{"id":30725,"date":"2018-09-21T13:06:14","date_gmt":"2018-09-21T13:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30725"},"modified":"2024-04-24T11:36:00","modified_gmt":"2024-04-24T17:36:00","slug":"entrevista-derecho-de-playa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/entrevista-derecho-de-playa\/","title":{"rendered":"Beach Law: minha experi\u00eancia como antrop\u00f3loga na produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">A entrevistada descreve seu trabalho como soci\u00f3loga e antrop\u00f3loga na produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios e reflete sobre ele, especificamente por meio da experi\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o no document\u00e1rio <em>Beach Law<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/colaboracion\/\" rel=\"tag\">coopera\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/documental\/\" rel=\"tag\">document\u00e1rio<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/investigacion-social\/\" rel=\"tag\">pesquisa social<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/pelicula\/\" rel=\"tag\">filme<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/produccion\/\" rel=\"tag\">produ\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\"><em>Direito de praia<\/em>My Experience As an Anthropologist in Documentary-film Production (Minha experi\u00eancia como antrop\u00f3loga na produ\u00e7\u00e3o de filmes document\u00e1rios).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">A entrevista descreve e reflete sobre o trabalho de Alfaro Barbosa como soci\u00f3logo e antrop\u00f3logo na produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios, especificamente por meio da experi\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o no document\u00e1rio intitulado <em>Direitos de praia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Pesquisa social, document\u00e1rio, filme, produ\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><span class=\"dropcap\">C<\/span>ristina Alfaro faz parte da fam\u00edlia de <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> Ocidente. Atualmente, ela est\u00e1 cursando o doutorado em Ci\u00eancias Sociais nessa unidade, mas j\u00e1 cursou aqui o mestrado em Antropologia Social e, mesmo antes disso, quando ainda era estudante de Sociologia na Universidade de Guadalajara, come\u00e7ou a fazer parte de equipes que pesquisavam a presen\u00e7a de ind\u00edgenas nessa cidade. Desde 2004, ela trabalha com quest\u00f5es relacionadas \u00e0 migra\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em diferentes contextos, mas em seu doutorado decidiu mudar, e o tema de sua tese s\u00e3o as mulheres que buscam alternativas na assist\u00eancia ao parto. Ao mesmo tempo em que se tornou uma pesquisadora estabelecida, Cristina desenvolveu uma carreira na produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios, como <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/DocumentalDDP\/\">Direitos de praia<\/a>que estreou em 2016 e, no Festival de Cinema de Guadalajara daquele ano, a Academia Jalisciense de Cinematografia lhe concedeu o pr\u00eamio de melhor longa-metragem de Jalisco. Com base nisso, conversamos com Cristina sobre sua experi\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o entre os dois espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Lei da Praia (2016) - Trailer Oficial HD\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mPkVq6JhAzM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Santiago Bastos:<\/strong> Boa tarde, Cristina. Desde que a conheci no mestrado, voc\u00ea est\u00e1 envolvida no mundo dos document\u00e1rios, e eu sempre me interessei por essa carreira paralela, que j\u00e1 vem acontecendo h\u00e1 algum tempo. Como voc\u00ea entrou nesse espa\u00e7o e como foi sua primeira experi\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Cristina Alfaro: Minha incurs\u00e3o no trabalho audiovisual aconteceu de maneira um tanto inesperada, quando alguns cineastas se interessaram em usar minha tese de gradua\u00e7\u00e3o, que era sobre mulheres ind\u00edgenas trabalhando como dom\u00e9sticas aqui em Guadalajara, como base para um document\u00e1rio que acabou se chamando Aqu\u00ed sobre la tierra (Aqui na Terra) e foi lan\u00e7ado em 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Eu n\u00e3o tinha ideia do que isso implicaria, pois n\u00e3o tinha nenhuma familiaridade com assuntos como narrativa cinematogr\u00e1fica e a estrutura de um roteiro. Essa primeira abordagem foi certamente acidentada. Por um lado, o document\u00e1rio nos permite mostrar em imagens o que nas ci\u00eancias sociais explicamos por meio de palavras; mas eles t\u00eam ritmos e formas diferentes, os tempos da produ\u00e7\u00e3o audiovisual s\u00e3o diferentes dos da pesquisa e, sem abertura para o di\u00e1logo, essas atividades se tornam conflitantes. Tamb\u00e9m tivemos tens\u00f5es, porque o diretor preferia a imagem em si, enquanto eu estava mais preocupado com as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Aprendi que o di\u00e1logo interdisciplinar \u00e9 importante. A pesquisa antropol\u00f3gica d\u00e1 prioridade \u00e0s informa\u00e7\u00f5es coletadas em campo, por meio de conversas e observa\u00e7\u00f5es. A produ\u00e7\u00e3o audiovisual registra imagens e sons da realidade por meio da c\u00e2mera. Se essas tarefas n\u00e3o forem mutuamente exclusivas e se a produ\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio for precedida e acompanhada por um processo reflexivo de pesquisa e an\u00e1lise, o resultado ser\u00e1, sem d\u00favida, enriquecedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> O trabalho mais recente do qual voc\u00ea participou \u00e9 o document\u00e1rio Derecho de Playa, que foi apresentado em festivais como o daqui de Guadalajara ou o de Trieste, na It\u00e1lia, mas sei que tamb\u00e9m foi apresentado em c\u00edrculos acad\u00eamicos, como no Congresso de Estudos Mesoamericanos na Guatemala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span><\/strong> N\u00e3o, Derecho de playa se passa de fato no litoral sul de Jalisco, mas n\u00e3o tem nada a ver com os vendedores ambulantes com os quais trabalhei na tese. Trata-se do modo de vida dos pescadores de diferentes cooperativas daquela \u00e1rea que est\u00e3o enfrentando v\u00e1rios conflitos, inclusive a dificuldade de acesso ao mar devido ao constante fechamento das praias para privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso interesse em fazer esse document\u00e1rio surgiu em meados de 2012, enquanto acompanh\u00e1vamos o trabalho da jornalista Analy Nu\u00f1o, que estava cobrindo a quest\u00e3o da privatiza\u00e7\u00e3o dessas praias. Ela estava indo conhecer a situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de Tenacatita, que havia sido despejada das casas, hot\u00e9is e restaurantes da praia em agosto de 2010. Conversando com eles, percebemos que havia uma hist\u00f3ria a ser contada em um document\u00e1rio: a privatiza\u00e7\u00e3o das praias estava assolando toda a regi\u00e3o; Tenacatita era apenas uma das muitas hist\u00f3rias de desapropria\u00e7\u00e3o vividas pela popula\u00e7\u00e3o do litoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> Ent\u00e3o, como foi o processo, como voc\u00eas levantaram os fundos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span> <\/strong>Nessa primeira abordagem, conhecemos Don Rodolfo, um pescador que adorava seu trabalho, mas que, por motivos f\u00edsicos, teve de abandonar a profiss\u00e3o que tanto amava. Pensamos em buscar financiamento para contar sua hist\u00f3ria por meio de um curta-metragem e, assim, ter a oportunidade de voltar \u00e0 regi\u00e3o para continuar aprendendo mais sobre o assunto e poder considerar a produ\u00e7\u00e3o de um longa-metragem mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em 2013, recebemos um subs\u00eddio da <span class=\"small-caps\">hortel\u00e3<\/span> Conselho Estadual de Cultura e Artes de Jalisco - para a produ\u00e7\u00e3o do curta-metragem <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/69084323\">Ancorado<\/a>que \u00e9 um retrato de Don Rodolfo. Isso nos permitiu voltar \u00e0 \u00e1rea e mergulhar na realidade das cooperativas de pescadores para gerar a proposta que deu origem ao Derecho de playa, que mais tarde foi financiado por <span class=\"small-caps\">foprocina-imcina<\/span>.<br>\n<\/p>\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/ia801500.us.archive.org\/16\/items\/derecho-de-playa\/img1.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1034x1600\" data-index=\"0\" data-caption=\"\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ia801500.us.archive.org\/16\/items\/derecho-de-playa\/img1.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\"><\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> Qual foi o seu trabalho como parte das equipes de produ\u00e7\u00e3o das quais participou? Quais foram suas tarefas em Anclado e Derecho de Playa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span><\/strong> Em geral, dentro da equipe, minhas tarefas foram principalmente a pesquisa, o relacionamento com os personagens e tamb\u00e9m a an\u00e1lise cont\u00ednua da realidade; mas, ao longo do processo, tamb\u00e9m colaborei com as tarefas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de filmes document\u00e1rios difere do mero registro audiovisual usado na antropologia porque a linguagem cinematogr\u00e1fica \u00e9 usada para construir uma narrativa. Isso envolve a combina\u00e7\u00e3o de elementos t\u00e9cnicos especializados em todos os tr\u00eas est\u00e1gios: pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, tive uma tarefa dupla, pesquisa e planejamento, trabalho que realizei com Jorge D\u00edaz S\u00e1nchez, que \u00e9 cineasta e diretor do document\u00e1rio. A primeira etapa \u00e9 estabelecer a situa\u00e7\u00e3o a ser analisada, e \u00e9 necess\u00e1rio conhecer o contexto espec\u00edfico no qual a abordagem inicial \u00e9 desenvolvida. Para isso, realizamos uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica e de jornais e tamb\u00e9m conversamos com pescadores e personalidades importantes. Buscamos entender diferentes aspectos da regi\u00e3o, de Barra de Navidad a Punta P\u00e9rula, onde as hist\u00f3rias de desapropria\u00e7\u00e3o e lutas pelo poder enquadram a vida di\u00e1ria de seus habitantes e reconfiguram suas atividades sociais e econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de planejamento, nessa etapa foram estabelecidos os elementos para a produ\u00e7\u00e3o: a escolha de uma equipe - a equipe de produ\u00e7\u00e3o -, a escolha do equipamento e do material especializado para as necessidades do tema, bem como o cronograma e o or\u00e7amento.<br>\n<\/p>\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/ia801500.us.archive.org\/16\/items\/derecho-de-playa\/img2.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"495x330\" data-index=\"0\" data-caption=\"La cimbra al amanecer.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ia801500.us.archive.org\/16\/items\/derecho-de-playa\/img2.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">A crista ao amanhecer.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> E durante a fase de produ\u00e7\u00e3o, qual era sua responsabilidade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span> <\/strong>L\u00e1, minhas responsabilidades estavam relacionadas ao meu treinamento antropol\u00f3gico: observar e ouvir eram minhas principais atividades. Mas, diferentemente do trabalho de campo antropol\u00f3gico, que geralmente \u00e9 uma tarefa individual, a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios envolve a colabora\u00e7\u00e3o entre um grupo de especialistas de campo e o uso de equipamentos t\u00e9cnicos especializados: c\u00e2mera, lentes, microfones etc. Para o Derecho de Playa, a equipe de produ\u00e7\u00e3o era composta por quatro pessoas: diretor, fot\u00f3grafo, gravador de som e eu, o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> Voc\u00ea era a \u00fanica mulher na equipe, como isso a afetou?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span> <\/strong>A pesca \u00e9 uma atividade predominantemente masculina e os pescadores se sentiram muito mais \u00e0 vontade para interagir com meus colegas. N\u00e3o procurei interferir nessa situa\u00e7\u00e3o; o conforto dos personagens \u00e9 crucial para a c\u00e2mera, assim como \u00e9 para os informantes em qualquer investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estou dizendo que me afastei de toda intera\u00e7\u00e3o com os pescadores, pelo contr\u00e1rio, meu relacionamento com eles era em um n\u00edvel mais pessoal do que relacionado ao seu com\u00e9rcio; eles se preocupavam com meu bem-estar e v\u00e1rias vezes me questionaram sobre como eu me sentia viajando com tr\u00eas homens.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a das mulheres na atividade pesqueira \u00e9 praticamente inexistente; sua participa\u00e7\u00e3o \u00e9 na prepara\u00e7\u00e3o de produtos de peixe, em casa ou em restaurantes. Tentei abord\u00e1-las nesses contextos, mas os resultados n\u00e3o foram frut\u00edferos; como elas se sentiam alijadas da atividade pesqueira, n\u00e3o consideraram importante sua participa\u00e7\u00e3o no document\u00e1rio e, como o argumento do document\u00e1rio era centrado na pesca, n\u00e3o se buscou sua incorpora\u00e7\u00e3o. Se eu estivesse fazendo o trabalho de campo antropol\u00f3gico sozinho, teria tido tempo e teria encontrado uma maneira de romper com essa dist\u00e2ncia; o fato de haver mais membros na equipe me permitiu reverter a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessa dist\u00e2ncia de g\u00eanero estabelecida pelos pescadores, o exerc\u00edcio do di\u00e1logo constante com o diretor nos permitiu manter o fio anal\u00edtico no processo de produ\u00e7\u00e3o, tanto para a escolha dos personagens e situa\u00e7\u00f5es a serem acompanhados quanto para a gera\u00e7\u00e3o de eixos tem\u00e1ticos para as entrevistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> O document\u00e1rio trata de v\u00e1rios casos, quais s\u00e3o eles? Como era o relacionamento com os protagonistas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span> <\/strong>O tema central do document\u00e1rio \u00e9 a pesca em Costa Alegre, na costa sul de Jalisco; trabalhamos com v\u00e1rias cooperativas: Barra de Navidad, Careyitos, Chamela e Punta P\u00e9rula. A situa\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 praia e das moradias dos pescadores em cada contexto mudou a forma como nos relacionamos com eles. Em algumas cooperativas, nosso trabalho se restringiu aos limites da pesca, especialmente onde a entrada para o mar \u00e9 desconectada das casas dos pescadores. Em uma das comunidades menores, no entanto, tivemos a oportunidade de passar algum tempo com as fam\u00edlias, esposas e filhos dos pescadores, que nos convidaram para comer e at\u00e9 mesmo passar a noite em suas casas. Isso nos permitiu criar um v\u00ednculo pessoal que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> Atualmente, na pesquisa social, h\u00e1 muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de \u00e9tica e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos sujeitos no processo. Como isso se aplica no caso do document\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A. <\/span><\/strong>Assim como na pesquisa antropol\u00f3gica, a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios exige um questionamento constante das implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas de nossa atividade em rela\u00e7\u00e3o aos personagens, ao registro de sua imagem e \u00e0s decis\u00f5es tomadas em rela\u00e7\u00e3o ao enredo a ser desenvolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a produ\u00e7\u00e3o de Derecho de playa, isso esteve sempre presente. Durante o processo de produ\u00e7\u00e3o, tentamos ser o menos intrusivos poss\u00edvel, respeitando sua privacidade, seus tempos e espa\u00e7os. Um exemplo disso \u00e9 a decis\u00e3o de usar exclusivamente a luz natural durante as filmagens, deixando em segundo plano o valor t\u00e9cnico da fotografia que \u00e9 obtido com o uso de luz artificial controlada; o uso de luz artificial teria implicado uma maior intrus\u00e3o na vida cotidiana deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> O que me chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que no document\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 muito vis\u00edvel que os pescadores eram pessoas que lutavam por seu territ\u00f3rio; isso aparece no fio narrativo, mas n\u00e3o vemos imagens de luta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span><\/strong> De fato, isso nos foi mencionado em v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es, e foi realmente uma decis\u00e3o deliberada. Concordo com Victoria Novelo que \u00e9 importante buscar e trabalhar com as emo\u00e7\u00f5es tanto quanto com as informa\u00e7\u00f5es que o trabalho audiovisual deseja transmitir; mas tamb\u00e9m considero igualmente importante n\u00e3o ignorar os interesses pessoais, pol\u00edticos e sociais dos envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7amos a coletar as hist\u00f3rias de desapropria\u00e7\u00e3o nas praias da costa sul de Jalisco, encontramos pescadores que n\u00e3o estavam dispostos a contar suas hist\u00f3rias para a c\u00e2mera; eles achavam que grav\u00e1-las era um risco, pois suas vidas e seu trabalho estavam amea\u00e7ados. Eles tinham motivos para isso: Aureliano S\u00e1nchez Ruiz, representante de uma das cooperativas que lutam contra o fechamento de praias e a desapropria\u00e7\u00e3o de terras na regi\u00e3o, acabara de ser assassinado; e, no final do ano passado, Salvador Maga\u00f1a, um ativista social da costa, foi morto.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, essas hist\u00f3rias foram contadas em detalhes quando a c\u00e2mera n\u00e3o estava presente, o registro audiovisual modificou seus discursos e atitudes. Diante da recusa em contar essa parte de sua realidade, os pescadores propuseram mostrar seu of\u00edcio e, embora isso modificasse o argumento original, decidimos respeitar sua decis\u00e3o. Isso gerou expectativas nos pescadores, que ficaram entusiasmados imaginando e comentando como seu of\u00edcio e trabalho di\u00e1rio poderiam ser mostrados da melhor maneira poss\u00edvel. Dessa forma, conseguimos uma reflex\u00e3o participativa e dial\u00f3gica sobre os interesses deles e os nossos em querer fazer o filme. Em todos os momentos, eles receberam autoridade como especialistas no assunto, somente eles podiam falar sobre isso e mostrar sua realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> Ent\u00e3o, em um determinado momento, eles passaram a fazer parte da equipe. ......<\/p>\n\n\n\n<p>Digamos que houvesse um di\u00e1logo cont\u00ednuo. Um exemplo disso s\u00e3o as imagens mar\u00edtimas registradas por Neftal\u00ed, um mergulhador com habilidades fotogr\u00e1ficas inatas, que foi encarregado de registrar as habilidades de pesca submarina de seu irm\u00e3o com uma pequena c\u00e2mera subaqu\u00e1tica. A experi\u00eancia de colaborar com Neftal\u00ed foi surpreendente, pois eles narraram em diferentes momentos como trabalhavam embaixo d'\u00e1gua e sua paix\u00e3o pela beleza do fundo do mar. Sem d\u00favida, o registro dessas imagens n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem a participa\u00e7\u00e3o deles e mostra a import\u00e2ncia do trabalho colaborativo com as pessoas envolvidas na realidade que se deseja ensinar.<br>\n<\/p>\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/ia801500.us.archive.org\/16\/items\/derecho-de-playa\/img3.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"480\u2006\u00d7\u2006320\" data-index=\"0\" data-caption=\"Preparando a Nefta para su incursio\u0301n al mar.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ia801500.us.archive.org\/16\/items\/derecho-de-playa\/img3.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Preparando o Nefta para sua incurs\u00e3o no mar.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B.<\/strong> Visto agora, depois de quase dez anos combinando pesquisa antropol\u00f3gica com a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios, como voc\u00ea avalia a rela\u00e7\u00e3o entre os dois; o que aprendeu?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong><span class=\"small-caps\">C.A.<\/span><\/strong> Minha experi\u00eancia com a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios tem sido uma jornada de aprendizado pessoal e profissional. Os antrop\u00f3logos conhecem e analisam uma realidade que \u00e9 expressa por meio de palavras. O filme document\u00e1rio faz isso por meio de uma sequ\u00eancia de imagens - e testemunhos, se necess\u00e1rio - em congru\u00eancia com um enredo. Essa jornada tem sido um exerc\u00edcio colaborativo baseado no di\u00e1logo interdisciplinar cont\u00ednuo, em busca de ir al\u00e9m do registro. Ao incluir a linguagem cinematogr\u00e1fica nessa an\u00e1lise da realidade, a ess\u00eancia da mesma \u00e9 necessariamente incorporada: construir uma jornada cinematogr\u00e1fica que provoque emo\u00e7\u00f5es no espectador. Em outras palavras, o objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas informar e apresentar informa\u00e7\u00f5es relacionadas a uma realidade, mas tamb\u00e9m deixar uma marca emocional duradoura por meio de um s\u00f3lido argumento visual e discursivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meu trabalho como soci\u00f3logo e antrop\u00f3logo, aprendi a observar e ouvir por meio da contempla\u00e7\u00e3o e do di\u00e1logo, dando a cada situa\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o o tempo necess\u00e1rio para analis\u00e1-la e escrever sobre ela; \u00e9 um trabalho cont\u00ednuo de compreens\u00e3o da realidade, entre os sentidos e a teoria. Minha incurs\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o audiovisual me permitiu acessar outras formas de registrar e abordar uma realidade e seus atores.<\/p>\n\n\n\n<p>O di\u00e1logo entre a pesquisa e a produ\u00e7\u00e3o audiovisual n\u00e3o \u00e9 simples, mas \u00e9 extremamente \u00fatil e enriquecedor. Os meios audiovisuais s\u00e3o ideais para levar o trabalho de ci\u00eancias sociais para al\u00e9m dos c\u00edrculos acad\u00eamicos e cient\u00edficos especializados e, assim, levar os resultados da pesquisa a um p\u00fablico mais amplo. Esse exerc\u00edcio colaborativo permitiu que o document\u00e1rio fosse exibido em festivais de cinema e em c\u00edrculos acad\u00eamicos, gerando assim um di\u00e1logo entre a produ\u00e7\u00e3o audiovisual e as ci\u00eancias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>S.B. <\/strong>Quais s\u00e3o os seus planos para quando terminar o doutorado e voc\u00ea acha que poder\u00e1 continuar a combinar as duas coisas?<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, isso seria o ideal. Est\u00e1 muito claro para mim que as op\u00e7\u00f5es de trabalho no mundo acad\u00eamico s\u00e3o escassas, por isso precisamos gerar outros espa\u00e7os de trabalho e reflex\u00e3o, para sermos um pouco autogerenci\u00e1veis. A Antropo Film House \u00e9 a produtora que criamos gra\u00e7as a esse trabalho colaborativo com Jorge D\u00edaz S\u00e1nchez, para gerar projetos de di\u00e1logo interdisciplinar entre cinema e pesquisa. No momento, estamos trabalhando em dois longas-metragens, um que est\u00e1 em pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o com os garotos do basquete Triqui e outro em in\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o, em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores de <span class=\"small-caps\">ecosur<\/span>. Aqui vamos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Diretor:<\/strong> Jorge D\u00edaz S\u00e1nchez<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Roteiro:<\/strong> Jorge D\u00edaz S\u00e1nchez, Cristina Alfaro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Jorge D\u00edaz S\u00e1nchez, Cristina Alfaro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Fotografia:<\/strong> Sergio Mart\u00ednez<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>\u00c1udio direto:<\/strong> Jos\u00e9 Manuel Herrera<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ra\u00fal L\u00f3pez Echeverr\u00eda<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>M\u00fasica:<\/strong> Kenji Kishi<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Design de som:<\/strong> Odin Acosta<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 75 min. M\u00e9xico 2016<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Produtor:<\/strong> Kinesis Film House, AntropoFilms, <span class=\"small-caps\">imcina, foprocina<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">A entrevistada descreve seu trabalho como soci\u00f3loga e antrop\u00f3loga na produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios e reflete sobre ele, especificamente por meio da experi\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o no document\u00e1rio <em>Beach Law<\/em>.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[353,350,349,351,352],"coauthors":[551],"class_list":["post-30725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-12","tag-colaboracion","tag-documental","tag-investigacion-social","tag-pelicula","tag-produccion","personas-alfaro-barbosa-cristina","personas-bastos-amigo-santiago","numeros-277"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/entrevista-derecho-de-playa\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La entrevistada describe su labor como soci\u00f3loga y antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental y reflexiona sobre ella; espec\u00edficamente a trav\u00e9s de la experiencia de colaboraci\u00f3n en el documental Derecho de playa.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/entrevista-derecho-de-playa\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-09-21T13:06:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-04-24T17:36:00+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental\",\"datePublished\":\"2018-09-21T13:06:14+00:00\",\"dateModified\":\"2024-04-24T17:36:00+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/\"},\"wordCount\":3147,\"commentCount\":1,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"keywords\":[\"colaboraci\u00f3n\",\"documental\",\"investigaci\u00f3n social\",\"pel\u00edcula\",\"producci\u00f3n\"],\"articleSection\":[\"Entrevistas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/\",\"name\":\"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental &#8211; Encartes\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\"},\"datePublished\":\"2018-09-21T13:06:14+00:00\",\"dateModified\":\"2024-04-24T17:36:00+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/encartes.mx\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"name\":\"Encartes\",\"description\":\"Revista digital multimedia\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\",\"name\":\"Encartes Antropol\u00f3gicos\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png\",\"width\":338,\"height\":306,\"caption\":\"Encartes Antropol\u00f3gicos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\",\"name\":\"Arthur Ventura\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"caption\":\"Arthur Ventura\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental &#8211; Encartes","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/entrevista-derecho-de-playa\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental &#8211; Encartes","og_description":"La entrevistada describe su labor como soci\u00f3loga y antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental y reflexiona sobre ella; espec\u00edficamente a trav\u00e9s de la experiencia de colaboraci\u00f3n en el documental Derecho de playa.","og_url":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/entrevista-derecho-de-playa\/","og_site_name":"Encartes","article_published_time":"2018-09-21T13:06:14+00:00","article_modified_time":"2024-04-24T17:36:00+00:00","author":"Arthur Ventura","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Arthur Ventura","Est. tempo de leitura":"13 minutos","Written by":"Arthur Ventura"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/"},"author":{"name":"Arthur Ventura","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef"},"headline":"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental","datePublished":"2018-09-21T13:06:14+00:00","dateModified":"2024-04-24T17:36:00+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/"},"wordCount":3147,"commentCount":1,"publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"keywords":["colaboraci\u00f3n","documental","investigaci\u00f3n social","pel\u00edcula","producci\u00f3n"],"articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/","name":"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental &#8211; Encartes","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website"},"datePublished":"2018-09-21T13:06:14+00:00","dateModified":"2024-04-24T17:36:00+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/encartes.mx\/entrevista-derecho-de-playa\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/encartes.mx\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Derecho de Playa: mi experiencia como antrop\u00f3loga en la producci\u00f3n de cine documental"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website","url":"https:\/\/encartes.mx\/","name":"Encartes","description":"Revista digital multimedia","publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization","name":"Encartes Antropol\u00f3gicos","url":"https:\/\/encartes.mx\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png","contentUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png","width":338,"height":306,"caption":"Encartes Antropol\u00f3gicos"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef","name":"Arthur Ventura","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","caption":"Arthur Ventura"}}]}},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30725"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30725\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38845,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30725\/revisions\/38845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30725"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=30725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}