{"id":30744,"date":"2018-09-21T13:01:41","date_gmt":"2018-09-21T13:01:41","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30744"},"modified":"2024-04-24T11:37:59","modified_gmt":"2024-04-24T17:37:59","slug":"trabajadoras-domesticas-monterrey","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/trabajadoras-domesticas-monterrey\/","title":{"rendered":"Trabalhadores dom\u00e9sticos ind\u00edgenas e empregadores no M\u00e9xico contempor\u00e2neo: mudan\u00e7as, continuidades e converg\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">E<\/span>O livro de Severine Durin representa uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para a an\u00e1lise e a compreens\u00e3o dos processos pelos quais a posi\u00e7\u00e3o desigual dos trabalhadores dom\u00e9sticos ind\u00edgenas \u00e9 naturalizada e legitimada no M\u00e9xico contempor\u00e2neo. Produto de mais de dez anos de pesquisa sobre a situa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas na \u00e1rea metropolitana de Monterrey, a autora prop\u00f5e, a partir de uma perspectiva antropol\u00f3gica, um olhar cr\u00edtico e relacional e uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental para o debate sobre a precariedade e a vulnerabilidade dos trabalhadores dom\u00e9sticos \"regulares\", a partir de uma perspectiva que cruza divis\u00f5es de g\u00eanero, classe e etnia.<\/p>\n<p>O trabalho de Durin se posiciona em um lugar desconfort\u00e1vel para as pesquisadoras feministas, pois o que ele faz \u00e9 tornar vis\u00edveis os problemas de poder impl\u00edcitos na rela\u00e7\u00e3o empregador-empregado. Ao se posicionar em um lugar em que, ao mesmo tempo, busca tornar vis\u00edvel uma realidade e dignificar uma tarefa laboral, Durin mostra que, por um lado, o servi\u00e7o dom\u00e9stico n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o profissionalizado como muitas feministas afirmam e, por outro, mas ligado a isso, mostra que a dificuldade de valorizar o trabalho se deve ao fato de que tanto os empregadores quanto os trabalhadores subestimam o valor do trabalho que \u00e9 realizado ali. Ao mesmo tempo, Durin n\u00e3o ataca a empregadora como algu\u00e9m que n\u00e3o tem a inten\u00e7\u00e3o de melhorar as condi\u00e7\u00f5es daqueles que trabalham em sua casa, mas mostra como essa discricionariedade \u00e9 permeada, por um lado, pela incapacidade ou falta de vontade de negociar as responsabilidades dom\u00e9sticas com outros membros da fam\u00edlia e, por outro, pela aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas do Estado que ofere\u00e7am infraestrutura adequada a essas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Por outro lado, e ao contr\u00e1rio de parte da bibliografia que coloca as trabalhadoras dom\u00e9sticas \"regulares\" como pessoas sem ag\u00eancia, altamente vulner\u00e1veis e uniformes em sua composi\u00e7\u00e3o e modos de a\u00e7\u00e3o, o livro de Durin consegue mostrar o car\u00e1ter heterog\u00eaneo da situa\u00e7\u00e3o das trabalhadoras e os complexos n\u00edveis de ag\u00eancia que elas conseguem ter nesse espa\u00e7o, a partir da reconstru\u00e7\u00e3o dos significados nativos das experi\u00eancias de vida das pr\u00f3prias trabalhadoras dom\u00e9sticas. Dessa forma, \u00e9 fundamental ter decidido restaurar os significados de suas vidas e experi\u00eancias n\u00e3o apenas como trabalhadoras dom\u00e9sticas, mas tamb\u00e9m como filhas, m\u00e3es, mulheres jovens, ou seja, a partir de suas diferentes posi\u00e7\u00f5es sociais. Nesse ponto, a autora tamb\u00e9m nos faz pensar nas trabalhadoras dom\u00e9sticas para al\u00e9m da subordina\u00e7\u00e3o estrutural em que est\u00e3o envolvidas, analisando as diferentes estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas que utilizam para forjar seu destino.<\/p>\n<p>No entanto, a inclus\u00e3o da perspectiva dos empregadores \u00e9 crucial para o texto, pois permite vislumbrar a natureza interdependente, el\u00e1stica e conflituosa das negocia\u00e7\u00f5es cotidianas, mostrando como a transforma\u00e7\u00e3o das expectativas, dos interesses e dos projetos de uns (trabalhadores dom\u00e9sticos) e de outros (empregadores) constitui o crivo pelo qual se configura o v\u00ednculo.<\/p>\n<p>O processo que a levou a se interessar pelo tema de seu livro \u00e9 claramente antropol\u00f3gico. Como estrangeira, ela se surpreende com o fato de que a maioria dos trabalhadores dom\u00e9sticos em Monterrey \u00e9 ind\u00edgena, ao mesmo tempo em que descobre que o assunto \u00e9 claramente invis\u00edvel na agenda de pesquisa. A feminiza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e a indigeniza\u00e7\u00e3o do trabalho \"fabril\" tornam-se preocupa\u00e7\u00f5es centrais para Durin, que pergunta por que isso est\u00e1 acontecendo e como esse processo articula ou contribui para a naturaliza\u00e7\u00e3o da desigualdade de classe, \u00e9tnica e de g\u00eanero. Nesse sentido, o trabalho de Durin torna vis\u00edvel um fen\u00f4meno que estava come\u00e7ando a ser obscurecido nos estudos sobre o servi\u00e7o dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Por outro lado, o trabalho de Durin vai na contram\u00e3o dos estudos que analisam o tipo de trabalho quantitativamente mais not\u00f3rio no M\u00e9xico de hoje, como a \"entrada por sa\u00edda\", para se concentrar em um tipo de trabalho que, embora em menor n\u00famero, ainda \u00e9 relevante porque \u00e9 o lugar onde as mulheres migrantes rurais geralmente chegam. Ao mesmo tempo, devido ao tipo de trabalho, \u00e9 onde o espa\u00e7o residencial e o espa\u00e7o de trabalho se sobrep\u00f5em e onde se gera um controle mais rigoroso dos corpos, onde eles est\u00e3o isolados e mais vulner\u00e1veis em geral, \u00e9 interessante poder falar sobre isso no s\u00e9culo XXI. <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>.<\/p>\n<p>Assim, no Cap\u00edtulo 1, a autora faz uma an\u00e1lise estat\u00edstica exaustiva da presen\u00e7a de mulheres ind\u00edgenas na forma mais servil e vulner\u00e1vel de servi\u00e7o dom\u00e9stico, ou seja, o \"trabalho fabril\"; dessa forma, ela torna vis\u00edvel a subordina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das mulheres ind\u00edgenas. Essa reconstru\u00e7\u00e3o lhe permite considerar que as desigualdades existentes nesses casos constituem legados coloniais que s\u00e3o refuncionalizados \u00e0 luz das condi\u00e7\u00f5es atuais.<\/p>\n<p>Depois de demonstrar quantitativamente a relev\u00e2ncia das mulheres ind\u00edgenas no trabalho dom\u00e9stico na f\u00e1brica de Monterrey, no Cap\u00edtulo 2 a autora explora as prefer\u00eancias, representa\u00e7\u00f5es e formas de busca utilizadas pelos empregadores que fazem com que as mulheres ind\u00edgenas sejam as mais adequadas para o trabalho de limpeza e cuidado. A diferencia\u00e7\u00e3o por tipo de empregador, sua l\u00f3gica particular de administrar o relacionamento com aqueles que trabalham em suas casas e a incorpora\u00e7\u00e3o do ponto de vista dos agentes de coloca\u00e7\u00e3o de pessoal dom\u00e9stico nesse caso \u00e9 um grande sucesso do trabalho da autora.<\/p>\n<p>Uma ideia interessante que surge \u00e9 a de que existem redes de empregadores que contratam redes de empregados, o que incentiva uma maior etniza\u00e7\u00e3o da rede e uma classifica\u00e7\u00e3o das habilidades dos trabalhadores de acordo com sua origem regional. Por outro lado, a autora destaca os estilos de comando (mais pessoais ou paternais), as prefer\u00eancias e os imagin\u00e1rios que mobilizam a escolha dos trabalhadores dom\u00e9sticos. A dimens\u00e3o geracional \u00e9 um aspecto-chave que a autora revela e que constitui uma pe\u00e7a fundamental para a compreens\u00e3o das vis\u00f5es relacionais de comando, do tipo de v\u00ednculos que se estabelecem e das toler\u00e2ncias \u00e0 desigualdade. Assim, ela mostra que h\u00e1 \"empregadores-m\u00e3e\", com certa prefer\u00eancia, e \"empregadores-patr\u00e3o\", que optam por empregados com maior autonomia, pois n\u00e3o t\u00eam o tempo necess\u00e1rio para trein\u00e1-los. Ao mesmo tempo, eles classificam suas habilidades de trabalho de acordo com sua origem regional, o que fala de uma estratifica\u00e7\u00e3o \u00e9tnica do mercado de trabalho dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de trabalhadores dom\u00e9sticos do sexo masculino \u00e9 outro grande acerto do livro. Ele mostra que a maioria deles trabalha em espa\u00e7os externos (jardins, garagens, entre outros), evidenciando sua condi\u00e7\u00e3o de sujeitos perigosos para o espa\u00e7o da intimidade. Dessa forma, explica-se que \"a divis\u00e3o sexual do trabalho dom\u00e9stico permeia a organiza\u00e7\u00e3o espacial do trabalho dom\u00e9stico, de modo que podemos falar de um arranjo sexo-espacial do trabalho, que tem a ver com as ideologias de g\u00eanero, especialmente as representa\u00e7\u00f5es da sexualidade masculina\" (2017: 140). \u00c9 interessante notar que, no caso dos poucos homens que realizam tarefas de cuidado consideradas \"femininas\", o que eles fazem, de acordo com os estudos de Scrinzi (2005) para a It\u00e1lia e a Fran\u00e7a, \u00e9 afirmar que se trata de habilidades adquiridas (aprendidas), o que contrasta com um discurso que apresenta o trabalho dom\u00e9stico como n\u00e3o qualificado, inato e feminino por natureza.<\/p>\n<p>Por outro lado, a escolha de considerar a juventude das trabalhadoras dom\u00e9sticas e de ir al\u00e9m dos significados relacionados ao trabalho que s\u00e3o frequentemente (e automaticamente em trabalhos sobre migra\u00e7\u00e3o e trabalho dom\u00e9stico) associados \u00e0 decis\u00e3o de migrar \u00e9 um dos temas mais interessantes da an\u00e1lise. A autora explora a versatilidade e o car\u00e1ter din\u00e2mico dos interesses, expectativas e desejos dos jovens ind\u00edgenas que v\u00eam para as cidades em busca de trabalho.<\/p>\n<p>A mobilidade social por meio da educa\u00e7\u00e3o, da experi\u00eancia urbana e das diversas redes sociais que os conectam com seus pares s\u00e3o elementos que tornam o quadro mais complexo. N\u00e3o s\u00e3o apenas os jovens que migram para trabalhar. Os novos espa\u00e7os de intera\u00e7\u00e3o, o uso da tecnologia e as novas redes sociais ampliam o mundo das jovens mulheres ind\u00edgenas que se inscrevem no servi\u00e7o dom\u00e9stico na cidade. As novas expectativas de alcan\u00e7ar a mobilidade por meio da educa\u00e7\u00e3o, do acesso a contatos, de um novo estilo de vida e de consumo \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>Nesse ponto, a autora n\u00e3o deixa de incorporar de forma muito criativa os insights de estudos que enfocam a perspectiva relacional do v\u00ednculo (Vidal, 2007; Rodgers, 2009; Canevaro, 2009). Em particular, ela considera os conceitos de maternalismo e personalismo, que ela retoma do trabalho de Hondagneu Sotelo (2001), para analisar como as expectativas de mobilidade e dist\u00e2ncia social s\u00e3o articuladas entre empregadores e trabalhadores dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia afetiva e as tens\u00f5es geradas entre os dois agentes sociais s\u00e3o abordadas no cap\u00edtulo seguinte, onde a clivagem emocional e afetiva na interdepend\u00eancia m\u00fatua se torna ainda mais complexa quando se trata de trabalho de cuidado. Aqui, tanto a depend\u00eancia afetiva quanto o ciclo de vida da trabalhadora dom\u00e9stica desempenham um papel crucial, e \u00e9 dessa forma que a autora articula as desigualdades de classe, g\u00eanero e etnia com as formas de constru\u00e7\u00e3o da maternidade \u00e0 dist\u00e2ncia por parte das trabalhadoras \"regulares\". Nesse ponto, a autora questiona a possibilidade de questionar certos pap\u00e9is de g\u00eanero por parte dessas mulheres, embora isso n\u00e3o pare\u00e7a ser o caso.<\/p>\n<p>Na mesma linha, prop\u00f5e-se refletir sobre as tens\u00f5es das m\u00e3es empregadoras com rela\u00e7\u00e3o a ser uma \"boa m\u00e3e\". A imagem negativa que surge em torno da m\u00e3e que est\u00e1 fora de casa leva a uma discuss\u00e3o sobre o conceito de \"maternidade intensiva\", que \u00e9 diferenciada por classe social e est\u00e1 mais presente nos setores m\u00e9dio e alto, e levanta a necessidade de uma m\u00e3e onipresente para seus filhos. Esse ponto \u00e9 altamente sugestivo quando a autora o constr\u00f3i de forma relacional, incorporando as ansiedades que as m\u00e3es que trabalham fora t\u00eam quando precisam passar adiante seus pr\u00f3prios filhos. <em>habitus <\/em>sobre como cuidar de seus filhos. O caso de decidir com quem deixar o beb\u00ea, bem como as m\u00faltiplas decis\u00f5es ligadas \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o familiar, constituem elementos de grande riqueza nas descri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Particularmente interessante \u00e9 o momento da \"forma\u00e7\u00e3o do <em>habitus<\/em>\"Esse eixo contrasta as m\u00e3es trabalhadoras em termos geracionais, sendo que as m\u00e3es trabalhadoras mais jovens s\u00e3o menos severas e menos acusat\u00f3rias em seu discurso moral, e as m\u00e3es trabalhadoras mais velhas s\u00e3o menos acusat\u00f3rias em seu discurso moral. Esse eixo contrasta gera\u00e7\u00f5es de m\u00e3es trabalhadoras, sendo que as m\u00e3es trabalhadoras mais jovens s\u00e3o menos severas e menos acusat\u00f3rias em seu discurso moral, e as m\u00e3es empregadoras mais velhas. \u00c9 evidente a diferen\u00e7a entre as empregadoras de classe m\u00e9dia - que t\u00eam uma tend\u00eancia mais maternal e educativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s empregadas dom\u00e9sticas - e as de classes sociais mais altas, que parecem n\u00e3o precisar se esfor\u00e7ar para incutir valores ou ideologias.<\/p>\n<p>O papel dos maridos das empregadoras \u00e9 crucial aqui, independentemente da classe social, pois eles incentivam suas esposas a continuar a ter uma vida social ap\u00f3s o nascimento dos filhos, financiando a contrata\u00e7\u00e3o de empregadas dom\u00e9sticas. \u00c9 interessante notar que o conceito de \"reprodu\u00e7\u00e3o estratificada\" (Colen, 1995) \u00e9 usado para mostrar como a presen\u00e7a de mulheres empregadas para complement\u00e1-los em casa enquanto os empregadores est\u00e3o trabalhando como profissionais. Isso n\u00e3o diminui o fato de que a tens\u00e3o entre ser mulher trabalhadora e \"m\u00e3e ideal\" n\u00e3o permanece latente em suas vidas e narrativas.<\/p>\n<p>Na parte final do livro, o autor se concentra no estilo de vida dos lares onde opera uma l\u00f3gica de distin\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o, deixando de lado os lares de classe m\u00e9dia que se distinguem pela colabora\u00e7\u00e3o nas tarefas dom\u00e9sticas entre a dona de casa e a empregada. Concentrando-se, ent\u00e3o, na elite de Monterrey, ele explora os costumes ligados \u00e0s pr\u00e1ticas matrimoniais, ao habitat e a v\u00e1rias pr\u00e1ticas de distin\u00e7\u00e3o, como o culto ao corpo, a caridade e as viagens ao exterior, trazendo \u00e0 tona a categoria de \"culturas de servid\u00e3o\" do interessante trabalho de Quayum e Ray (2003) em seu estudo sobre o assunto na \u00cdndia.<\/p>\n<p>Nesse \u00faltimo cap\u00edtulo, o autor estuda a influ\u00eancia do trabalho dom\u00e9stico e a presen\u00e7a da servid\u00e3o na l\u00f3gica particular da constru\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia entre as classes, os costumes e as pr\u00e1ticas de organiza\u00e7\u00e3o familiar da classe alta, com suas pr\u00f3prias formas de ascens\u00e3o social e a reprodu\u00e7\u00e3o da <em>habitus <\/em>de servid\u00e3o. Nesse ponto, a autora vai al\u00e9m das especificidades das tarefas dom\u00e9sticas para pensar em como elas est\u00e3o inscritas na reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero, \u00e9tnicas e de classe. Ter uma bab\u00e1 \u00e9 articulado nesses setores sociais com ter uma van e uma casa.<\/p>\n<p>Assim, o fato de terem sido socializados desde pequenos com pessoas que moram em suas casas, trabalham at\u00e9 tarde da noite e os acompanham em suas viagens, organizam recep\u00e7\u00f5es e passeios, entre outras tarefas, torna impens\u00e1vel mudar essas pr\u00e1ticas quando se tornam empregadores. No entanto, Durin mostra em Monterrey as mesmas transforma\u00e7\u00f5es que Quayum e Ray fazem na \u00cdndia, explorando as ansiedades e os sentimentos de ter come\u00e7ado a perder o poder sobre os empregados.<\/p>\n<p>Nas conclus\u00f5es, a autora retoma e conceitua uma discuss\u00e3o transversal do livro, ligada \u00e0 import\u00e2ncia do fato de o trabalho dom\u00e9stico continuar a ser uma das ocupa\u00e7\u00f5es isentas das regulamenta\u00e7\u00f5es trabalhistas federais. Mas, para encontrar uma resposta para isso, Durin investiga as fontes sociais dessa exclus\u00e3o. Dessa forma, ele sugere que o trabalho de limpeza e cuidado n\u00e3o serve apenas para reproduzir uma ordem de g\u00eanero, classe e etnia, mas tamb\u00e9m para criar e reproduzir uma <em>habitus<\/em> que eles internalizam desde cedo e a partir do qual s\u00e3o ensinados a naturalizar um esquema classista, sexista e at\u00e9 mesmo racista da sociedade.<\/p>\n<p>Se, por um lado, o autor argumenta que um <em>habitus <\/em>O outro afirma que s\u00e3o os atores pol\u00edticos que devem garantir os direitos dos trabalhadores dom\u00e9sticos ap\u00f3s a ratifica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o 189 da OIT. <span class=\"small-caps\">oit<\/span>condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em> para obter uma estrutura legal que coloque os direitos desses trabalhadores em p\u00e9 de igualdade com os de outros trabalhadores, passando assim de uma l\u00f3gica de presentes na rela\u00e7\u00e3o empregador-empregado para uma l\u00f3gica de direitos.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as, prop\u00f5e Durin, devem vir tanto de dentro dos regimes de bem-estar do Estado (Esping-Andersen, 1990) quanto das pr\u00f3prias representa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, classe e etnia que contribuem para desvalorizar o trabalho e as pessoas que o realizam. Seguindo a economia feminista, a autora destaca a import\u00e2ncia vital das trabalhadoras dom\u00e9sticas n\u00e3o apenas para a reprodu\u00e7\u00e3o da vida, mas tamb\u00e9m para o funcionamento adequado da economia e para o nosso desenvolvimento e bem-estar.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o estatal significa que as rela\u00e7\u00f5es permanecem dependentes da vontade ou n\u00e3o dos empregadores e uma quest\u00e3o discricion\u00e1ria na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es justas. Com rela\u00e7\u00e3o ao regime de g\u00eanero em jogo nesse v\u00ednculo, o autor argumenta que a quest\u00e3o de quem faz o trabalho de limpeza e cuidado (tanto para execut\u00e1-lo diretamente quanto para contratar aqueles que o fazem) ainda est\u00e1 resolvida <em>por<\/em> e <em>em<\/em> mulheres. O que a autora demonstra, seguindo o trabalho pioneiro de Leslie Gill (1994) para a Bol\u00edvia, \u00e9 que as diferen\u00e7as de classe e \u00e9tnicas perpetuam a dist\u00e2ncia entre mulheres e homens e naturalizam (ainda mais) a ordem de g\u00eanero. Por fim, a autora critica os Estados nacionais, como o M\u00e9xico, a It\u00e1lia e a Espanha (aos quais poder\u00edamos acrescentar a Argentina), por n\u00e3o darem respostas em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas e infraestruturas concretas, delegando a responsabilidade pelo cuidado \u00e0s pr\u00f3prias fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O livro de S\u00e9verine Durin consegue tornar vis\u00edvel a condi\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e vulner\u00e1vel das trabalhadoras ind\u00edgenas que trabalham em f\u00e1bricas, sem cair em um tom de den\u00fancia social da situa\u00e7\u00e3o. Ao incorporar os significados constru\u00eddos e mut\u00e1veis das trabalhadoras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas experi\u00eancias de vida e \u00e0 perspectiva dos pr\u00f3prios empregadores, a autora consegue mostrar a situa\u00e7\u00e3o desigual e, ao mesmo tempo, inc\u00f4moda que implica a presen\u00e7a de uma mulher ind\u00edgena nos lares de setores sociais afluentes permeados por um imagin\u00e1rio igualit\u00e1rio presente nas sociedades modernas.<\/p>\n<p>Longe de considerar a situa\u00e7\u00e3o como imut\u00e1vel, o autor mostra a elasticidade e o dinamismo das mudan\u00e7as nas expectativas, nos interesses e nas motiva\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e dos empregadores, o que deixa o futuro do setor de colarinho azul aberto a questionamentos.<\/p>\n<p>O contexto da discuss\u00e3o sobre a possibilidade de legislar sobre os direitos trabalhistas dos trabalhadores dom\u00e9sticos no M\u00e9xico torna o livro ainda mais relevante e valioso nos dias de hoje. Assim, a natureza din\u00e2mica dessa posi\u00e7\u00e3o deve ser analisada no contexto de uma situa\u00e7\u00e3o estrutural no M\u00e9xico em que os trabalhadores dom\u00e9sticos n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos como tal, algo que se torna uma condi\u00e7\u00e3o constitutiva e est\u00e1 destinado a continuar reproduzindo situa\u00e7\u00f5es de desigualdade enquanto esse setor da for\u00e7a de trabalho continuar querendo ser invisibilizado.<\/p>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gill, Leslie (1994). Precarious dependencies. Gender, class and domestic service in Bolivia. Nueva York: Columbia Univesity Press.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Colen, Shelee (1995). \u201c\u2019Like a mother to them\u2019: Stratified reproduction and West Indian childcare workers and employers in New York\u201d, en F. Ginsburg y R. Rapp, Conceiving the New World Order: the Global Politics of Reproduction. Berkeley: University of California Press.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hondagneu Sotelo, Pierrete (2001). Dom\u00e9stica. Inmigrant workers. Clearing and caring in the shadows of affluence. Berkeley: University of California Press.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ray, Raka y S. Qayum (2003). \u201cGrappling with modernity. India\u2019s Respectable Classes and the Culture of Domestic Servitude\u201d, Ethnographie, vol.4, n\u00fam.4, pp. 520-555.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rodgers, Janine (2009). \u201cCambios en el servicio domestico en Am\u00e9rica Latina\u201d, en Mar\u00eda Elena Valenzuela y Claudia Mora, Trabajo dom\u00e9stico. Un largo camino hacia el trabajo decente, Santiago de Chile, <span class=\"small-caps\">oit<\/span>, pp. 71-114.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Scrinzi, Francesca (2005). \u201cLes homes de m\u00e9nage, ou comment aborder la f\u00e9minisation des migrations en interviewant des hommes\u201d, Migrations et Soci\u00e9ti\u00e9, vol. 17, n\u00fam.2, pp. 99-100.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vidal, Dominique (2002). Les bonnes de Rio. Emploi domestique et soci\u00e9t\u00e9 democratique au Br\u00e9sil, Presses Universitaries du Septentrion-Villeneuve D\u00b4Ascq.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">E<\/span>O livro de Severine Durin representa uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para a an\u00e1lise e a compreens\u00e3o dos processos pelos quais a posi\u00e7\u00e3o desigual dos trabalhadores dom\u00e9sticos ind\u00edgenas \u00e9 naturalizada e legitimada no M\u00e9xico contempor\u00e2neo. 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