateo Ixtat\u00e1n, onde tamb\u00e9m foram abertos projetos hidrel\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio de 2013, uma segunda onda de repress\u00e3o come\u00e7ou com a pris\u00e3o frustrada do l\u00edder Maynor L\u00f3pez, que foi finalmente preso em setembro de 2014, o que, em ambos os casos, levou a uma mobiliza\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o norte de Huehuetenango que for\u00e7ou o governo central a negociar acordos em setembro de 2013 que nunca foram cumpridos (Bastos, 2016a). Nesse contexto, tomou forma o Governo Plurinacional da Na\u00e7\u00e3o Q'anjob'al, Chuj, Akateka, Popti' e Mestiza, formado por autoridades comunit\u00e1rias das localidades dos oito munic\u00edpios do norte do departamento. Seu n\u00facleo era o setor organizado a partir de Santa Eul\u00e1lia - que sempre foi aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o a outras formas de organiza\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o -, liderado na \u00e9poca por Daniel Pedro e Rigoberto Ju\u00e1rez, e apoiado pelas autoridades espirituais da regi\u00e3o, com seu discurso de respeito e apoio \u00e0 cultura nativa.<a class=\"anota\" id=\"anota20\" data-footnote=\"20\">20<\/a> Sem nunca perder o relacionamento com outras op\u00e7\u00f5es, foi com elas que a Community Press trabalhou mais diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, j\u00e1 havia acusa\u00e7\u00f5es contra Francisco Juan Pedro, Sotero Adalberto Villatoro e Arturo Pablo Juan pela deten\u00e7\u00e3o de trabalhadores da Hidro Santa Cruz em 22 de abril de 2013 no local conhecido como Poza Verde, em Barillas, onde havia sido montado um protesto pac\u00edfico contra a usina hidrel\u00e9trica. Eles tentaram prend\u00ea-los em 23 de janeiro de 2014 no Centro de Administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a (CAJ) em Santa Eul\u00e1lia, mas algumas pessoas se opuseram, e por esses atos eles tamb\u00e9m foram acusados quando foram presos em 27 de fevereiro de 2015. Isso abriu uma nova fase de persegui\u00e7\u00e3o que continuou em 24 de mar\u00e7o, quando Rigoberto Ju\u00e1rez e Domingo Baltasar foram presos por fatos que tamb\u00e9m ocorreram no CAJ de Santa Eulalia ap\u00f3s a deten\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o de dois moradores de Pojom, San Mateo Ixtat\u00e1n, em 19 de janeiro daquele ano. Em 3 de junho, Bernardo Ermita\u00f1o L\u00f3pez Reyes tamb\u00e9m foi preso pelos eventos de 23 de janeiro do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em meados de 2015, muitas das autoridades comunit\u00e1rias envolvidas na defesa do territ\u00f3rio Q'anjob'al foram presas, por meio de uma a\u00e7\u00e3o criminal conduzida pela Promotoria de Direitos Humanos do Minist\u00e9rio P\u00fablico; um paradoxo que mostra bem o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os jur\u00eddicos nesses casos.<a class=\"anota\" id=\"anota21\" data-footnote=\"21\">21<\/a> Apesar de os fatos pelos quais foram acusados terem ocorrido de maneiras diferentes, os delitos pelos quais foram levados a julgamento eram semelhantes para todos eles: deten\u00e7\u00f5es ilegais, coer\u00e7\u00e3o, amea\u00e7as, instiga\u00e7\u00e3o para cometer um crime e impedimento de acusa\u00e7\u00e3o. (Trechos da senten\u00e7a: 13). Al\u00e9m disso, todos eles tamb\u00e9m haviam sido acusados de sequestro ou rapto, mas a a\u00e7\u00e3o da equipe de defesa conseguiu que isso fosse descartado em outubro de 2015. Apesar disso, a liberdade provis\u00f3ria lhes foi negada, como era seu direito.<a class=\"anota\" id=\"anota22\" data-footnote=\"22\">22<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>As visitas aos detidos na Cidade da Guatemala, a cobertura das audi\u00eancias dos casos, o apoio aos familiares quando viajavam para a capital se repetiram, refor\u00e7ando o papel dos intermedi\u00e1rios e os la\u00e7os pessoais com eles. Por isso, e por seu conhecimento do ambiente e do processo, a Prensa Comunitaria colaborou de v\u00e1rias maneiras com a equipe de advogados, membros da Associa\u00e7\u00e3o de Advogados Maias, do CPO e do Escrit\u00f3rio de Advocacia de Direitos Humanos.<a class=\"anota\" id=\"anota23\" data-footnote=\"23\">23<\/a> As campanhas foram elaboradas com base na ideia de lit\u00edgio estrat\u00e9gico, os contatos foram facilitados e as informa\u00e7\u00f5es foram fornecidas sempre que necess\u00e1rio.<a class=\"anota\" id=\"anota24\" data-footnote=\"24\">24<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a Prensa Comunitaria insistiu com os advogados sobre a necessidade de relat\u00f3rios de especialistas que mostrassem como os detentos agiram em sua capacidade como autoridades comunit\u00e1rias. Isso levou a solicitar \u00e0 soci\u00f3loga k'iche' Gladys Tzul um relat\u00f3rio pericial a esse respeito, dado seu trabalho sobre formas pol\u00edticas em comunidades maias na Guatemala (2015; 2016). Al\u00e9m disso, eles nos pediram, como Imprensa Comunit\u00e1ria, que os apoi\u00e1ssemos com um parecer especializado sobre o contexto de conflito em que as pris\u00f5es ocorreram, e coube a mim faz\u00ea-lo. Essa foi minha experi\u00eancia mais direta e pessoal nessa faceta das atividades da Imprensa Comunit\u00e1ria dentro do mundo judicial. Devido ao est\u00e1gio do processo, minha participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi considerada oficialmente como \"testemunho de especialista\", mas como um \"relat\u00f3rio de testemunha especialista\". Isso me permite esclarecer que, embora minha participa\u00e7\u00e3o pudesse ser vista como uma testemunha especializada, ela serviu para \"fornecer um meio de prova que permite esclarecer um fato ou circunst\u00e2ncia considerada obscura\" (Valladares, 2012: 11); n\u00e3o uma testemunha especializada antropol\u00f3gica ou cultural, que fornece \"informa\u00e7\u00f5es ao juiz sobre a import\u00e2ncia da diferen\u00e7a cultural na compreens\u00e3o de um caso espec\u00edfico\" (<em>idem<\/em>). Nesse sentido, participei mais como uma \"testemunha\", algu\u00e9m que conhecia muito bem um aspecto considerado necess\u00e1rio para que esse tribunal pudesse fazer justi\u00e7a: o contexto em que os eventos em julgamento ocorreram. Esse conhecimento foi obtido por meio da equipe da Community Press.<\/p>\n\n\n\n<p>O conte\u00fado do documento a ser apresentado ao Tribunal foi definido com a equipe da Community Press e em conversas com o advogado \u00c9dgar P\u00e9rez. Ele foi constru\u00eddo usando dois eixos combinados: por um lado, a desapropria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de recursos e trabalho, atualizada na fase que est\u00e1 sendo julgada, e, por outro, a forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e as a\u00e7\u00f5es das autoridades comunit\u00e1rias na \u00e1rea de Q'anjob'al, insistindo assim no papel hist\u00f3rico dessa institucionalidade comunit\u00e1ria com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desapropria\u00e7\u00e3o. <a class=\"anota\" id=\"anota25\" data-footnote=\"25\">25<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Dessa forma, os ladinos, que at\u00e9 ent\u00e3o mal estavam presentes, entraram totalmente na \u00e1rea Q'anjob'al, como propriet\u00e1rios ou gerentes das fazendas de caf\u00e9 estabelecidas e como representantes do Estado que agora est\u00e1 muito presente na \u00e1rea. Eles ocuparam as posi\u00e7\u00f5es de poder nos munic\u00edpios, deslocando os Q'anjob'ales para posi\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e for\u00e7ando-os a se tornarem uma estrutura paralela, de onde organizam o governo da comunidade a partir do que agora ser\u00e1 chamado de Principales. Essa figura continua com as tarefas de governo interno, agora com um papel muito importante de intermedi\u00e1rio com o Estado nacional, que pela primeira vez est\u00e1 localizado dentro da mesma localidade, articulando duas esferas de legalidade (Bastos, 2016a: 5).<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito gerado na \u00e1rea de Q'anjob'al pela presen\u00e7a de usinas hidrel\u00e9tricas foi entendido dentro da estrutura latino-americana de extrativismo (Seoane, 2012) e acumula\u00e7\u00e3o por desapropria\u00e7\u00e3o (Harvey, 2004) e, especificamente, o fim do conflito na Guatemala (Bastos e De Le\u00f3n, 2014). Essa reconstru\u00e7\u00e3o incluiu a mobiliza\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios da \u00e1rea, os conflitos que ocorreram com a chegada das diferentes empresas e os processos de acusa\u00e7\u00e3o criminal de cada um dos prisioneiros julgados. Tudo isso foi feito com base nas not\u00edcias coletadas na Prensa Comunitaria, complementadas por outras m\u00eddias, se dispon\u00edveis. Portanto, o n\u00facleo dessa especializa\u00e7\u00e3o estava no trabalho coletivo realizado desde 2012 pelas equipes locais em colabora\u00e7\u00e3o com a equipe central. Com base nessas evid\u00eancias, podemos concluir que os atuais prisioneiros foram presos em situa\u00e7\u00f5es em que estavam fazendo seu trabalho como autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Ap\u00f3s a assinatura do acordo de paz, as empresas hidrel\u00e9tricas estiveram presentes em Barillas, Santa Eulalia e na \u00e1rea norte de San Mateo Ixtat\u00e1n em diferentes momentos, sem respeitar os resultados das consultas comunit\u00e1rias que haviam sido realizadas anteriormente nesses munic\u00edpios. Em todos os casos, elas iniciaram suas atividades com enganos e recorreram \u00e0 intimida\u00e7\u00e3o, \u00e0 press\u00e3o e \u00e0 coopta\u00e7\u00e3o, de modo que as autoridades comunit\u00e1rias cumpriram seu papel de porta-vozes do descontentamento, exerceram o papel de lideran\u00e7a e foram mediar quando houve conflitos com o pessoal da empresa para evitar problemas maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eles n\u00e3o eram compreendidos pelas empresas e pelo Estado ladino, e prevalecia uma vis\u00e3o preconceituosa de seu papel. Por todas essas raz\u00f5es, tornaram-se alvo da estrat\u00e9gia de persecu\u00e7\u00e3o criminal que as empresas implementaram em conjunto com agentes judiciais. Apesar disso, as comunidades organizadas e suas autoridades sempre buscaram os canais da legalidade e do di\u00e1logo com os diferentes representantes do Estado para resolver as situa\u00e7\u00f5es de conflito, repress\u00e3o e divis\u00e3o comunit\u00e1ria que haviam sido criadas com a chegada dessas empresas (Bastos, 2016a: 24-25).<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso significava dar forma jur\u00eddica ao argumento da \"mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria\" que estava no centro do trabalho do coletivo desde sua cria\u00e7\u00e3o, com base no trabalho colaborativo com as comunidades por meio de seus comunicadores. Al\u00e9m disso, a necessidade de ordenar a enorme quantidade de fatos que constitu\u00edam o conflito gerado pelas barragens hidrel\u00e9tricas exigiu a busca de uma l\u00f3gica - como sempre acontece nos processos de sistematiza\u00e7\u00e3o - que nos permitisse avan\u00e7ar na compreens\u00e3o dos processos de desapropria\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A experi\u00eancia da Community Press, um exemplo de pesquisa como a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Este breve resumo n\u00e3o faz justi\u00e7a a tudo o que aconteceu nesses cinco anos, nem \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o, \u00e0 criatividade e ao profissionalismo da equipe da Community Press. Mostrei apenas alguns dos elementos de minha participa\u00e7\u00e3o no processo, a fim de refletir sobre o papel e as possibilidades das ci\u00eancias sociais no contexto de viol\u00eancia e desapropria\u00e7\u00e3o generalizada em que vivemos, mas tamb\u00e9m sobre os problemas que surgem e as limita\u00e7\u00f5es desse tipo de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que poderia ser dita, na minha opini\u00e3o, \u00e9 que a experi\u00eancia da Community Press \u00e9 outro exemplo de como as ci\u00eancias sociais podem fazer muito se sa\u00edrem do nicho acad\u00eamico. Isso n\u00e3o significa condenar o espa\u00e7o acad\u00eamico, mas complement\u00e1-lo, transcend\u00ea-lo, ir al\u00e9m de treinar pessoas para serem acad\u00eamicas e escrever artigos que somente os acad\u00eamicos ler\u00e3o. Como j\u00e1 foi feito em muitas outras ocasi\u00f5es (Leyva <em>et al<\/em>., 2015), estou falando de usar nossas capacidades e aprendizado - nossa vontade intr\u00ednseca de conhecer e desvendar, o rigor metodol\u00f3gico, as estruturas e os conceitos - para intervir nos processos sociais por meio de a\u00e7\u00f5es que, como a comunica\u00e7\u00e3o ou o jur\u00eddico, s\u00e3o entendidas com metas e objetivos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a pr\u00e1tica e o significado da pesquisa s\u00e3o enriquecidos, transformados de forma criativa e adquirem capacidade cr\u00edtica sobre sua pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o. Essa forma de utilizar as ci\u00eancias sociais fora do espa\u00e7o acad\u00eamico complementa, enriquece e d\u00e1 sentido ao trabalho que realizamos, colaborando com resultados concretos e palp\u00e1veis al\u00e9m daqueles obtidos por meio da academia. Trabalhar dentro da disciplina pol\u00edtica e colocar o conhecimento e o know-how que adquirimos a servi\u00e7o de disciplinas fora da academia nos permite ampliar os espa\u00e7os e as express\u00f5es do trabalho de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer o valor da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento. Se, no campo da pol\u00edtica, \"a inova\u00e7\u00e3o te\u00f3rica vem da pr\u00e1tica\", esse acompanhamento pelas ci\u00eancias sociais pode ser muito \u00fatil para ambos os lados: \"o ponto de encontro entre a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sua an\u00e1lise \u00e9 um ponto extremamente f\u00e9rtil para a inova\u00e7\u00e3o te\u00f3rica\" (Hale, 2008: 304). Nesse caso, a inser\u00e7\u00e3o nos processos por meio da a\u00e7\u00e3o comunicativa e jur\u00eddica permitiu a elabora\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos (Bastos e De Le\u00f3n, 2014; Bastos, 2015; 2018; Bastos <em>et al.<\/em>2015; De Le\u00f3n, 2018; Rivera e De Le\u00f3n, 2018) com base nessa vis\u00e3o da a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria; ao mesmo tempo, enriqueceu o trabalho jur\u00eddico (Bastos, 2016b) e, evidentemente, o trabalho jornal\u00edstico. Assim, ao mesmo tempo em que eu enriquecia minhas habilidades anal\u00edticas, os membros da comunidade com os quais colabor\u00e1vamos tamb\u00e9m se apropriavam de t\u00e9cnicas, conceitos e formas de an\u00e1lise das ci\u00eancias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho em equipe sempre foi cheio de tens\u00f5es, idas e vindas e, \u00e0s vezes, conflitos, como j\u00e1 contei. Mas ter de confrontar vis\u00f5es e estruturas acad\u00eamicas com outras matrizes mais politizadas e, principalmente, com as dos atores sobre os quais escrevemos, foi um desafio que nos obrigou a ampliar essas estruturas. Da mesma forma, a voca\u00e7\u00e3o comunicativa e o uso de formatos digitais atualizados t\u00eam sido uma plataforma para a dissemina\u00e7\u00e3o de discuss\u00f5es e estruturas de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso n\u00e3o \u00e9 novo, j\u00e1 existe toda uma tradi\u00e7\u00e3o de formas de pesquisa ativas, participativas, engajadas e colaborativas \"sob demanda\" que t\u00eam feito isso (consulte os tr\u00eas volumes de Leyva <em>et al.<\/em>, 2015). A especificidade dessa experi\u00eancia - em um mar de especificidades - \u00e9 que, embora no in\u00edcio tiv\u00e9ssemos a inten\u00e7\u00e3o de produzir conhecimento por meio da pesquisa social, tivemos de agir a partir de outros campos e colocar o foco na comunica\u00e7\u00e3o, de modo que a pesquisa deixou de ser o centro para ser um apoio ao trabalho comunicativo, como j\u00e1 mostrei. Era uma quest\u00e3o de transpor a t\u00e9cnica, a metodologia e os conceitos das ci\u00eancias sociais para essas outras \u00e1reas de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, como vimos, houve progresso em uma das premissas do trabalho colaborativo: a participa\u00e7\u00e3o ativa do sujeito na defini\u00e7\u00e3o dos objetivos e do escopo do processo.<a class=\"anota\" id=\"anota26\" data-footnote=\"26\">26<\/a> Das a\u00e7\u00f5es da equipe da Community Press<em>, <\/em>algumas comunidades organizadas e outros sujeitos t\u00eam se apropriado cada vez mais do projeto. Em termos de quest\u00f5es comunit\u00e1rias, desapropria\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o, o trabalho dos comunicadores comunit\u00e1rios \u00e9 cada vez mais central e tem um impacto maior nos pr\u00f3prios processos de luta.<a class=\"anota\" id=\"anota27\" data-footnote=\"27\">27<\/a> O objetivo agora seria transformar isso em um trabalho sistem\u00e1tico de an\u00e1lise social do qual eles participem no mesmo n\u00edvel e de acordo com seus objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha experi\u00eancia na Community Press tamb\u00e9m mostra os limites e conflitos dessa op\u00e7\u00e3o, como ela n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil e envolve tens\u00f5es. Hale (2008: 2) insiste que a rela\u00e7\u00e3o entre pesquisa e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 tensa e dif\u00edcil por si s\u00f3, mas que isso faz parte de sua capacidade criativa. Em contraste com a academia, a pesquisa social \u00e9 concebida e praticada como um meio para um fim pol\u00edtico e n\u00e3o como um fim em si mesmo. Isso implica quest\u00f5es t\u00e3o simples como o fato de que os tempos, os objetivos e a l\u00f3gica do processo n\u00e3o s\u00e3o mais marcados pela mera opera\u00e7\u00e3o de indagar e buscar respostas. Cada um deles tem uma leitura da atividade pol\u00edtica que afeta a din\u00e2mica. O mesmo ocorre com os conceitos - uma das bases de nosso trabalho -: seu uso ser\u00e1 avaliado por sua fun\u00e7\u00e3o e valor pol\u00edtico, e n\u00e3o anal\u00edtico. Em alguns momentos, a l\u00f3gica faccional \u00e9 imposta ao processo de pesquisa, influenciando an\u00e1lises, metodologias e atividades; em outros, a autonomia do pesquisador \u00e9 questionada.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto em que essa tens\u00e3o se manifesta \u00e9 quando a vontade de conhecer e entender os processos sociais \u00e9 mediada pela necessidade de apoi\u00e1-los. Em princ\u00edpio, n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o, pois esse apoio \u00e9 dado justamente na an\u00e1lise; mas quando estamos no n\u00edvel da comunica\u00e7\u00e3o urgente diante dos fatos, a necessidade de denunciar \u00e9 colocada acima da necessidade de compreender. \u00c0s vezes, a complexidade dos fen\u00f4menos que est\u00e3o sendo estudados n\u00e3o \u00e9 levada em conta - n\u00e3o \u00e9 importante para a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica - e os tempos nos for\u00e7am a deixar para tr\u00e1s as intui\u00e7\u00f5es e as quest\u00f5es cujo aprofundamento \u00e9 a alma da pesquisa. A consci\u00eancia da necessidade de repensar as bases conceituais do trabalho levou ao lan\u00e7amento, em 2016, de um processo de revis\u00e3o das estruturas de an\u00e1lise e compreens\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 produzindo resultados.<a class=\"anota\" id=\"anota28\" data-footnote=\"28\">28<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essas quest\u00f5es est\u00e3o por tr\u00e1s do que venho comentando ao longo deste texto e, \u00e0s vezes, a pr\u00e1tica di\u00e1ria desse relacionamento me levou a pensar que a proposta de Hale era mais uma esperan\u00e7a do que uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa, assuntos e conhecimento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Grande parte da teoriza\u00e7\u00e3o em torno de tais pr\u00e1ticas de pesquisa baseia-se na ideia de que a quebra das rela\u00e7\u00f5es de poder impl\u00edcitas nas pr\u00e1ticas acad\u00eamicas levar\u00e1 a uma rela\u00e7\u00e3o horizontal entre o pesquisador e o sujeito pol\u00edtico, e a um \"di\u00e1logo de conhecimentos\" (Santos, 2010) que enriquecer\u00e1 ambos (ver novamente Hale, 2008: 7; Rappaport, 2015: 345). Quero terminar este texto refletindo sobre essa ideia, que implica uma concep\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria da rela\u00e7\u00e3o entre o pesquisador e os \"sujeitos pol\u00edticos em luta\" (Hale, 2008). No entanto, meu trabalho na Community Press e o que escrevi aqui mostram uma realidade mais complexa nessas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para come\u00e7ar, nesse caso, em vez de um \"di\u00e1logo de conhecimento\", para descrever essa rela\u00e7\u00e3o, dever\u00edamos pelo menos falar de um \"tetralogo\", levando em conta os sujeitos envolvidos e as tens\u00f5es entre suas formas de entender o trabalho realizado. Sem entrar em muitos detalhes, pelo menos quatro sujeitos com suas pr\u00f3prias maneiras de entender e agir podem ser encontrados no processo que descrevi.<\/p>\n\n\n\n<p>Como vimos, em primeiro lugar estariam as pr\u00f3prias comunidades organizadas - especificamente os setores e atores que agem e se mobilizam politicamente - representadas, nesse caso, por l\u00edderes e autoridades da \u00e1rea de Q'anjob'al. Em seguida, haveria o coletivo que forma a Prensa Comunitaria, como parte desse sujeito pol\u00edtico com uma heran\u00e7a revolucion\u00e1ria e sediado basicamente na capital, que atua como intermedi\u00e1rio entre as comunidades e outros sujeitos pol\u00edticos, ao mesmo tempo em que se comporta como um sujeito em si mesmo. \u00c9 um sujeito muito diversificado, como pode ser visto em minha rela\u00e7\u00e3o como acad\u00eamico - o terceiro ator - com o coletivo, que n\u00e3o tem sido livre de tens\u00f5es e \u00e9 um exemplo do que acontece quando um acad\u00eamico entra para trabalhar em um coletivo definido pela a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E, finalmente, h\u00e1 os advogados como sujeitos que interv\u00eam como \"especialistas\" em processos criminais e t\u00eam sua pr\u00f3pria maneira de entender isso e o contexto pol\u00edtico em que ocorrem.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dessa complexidade, qual \u00e9 o \"sujeito pol\u00edtico\" (Hale, 2008: 3) com o qual nos relacionamos como pesquisadores sociais? Eu colaboro com \"as comunidades\" se o fizer como parte do sujeito pol\u00edtico revolucion\u00e1rio da capital, ou minha colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 com ela, ou seja, com a Prensa Comunitaria? Ou ser\u00e1 que todos n\u00f3s formamos um \u00fanico sujeito amplo, definido por uma orienta\u00e7\u00e3o anti-olig\u00e1rquica e de esquerda e pela defesa do planeta? O que vimos \u00e9 que as rela\u00e7\u00f5es entre cada um deles podem ser repletas de tens\u00f5es. Isso poderia ser complementado pelas maneiras muito diferentes com que o sujeito comunit\u00e1rio mobilizado reagiu ao nosso trabalho: quando nos tornamos parte do sujeito pol\u00edtico no norte de Huehuetenango, uma parte deles n\u00e3o nos conhecia, e as rela\u00e7\u00f5es com eles ficaram tensas a partir daquele momento, enquanto as rela\u00e7\u00f5es com o outro setor se tornaram mais pr\u00f3ximas. Por fim, as rela\u00e7\u00f5es dos advogados com o coletivo Prensa Comunitaria tamb\u00e9m foram repletas de tens\u00e3o, mal-entendidos, nega\u00e7\u00e3o e oculta\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota29\" data-footnote=\"29\">29<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso impediu o trabalho conjunto que foi feito, em grande parte porque todos n\u00f3s compartilh\u00e1vamos os entendimentos b\u00e1sicos do que est\u00e1vamos fazendo; mas mencionei isso aqui porque me parece questionar a ideia de \"di\u00e1logos\" entre dois sujeitos perfeitamente delimitados e diferenciados, com conhecimento tamb\u00e9m delimitado e diferenciado, que est\u00e1 na base de algumas abordagens da \"descoloniza\u00e7\u00e3o\" da academia. Como eu disse antes, qual \u00e9 o \"sujeito pol\u00edtico\" com o qual meu trabalho est\u00e1 relacionado? Todos os atores que apareceram fazem parte do mesmo sujeito pol\u00edtico, mas cada um deles \u00e9, por sua vez, um sujeito diferenciado, com suas pr\u00f3prias formas, que, por sua vez, podem fazer parte, com outro deles, de um sujeito espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tens\u00e3o-ambiguidade na rela\u00e7\u00e3o entre os sujeitos deve ser levada em conta. Para entend\u00ea-la, considero \u00fatil a ideia de \"alian\u00e7as cosmopol\u00edticas\", apresentada por Marisol de la Cadena.<a class=\"anota\" id=\"anota30\" data-footnote=\"30\">30<\/a> Sem entrar no car\u00e1ter ontol\u00f3gico, epist\u00eamico ou cultural das diferen\u00e7as de pensamento (Blaser, 2009), o que me interessa \u00e9 a ideia de que, para os sujeitos ind\u00edgenas, os conceitos com os quais lidamos - neste caso, poderiam ser comunidade, territ\u00f3rio, autoridade - significam o mesmo que para os ocidentais \"e algo mais\", que \u00e9 a sua pr\u00f3pria maneira de entend\u00ea-los a partir de suas ontologias, algo que \u00e9 proibido para n\u00f3s, ocidentais, a partir de nossa racionalidade. Mas, conhecendo e respeitando essa diferen\u00e7a, estabelecem-se alian\u00e7as baseadas na soma do que compartilhamos, no respeito pelo que n\u00e3o entendemos (espero n\u00e3o ter deturpado as ideias de Cadena).<\/p>\n\n\n\n<p>Aplicando isso ao nosso caso e aos m\u00faltiplos relacionamentos entre os m\u00faltiplos atores, poder\u00edamos dizer que a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica conjunta pode ser estabelecida porque h\u00e1 um n\u00facleo comum que compartilhamos entre os atores - talvez n\u00e3o um entre todos, talvez com nuances entre cada um, ou diretamente com manchas de entendimento em cada relacionamento - e, de alguma forma, tamb\u00e9m respeitamos o que n\u00e3o entendemos. Assim, essa \"alian\u00e7a cosmopol\u00edtica m\u00faltipla\" torna poss\u00edvel agir com base em interesses comuns em favor de interesses particulares, que resultam no bem comum que se busca. No entanto, essa alian\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 rompida ou enfraquecida quando esses entendimentos falham ou os interesses s\u00e3o prejudicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem complica a ideia de \"um sujeito\" com o qual n\u00f3s, acad\u00eamicos, colaboramos, o que \u00e9 <em>por si s\u00f3<\/em> diferentes de n\u00f3s mesmos, colocando em tens\u00e3o o que une e o que diferencia. Ao mesmo tempo, questiona a ideia de \"conhecimentos\" estanques que entram em rela\u00e7\u00e3o uns com os outros dentro de uma determinada estrutura e, muito mais, questiona o car\u00e1ter \"ontol\u00f3gico\" desses conhecimentos e, portanto, sua incomensurabilidade. Se as fronteiras entre um e outro s\u00e3o muito mais porosas e os limites s\u00e3o borrados na a\u00e7\u00e3o, o mesmo se aplica \u00e0s suas formas de entender e significar suas a\u00e7\u00f5es. Com base em uma ideia construcionista de significados e pr\u00e1ticas associadas (Wolf, 1987; Roseberry, 1989), as hist\u00f3rias comuns criaram significados mais ou menos comuns, com base nos pr\u00f3prios significados de cada sujeito e em seu lugar nos relacionamentos. Esses significados comuns s\u00e3o o que possibilita alian\u00e7as - sejam elas ontol\u00f3gicas ou apenas pol\u00edticas - que funcionar\u00e3o na medida em que perderem seu elemento hier\u00e1rquico, que \u00e9 o resultado de uma atitude pol\u00edtica por parte de todos os envolvidos. \u00c9 essa atitude pol\u00edtica de todas as partes que permite que as barreiras entre os campos de a\u00e7\u00e3o sejam superadas e que os elementos constituintes das ci\u00eancias sociais sejam usados em atividades que, em princ\u00edpio, n\u00e3o lhes pertencem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fechamento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Como tentei demonstrar por meio de minha experi\u00eancia, fazer \u00e9 um desafio que vale a pena, mas cuja implementa\u00e7\u00e3o sempre trar\u00e1 dificuldades e tens\u00f5es como as que descrevi ao lado das conquistas e do progresso, e que exige constante reflexividade. A busca por ci\u00eancias sociais comprometidas com seu ambiente e coerentes com uma vis\u00e3o de mundo sem hierarquias n\u00e3o deve nos fazer esquecer a advert\u00eancia de Boaventura de Sousa: \"O cientista social n\u00e3o deve diluir a sua identidade na de ativista, mas tamb\u00e9m n\u00e3o deve constru\u00ed-la sem uma rela\u00e7\u00e3o com o ativismo\" (Santos, 2003: 36). Essas palavras desafiam a ideia de uma simples transposi\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is, uma vez que o trabalho como cientista social tem seus pr\u00f3prios objetivos e mandatos, e \u00e9 a partir deles que a a\u00e7\u00e3o faz sentido. Embora isso tenha sido argumentado por outros autores (Hale, 2008; Rappaport, 2015, por exemplo), a pr\u00e1tica da pesquisa colaborativa e outras formas semelhantes exigem uma vigil\u00e2ncia epistemol\u00f3gica cont\u00ednua para manter uma atitude cr\u00edtica sobre o que nos faz estar l\u00e1, o que pode servir para manter esse papel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Arias, Arturo (1985). \u201cEl movimiento ind\u00edgena en Guatemala: 1970-1973\u201d. En Rafael Menj\u00edvar y Daniel Camacho (coords.). <em>Movimientos populares en Centroam\u00e9rica. <\/em>San Jos\u00e9, Costa Rica: Flacso\/UNU\/IIS-UNAM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bastos, Santiago (2018). \u201cDe las ciencias sociales a la comunicaci\u00f3n independiente en Guatemala. Posibilidades y l\u00edmites de la investigaci\u00f3n como actividad pol\u00edtica\u201d. 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Documento de trabajo\u201d, Ciudad de Guatemala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ramos, Alcida (2018). \u201cPor una cr\u00edtica ind\u00edgena de la raz\u00f3n antropol\u00f3gica\u201d. <em>Anales de Antropolog\u00eda, <\/em>vol. 52, n\u00fam. 1. [ <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.antro.2017.01.003\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.antro.2017.01.003<\/a>], consultado el 1 de mayo de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rappaport, Joanne (2015). \u201cM\u00e1s all\u00e1 de la observaci\u00f3n participante. La etnograf\u00eda colaborativa como innovaci\u00f3n te\u00f3rica\u201d. En Xochitl Leyva<em>et al.<\/em> <em>Pr\u00e1cticas otras de conocimientos (s). Entre crisis, entre guerras,<\/em> 3 tomos. Ciudad de M\u00e9xico: Cooperativa editorial Retos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rasch, Elizabeth (2012). \u201cTransformation in Citizenship. Local Resistance against Mining Projects in Huehuetenango (Guatemala)\u201d. <em>Journal of Developing Societies<\/em>, vol. 28, n\u00fam. 2, pp. 159-184.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Revenga, \u00c1lvaro (2005). <em>Sipakapa no se vende <\/em>(documental). Ciudad de Guatemala: Caracol Producciones.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rivera, Nelton y Quimy de Le\u00f3n (2018). \u201cRigoberto Ju\u00e1rez. La construcci\u00f3n del enemigo\u201d. <em>Comprender Guatemala desde la resistencia<\/em>. Ciudad de Guatemala: Prensa Comunitaria y FyG Editores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Roseberry, William (1989). <em>Anthropologies and Histories<\/em>. Londres&nbsp;: Rutgers University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sanford, Victoria (2003). <em>Violencia y&nbsp;genocidio&nbsp;en Guatemala<\/em>. Guatemala: F&amp;G Editores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Santos, Boaventura de Sousa (2010). <em>Descolonizar el saber, reinventar el poder.<\/em> Montevideo: Trilce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">_______________________ (2003). <em>La ca\u00edda del angelus novus: Ensayos para una nueva teor\u00eda social y una nueva pr\u00e1ctica pol\u00edtica<\/em>. Bogot\u00e1: ILSA\/ Universidad Nacional de Colombia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Schirmer, Jennifer (2000). <em>El&nbsp;proyecto&nbsp;pol\u00edtico de los&nbsp;militares&nbsp;en Guatemala<\/em>. Ciudad de Guatemala: Flacso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Segato, Rita (2015). <em>La cr\u00edtica de la colonialidad en ocho ensayos y una antropolog\u00eda por demanda<\/em>. Buenos Aires: Prometeo Libros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Seoane, Jos\u00e9 (2012). \u201cNeoliberalismo y ofensiva extractivista. Actualidad de la acumulaci\u00f3n por despojo, desaf\u00edos de Nuestra Am\u00e9rica\u201d. <em>Theomani<\/em>, n\u00fam. 26, segundo semestre. [<a href=\"http:\/\/revista-theomai.unq.edu.ar\/NUMERO%2026\/Seoane%20-%20Ofensiva%20extractivista.pdf\">http:\/\/revista-theomai.unq.edu.ar\/NUMERO%2026\/Seoane%20-%20Ofensiva%20extractivista.pdf<\/a>], consultado el 12 de noviembre de 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sieder, Rachel y Carlos Flores (2011). <em>Autoridad, autonom\u00eda y derecho ind\u00edgena en la Guatemala de posguerra<\/em>. Ciudad de Guatemala: F&amp;G Editores\/Casa Comal\/Universidad Aut\u00f3noma de Morelos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Solano, Luis (2005). <em>Guatemala: petr\u00f3leo y miner\u00eda en las entra\u00f1as del poder.<\/em> Ciudad de Guatemala: Inforpress Centroamericana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\"><a href=\"http:\/\/www.nodulo.org\/bib\/stoll\/index.htm\">Stoll<\/a>&nbsp;David (1993). <em>Entre dos fuegos en los pueblos ixiles de Guatemala<\/em>. Quito: Abya Yala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Trentavizzi, B\u00e1rbara y Eleuterio Chahuec (2012). <em>Las consultas comunitarias de buena fe y las pr\u00e1cticas ancestrales comunitarias ind\u00edgenas en Guatemala <\/em>(informe). Ciudad e Guatemala: CIRMA-OACNUDH.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Tzul, Gladys (2015). \u201cSistemas de gobierno comunal ind\u00edgena: la organizaci\u00f3n de la reproducci\u00f3n de la vida\u201d. <em>El Apantle. Revista de estudios comunitarios<\/em>, n\u00fam. 1. [<a href=\"https:\/\/kutxikotxokotxikitxutik.files.wordpress.com\/2016\/12\/el-apantle-revista-de-estudios-comunitarios-11.pdf\">https:\/\/kutxikotxokotxikitxutik.files.wordpress.com\/2016\/12\/el-apantle-revista-de-estudios-comunitarios-11.pdf<\/a>]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Tzul, Gladys (2016). <em>Sistemas de Gobierno Comunal Ind\u00edgena. Mujeres y Tramas de Parentesco en Chuimeq\u2019ena\u2019.<\/em> Ciudad de Guatemala: Editorial Maya Wuj.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Uk\u00b4u\u00b4x B\u00b4e (2005). <em>El movimiento maya: sus tendencias y transformaciones (1980-2005)<\/em>. Ciudad de Guatemala: Asociaci\u00f3n Maya Uk\u00b4u\u00b4x B\u00b4e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Valladares, Laura R. (2012). \u201cLa importancia del peritaje cultural: avances, retos y acciones del Colegio de Etn\u00f3logos y Antrop\u00f3logos Sociales AC (CEAS) para la certificaci\u00f3n de peritos\u201d.&nbsp;<em>Bolet\u00edn del Colegio de Etn\u00f3logos y Antrop\u00f3logos Sociales AC<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Van der Sandt, Jorvis (2009).&nbsp;<em>Conflictos mineros y pueblos ind\u00edgenas en Guatemala.<\/em> La Haya: CORDAID.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vela, Manolo (comp.) (2011). <em>Guatemala: La infinita historia de las resistencias<\/em>. Ciudad de Guatemala: Sepaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Waqib\u2019 Kej (2012). Estado de sitio agudiza situaci\u00f3n de comunidades en Santa Cruz Barillas, Huehuetenango (informe, 10 de mayo). Santa Cruz Barillas: Coordinaci\u00f3n y Convergencia Nacional Maya.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Warren, Kay B. (1998). Indigenous Movements and Their Critics: Pan-Maya Activism in Guatemala. Princeton: Princeton University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\"><em>_____________ <\/em>(1993). \u201cInterpreting \u2018la violencia\u2019 in Guatemala: Shapes of Mayan silence &amp; resistance\u201d. En K. Warren (ed.). <em>The Violence within: Cultural and political opposition in divided nations<\/em>. Boulder: Westview Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Waxnecker, Harald (2015). \u201cPoderes regionales y distorsi\u00f3n il\u00edcita de la democracia guatemalteca\u201d, <em>Revista Revela. Realidades y visiones sobre Latinoam\u00e9rica<\/em>, n\u00fam. 3, pp. 21-49. Recuperado de <a href=\"http:\/\/revistarevela.com\/poderes-regionales-y-distorsion-ilicita-de-la-democracia-guatemalteca\/\">http:\/\/revistarevela.com\/poderes-regionales-y-distorsion-ilicita-de-la-democracia-guatemalteca\/<\/a>, consultado el 30 de junio de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wolf, Eric (1987). <em>Europa y la gente sin historia.<\/em> Ciudad de M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica(1a ed. en ingl\u00e9s, 1982).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Yagenova, Simona (2012). <em>La industria extractiva en Guatemala: Pol\u00edticas p\u00fablicas, derechos humanos y procesos de resistencia popular en el per\u00edodo 2003-2011<\/em>. Ciudad de Guatemala: Flacso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Zur, Judith (1998). <em>Violent memories: Mayan war widows in&nbsp;Guatemala<\/em>. Boulder: Westview Press.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Ap\u00f3s o genoc\u00eddio da d\u00e9cada de 1980 e o processo de paz na Guatemala, foi iniciado um processo de desapropria\u00e7\u00e3o territorial vinculado \u00e0 atividade de ind\u00fastrias extrativas e megaprojetos. A resposta foi a mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades afetadas, que se tornou o eixo da organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e antineoliberal no pa\u00eds, \u00e0 qual o Estado respondeu com a deslegitima\u00e7\u00e3o, a repress\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes ativistas e das autoridades comunit\u00e1rias.<br \/>\nNesse contexto, um grupo de ativistas me convidou a participar de um projeto pol\u00edtico para acompanhar essas comunidades por meio de an\u00e1lise, dissemina\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. O mesmo contexto for\u00e7ou o projeto a se tornar uma iniciativa de comunica\u00e7\u00e3o alternativa - Imprensa Comunit\u00e1ria - e a\u00e7\u00f5es contra a criminaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNeste texto, reflito sobre minha experi\u00eancia nesse espa\u00e7o e nesse processo como um caso de uso pol\u00edtico da profiss\u00e3o de pesquisador social. Examino os desafios e as possibilidades dos processos em que as ci\u00eancias sociais s\u00e3o transpostas para ferramentas de a\u00e7\u00e3o comunicativa e jur\u00eddica, e mostro as tens\u00f5es que estavam presentes. <\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[389,390,388,391],"coauthors":[551],"class_list":["post-30954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-9","tag-comunidades","tag-despojo","tag-guatemala","tag-investigacion-colaborativa","personas-bastos-amigo-santiago","numeros-362"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Investigaci\u00f3n social y acci\u00f3n pol\u00edtica en contexto de violencia. 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