{"id":30063,"date":"2018-03-21T11:48:48","date_gmt":"2018-03-21T11:48:48","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30063"},"modified":"2024-04-24T11:01:25","modified_gmt":"2024-04-24T17:01:25","slug":"la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/","title":{"rendered":"Antropologia rodovi\u00e1ria, uma proposta para o estudo da mobilidade como um campo cultural"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A seguir, apresentamos uma conversa sobre o papel da antropologia no estudo do comportamento vi\u00e1rio, as rela\u00e7\u00f5es entre infraestruturas materiais e estruturas simb\u00f3licas, as express\u00f5es pol\u00edticas da mobilidade urbana e a discuss\u00e3o de v\u00e1rias ideias e posi\u00e7\u00f5es do Dr. Pablo Wright sobre o que ele chama de \"antropologia vi\u00e1ria\". Alguns detalhes, como a rebeldia simb\u00f3lica dos pedestres urbanos, o design e a implementa\u00e7\u00e3o de metodologias m\u00f3veis para pesquisa e o comportamento vi\u00e1rio como um campo em disputa entre o estado e os cidad\u00e3os no contexto latino-americano, s\u00e3o explorados com mais detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/antropologia-urbana\/\" rel=\"tag\">antropologia urbana<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/infraestructura-moral\/\" rel=\"tag\">infraestrutura moral<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/metodologia-cualitativa\/\" rel=\"tag\">metodologia qualitativa<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/movilidad\/\" rel=\"tag\">mobilidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/normas-viales\/\" rel=\"tag\">REGRAS DE ESTRADA<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/transporte-publico\/\" rel=\"tag\">transporte p\u00fablico<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">A \"antropologia da estrada\": uma proposta de estudo sobre a mobilidade como campo cultural<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">A continua\u00e7\u00e3o de uma conversa sobre o papel da antropologia no estudo do comportamento relacionado \u00e0 estrada, as rela\u00e7\u00f5es entre a infraestrutura material e as estruturas simb\u00f3licas, as express\u00f5es pol\u00edticas da mobilidade urbana e uma discuss\u00e3o de v\u00e1rias ideias e posi\u00e7\u00f5es que o Dr. Pablo Wright assumiu no que ele chama de \"a antropologia da estrada\" (<em>antropologia rodovi\u00e1ria<\/em>). Ele aprofunda a discuss\u00e3o de certos detalhes, como as rebeli\u00f5es simb\u00f3licas dos viajantes urbanos; o design e a implementa\u00e7\u00e3o da metodologia m\u00f3vel para fins de pesquisa; e o \"comportamento nas estradas\" como uma \u00e1rea contestada entre o Estado e os cidad\u00e3os no contexto latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Antropologia urbana, mobilidade, metodologia qualitativa, infraestrutura moral, transporte p\u00fablico, regras de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30002\"\/><\/figure>\n\n\n<div class=\"leyenda\"><p>Usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico embarcando em um ve\u00edculo da rota 380 em Guadalajara Jalisco, M\u00e9xico. Arquivo de Christian O. Grimaldo. Licen\u00e7a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.0\/es\/\">CC-Attribution-NonCommercial<\/a>.<\/p><\/div>\n\n\n<div class=\"audiobox\"><h3>Grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio da entrevista<\/h3><h4>Christian O. Grimaldo para Pablo Wright<\/h4><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/archive.org\/embed\/EntrevistaPabloWright\" width=\"320\" height=\"32\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><div class=\"leyenda\"><p>Realizado em 04 de novembro de 2014 na sede do CIESAS-Occidente. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/EntrevistaPabloWright\">archive.org<\/a><\/p><\/div><\/div>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\"><em>Christian O. Grimaldo (CG). <\/em>Em um per\u00edodo de tempo relativamente curto, observamos um interesse crescente e quase obrigat\u00f3rio no estudo das cidades pelas ci\u00eancias sociais. Esse interesse enfatiza o estudo do car\u00e1ter simb\u00f3lico da cidade, um campo no qual a antropologia \u00e9 o eixo de discuss\u00f5es te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas muito importantes. Qual voc\u00ea considera ser o papel da antropologia no estudo das cidades e qual \u00e9 a sua explica\u00e7\u00e3o para a chegada dela a esses contextos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pablo Wright (PW). <\/strong>Bem, acho que em minha vis\u00e3o do que \u00e9 antropologia, qualquer lugar \u00e9 importante e \u00e9 poss\u00edvel investigar qualquer espacialidade, qualquer contexto espacial. Porque o que a define \u00e9 o olhar, n\u00e3o o lugar. No entanto, nem todos os lugares s\u00e3o iguais e, portanto, surgem desafios metodol\u00f3gicos ou te\u00f3ricos que t\u00eam a ver com os objetos espec\u00edficos que s\u00e3o investigados. A cidade sozinha como um objeto \u00e9 demais, \u00e9 como dizer o campo, \"eu trabalho em \u00e1reas rurais\", \u00e9 t\u00e3o gen\u00e9rico que \u00e9 in\u00fatil, temos que definir a cidade. <em>na medida em que<\/em>, o <em>o que <\/em>da cidade, ou <em>onde<\/em> na cidade, ou <em>qual processo<\/em>, <em>grupos<\/em> se forem grupos ou qualquer outra coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica, em contraste com a sociologia tradicional, \u00e9 um maior acesso \u00e0 vis\u00e3o que as pessoas t\u00eam de seu pr\u00f3prio futuro, de sua pr\u00f3pria identidade. Se for migra\u00e7\u00e3o, a migra\u00e7\u00e3o e o trabalho de campo apresentam novos desafios em rela\u00e7\u00e3o a outros lugares. Se voc\u00ea est\u00e1 em uma comunidade rural, pode ficar l\u00e1 se lhe derem permiss\u00e3o e tudo o mais; mas na cidade, talvez voc\u00ea v\u00e1 e volte para o local onde trabalha, mas pode ficar nas proximidades. \u00c9 preciso usar a imagina\u00e7\u00e3o para se acostumar com o lugar, para ver as rotinas. Obviamente, isso depende dos assuntos, mas trabalhar <em>em<\/em> o <em>com<\/em> A cidade envolve idas e vindas, idas e vindas com as pessoas. Por exemplo, se voc\u00ea estuda transporte, teria de andar de caminh\u00e3o, fazer todas as rotas; eu fazia todas as rotas de um lado para o outro v\u00e1rias vezes em hor\u00e1rios diferentes para conseguir o<em> sentimento<\/em>. Estou falando sobre o<em> sentimento<\/em> de qualquer coisa, a paisagem, as pessoas, como elas dirigem, se h\u00e1 mais tr\u00e2nsito ou n\u00e3o, o que quer que seja. Na etnografia, voc\u00ea precisa andar muito pela cidade, ter um relacionamento com o ambiente; para mim, isso \u00e9 muito importante. Seja o que for, \u00e9 preciso conhecer o que se est\u00e1 pesquisando e n\u00e3o apenas aquele lugar, mas o contexto mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Ent\u00e3o, essa quest\u00e3o da experimenta\u00e7\u00e3o, voc\u00ea acha que ela poderia, de certa forma, definir o trabalho etnogr\u00e1fico, seria sua marca registrada?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW.<\/strong> Sim, acredito que o etn\u00f3grafo \u00e9 seu pr\u00f3prio instrumento de pesquisa. Portanto, voc\u00ea o ajusta de acordo com os temas, os lugares, a pressa e sua pr\u00f3pria vida tamb\u00e9m. Se n\u00e3o estiver com vontade de ir ao palco, voc\u00ea volta ou n\u00e3o vai, n\u00e3o sei.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Alguns te\u00f3ricos, como N\u00e9stor Garc\u00eda Canclini (Lind\u00f3n, 2007), argumentam que o interesse pelo simb\u00f3lico nas cidades foi um produto do fracasso dos estudos urbanos que se concentraram na dimens\u00e3o material das grandes cidades. Voc\u00ea parece concordar com essa ideia ao distinguir uma dial\u00e9tica entre uma infraestrutura material e uma infraestrutura moral. O que est\u00e1 inclu\u00eddo nessa infraestrutura moral?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW.<\/strong> Acho que a infraestrutura moral seria todo o conjunto de cultura rodovi\u00e1ria que se incorpora por meio da socializa\u00e7\u00e3o; trata-se de diretrizes para dirigir no ambiente urbano, bem como o sistema regulat\u00f3rio oficial. \u00c9 tudo um pacote amplo e, \u00e0s vezes, eles se d\u00e3o bem e, \u00e0s vezes, n\u00e3o, \u00e0s vezes o sistema normativo \u00e9 totalmente ignorado, deixado de lado, e s\u00f3 resta o sistema pr\u00e1tico. Seria, digamos, um sistema moral pr\u00e1tico, n\u00e3o abstrato, n\u00e3o escrito, mas praticado, negociado e transmitido em sua socializa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea aprende o que deve fazer, quem deve deixar passar primeiro ou n\u00e3o, se deve ir r\u00e1pido ou devagar. Um conjunto de condi\u00e7\u00f5es; se voc\u00ea for um pedestre, onde atravessar, como atravessar, o que fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>A infraestrutura material \u00e9 a rua, as cal\u00e7adas, toda a infraestrutura que \u00e9 tocada. Aquilo que geralmente, nas pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00e9 pensado para melhorar o ambiente urbano, sem a necessidade de media\u00e7\u00e3o com a cultura e as pessoas que usam essas infraestruturas, certo?<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>H\u00e1 uma parte do seu trabalho que tem uma clara carga pol\u00edtica em termos de um fen\u00f4meno que aparentemente \u00e9 uma quest\u00e3o de \"maus h\u00e1bitos\", como o que voc\u00ea acabou de mencionar. Estou me referindo ao trabalho que voc\u00ea faz sobre o comportamento nas estradas (Wright, Moreira e Soich, 2007). Parece-me que na sua proposta h\u00e1 uma forma muito original de ler o estado a partir das pr\u00e1ticas mais cotidianas e repetitivas do motorista e do pedestre. Fale-me um pouco sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW.<\/strong> Sim, acredito que o comportamento nas estradas n\u00e3o \u00e9 caprichoso, ele \u00e9 aprendido, e \u00e9 aprendido com valores que t\u00eam a ver com a hist\u00f3ria do pa\u00eds ou da regi\u00e3o e com a hist\u00f3ria da cidadania. Em outras palavras, o exerc\u00edcio de direitos e deveres como cidad\u00e3o e a pr\u00e1tica do Estado para garantir direitos e deveres. Geralmente, nessa \u00e1rea, h\u00e1 diverg\u00eancias: muito autoritarismo ou muito liberalismo, bem como interrup\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, governos militares e todas essas quest\u00f5es que n\u00e3o geraram confian\u00e7a na estabilidade das regras. Em outras palavras, os cidad\u00e3os n\u00e3o t\u00eam confian\u00e7a de que essas regras s\u00e3o boas para n\u00f3s, n\u00e3o importa se foram impostas por este ou por outro governo, elas n\u00e3o s\u00e3o boas. Portanto, minha ideia \u00e9 que houve uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da cidadania, da rela\u00e7\u00e3o cidad\u00e3o-Estado, em que h\u00e1 uma ambiguidade estrutural em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regras do Estado, e isso permeou os cidad\u00e3os, que n\u00e3o t\u00eam confian\u00e7a nas regras e nos controles das estradas. \u00c9 assim que surge o que chamo de rebeli\u00e3o semi\u00f3tica ou disciplinamento fracassado.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Nessa explica\u00e7\u00e3o, voc\u00ea faz uma distin\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 prescritivo, que corresponderia \u00e0s normas, e o que \u00e9 performativo, que corresponderia \u00e0 coreografia que as pessoas executam, aparentemente improvisada, como parte de nossas vidas di\u00e1rias. Voc\u00ea faz uma leitura da desobedi\u00eancia civil em face de um Estado que historicamente se caracterizou por uma crise de legitimidade e uma dispers\u00e3o organizacional e que, portanto, n\u00e3o disciplina bem, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Sim.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Em resposta a isso, voc\u00ea prop\u00f5e o projeto e a implementa\u00e7\u00e3o do que seriam \"planos de educa\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a vi\u00e1ria hist\u00f3rica, conceitual e metodologicamente realistas que geram uma cadeia de transforma\u00e7\u00e3o de corpos indomados em corpos disciplinados\" (Wright, 2012: 20). Gostaria de trazer para discuss\u00e3o uma vis\u00e3o de confronto apresentada por James Scott em <em>O elogio do anarquismo <\/em>(2012: 116-119), onde ele menciona que na cidade de Drachten, na Holanda, eles perceberam que a remo\u00e7\u00e3o dos sem\u00e1foros melhorou o fluxo de tr\u00e1fego. Especialmente porque isso deu aos motoristas e pedestres a oportunidade de exercer um julgamento independente. Ele menciona que, dois anos ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o dos sem\u00e1foros, o n\u00famero de acidentes caiu significativamente: de 36 nos quatro anos anteriores \u00e0 interven\u00e7\u00e3o para apenas dois um ano ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Ufa, muito!<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Sim, muito! Hans Monderman, o t\u00e9cnico de tr\u00e2nsito que foi o primeiro respons\u00e1vel por propor a elimina\u00e7\u00e3o dos sem\u00e1foros naquele pa\u00eds, achava que \"quanto mais numerosas as prescri\u00e7\u00f5es, mais os motoristas eram incentivados a buscar o m\u00e1ximo de vantagens dentro das regras: acelerar entre os sinais, passar r\u00e1pido pelas luzes \u00e2mbar, evitar todas as cortesias n\u00e3o prescritas\". A ideia que era promulgada nessas pequenas cidades era que \"Inseguro \u00e9 seguro\" (Scott, 2012: 119). O que voc\u00ea diria sobre essa proposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Que esta \u00e9 a Holanda, que a hist\u00f3ria do pa\u00eds holand\u00eas e o desenvolvimento de sua cultura c\u00edvica, do estado holand\u00eas, da <em>ethos<\/em> Os holandeses, a cultura protestante, tudo desempenha um papel diferenciador. Esses s\u00e3o Estados mais bem integrados, que t\u00eam contradi\u00e7\u00f5es mais bem resolvidas, ao que me parece; e os cidad\u00e3os assumem a responsabilidade e percebem que, se s\u00e3o respons\u00e1veis, isso tem repercuss\u00f5es no sistema geral. N\u00e3o \u00e9 preciso recorrer a um pol\u00edtico para modificar o modo de vida, certo? Eles podem modific\u00e1-lo eles mesmos, que \u00e9 o exerc\u00edcio da, digamos, cidadania civil e, nesse caso, da cidadania rodovi\u00e1ria. Mais controles estatais, mais seguran\u00e7a? N\u00e3o sei. Menos controles estatais, menos seguran\u00e7a? N\u00e3o sei, mas, \u00e0s vezes, \u00e9 preciso colocar um sem\u00e1foro em um cruzamento para que as pessoas n\u00e3o desperdicem sua energia negociando, que \u00e9 o que fazemos em outros pa\u00edses; aqui no M\u00e9xico, na Argentina, no Brasil, \u00e9 muito percept\u00edvel que se gasta muita energia porque o Estado ainda n\u00e3o encontrou uma maneira de reconhecermos que a energia foi gasta pelo Estado e que cumprimos o que foi decidido em benef\u00edcio do bem comum. Portanto, eu n\u00e3o diria que isso \u00e9 certo ou errado, independentemente do contexto. N\u00e3o, depende do contexto hist\u00f3rico, pol\u00edtico e urbano, da hist\u00f3ria e da cultura. As pol\u00edticas s\u00e3o um resultado da sociedade e da cultura, elas n\u00e3o s\u00e3o universalizantes por si s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Quando voc\u00ea menciona que, nesse tipo de comportamento rodovi\u00e1rio e nas pol\u00edticas que inscrevem as prescri\u00e7\u00f5es e assim por diante, h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o <em>ethos<\/em> que corresponde a determinados contextos, voc\u00ea acha que poder\u00edamos dizer que o movimento das pessoas nas cidades seria uma esp\u00e9cie de fato social total, como Marcel Mauss (1979) o viu?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Sim, poderia ser, porque tem muitas determina\u00e7\u00f5es, tem muitas vari\u00e1veis, depende de muitas vari\u00e1veis e tem a ver, digamos, com a quest\u00e3o do trabalho, a quest\u00e3o da idade, do g\u00eanero, do status, do prest\u00edgio. \u00c9, como disse Goffman (1993), uma esp\u00e9cie de <em>desempenho<\/em>A apresenta\u00e7\u00e3o do <em>aut\u00f4nomo <\/em>na vida cotidiana. Em qualquer ve\u00edculo, porque \u00e9 assim que acontece com os ve\u00edculos tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Isso me leva a outra pergunta, que tem a ver com sua ideia sobre o que voc\u00ea chama de <em>corpos met\u00e1licos.<\/em> Essa ideia pode ser reduzida a uma antropomorfiza\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o, acho que \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, em que ocorre a extens\u00e3o de seu esquema corporal para a estrutura met\u00e1lica do carro. Ent\u00e3o o carro \u00e9 transformado em voc\u00ea, em seu ser. A partir da\u00ed voc\u00ea \u00e9 voc\u00ea, \"eu sou o carro, o carro sou eu\". A partir da\u00ed, voc\u00ea \u00e9 voc\u00ea, \"eu sou o carro, o carro sou eu\"; h\u00e1 uma esp\u00e9cie de sincroniza\u00e7\u00e3o homem-m\u00e1quina e todos os valores de cidadania rodovi\u00e1ria s\u00e3o aplicados ali. Depende de como o caracterizamos, qual pa\u00eds ou regi\u00e3o ser\u00e1 mais rebelde, menos rebelde e assim por diante. Com o corpo met\u00e1lico, voc\u00ea est\u00e1 se mostrando no espa\u00e7o p\u00fablico, est\u00e1 fazendo uma <em>desempenho<\/em> de cidadania e seu lugar na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o que me deixa desconfort\u00e1vel com essa met\u00e1fora, pois \u00e9 mais f\u00e1cil para mim pensar nela quando se trata de termos individuais: uma pessoa em um carro, sozinha, dirigindo e no controle do ve\u00edculo. Mas acho dif\u00edcil entend\u00ea-la quando penso nela em termos de algu\u00e9m viajando com mais pessoas; nesse caso, eu poderia v\u00ea-la em termos de uma extens\u00e3o da casa, que \u00e9 uma ideia que voc\u00ea tamb\u00e9m mencionou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>\u00c9 claro que sim.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Gostaria de saber como voc\u00ea veria essa met\u00e1fora aplicada ao transporte p\u00fablico, em que o usu\u00e1rio n\u00e3o apenas n\u00e3o dirige o ve\u00edculo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o escolhe com quem dividi-lo. Eles s\u00e3o uma s\u00e9rie de estranhos. Eles s\u00e3o uma s\u00e9rie de estranhos, como voc\u00ea aplicaria a ideia do corpo met\u00e1lico aqui?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Bem, a ideia da carroceria de metal \u00e9 basicamente sobre a extens\u00e3o da identidade ao ve\u00edculo. Ent\u00e3o, talvez para o motorista, o \u00f4nibus seja a carroceria de metal. \u00c9 assim que funciona: voc\u00ea toca o ve\u00edculo e o cara fica com raiva. Por outro lado, os passageiros, os usu\u00e1rios, n\u00f3s somos a carga, n\u00f3s somos a carga daquele homem ou mulher.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Nesse sentido, considerando que em nosso cotidiano n\u00f3s, usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico, pegamos o mesmo \u00f4nibus dia ap\u00f3s dia, em um constante ir e vir que configura uma s\u00e9rie de coreografias rodovi\u00e1rias, onde estaria nossa experi\u00eancia corporal, seriam os trajetos um espa\u00e7o liminar onde deixamos de ser enquanto nos transportamos como mera carga do ve\u00edculo coletivo, qual seria sua opini\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o, estamos sempre l\u00e1, isso apenas gera um sistema de intera\u00e7\u00f5es ef\u00eameras, ao que me parece, e talvez identidades ef\u00eameras tamb\u00e9m surjam l\u00e1. Se voc\u00ea vai com seus colegas de trabalho e depois eles descem e voc\u00ea fica sozinho e depois conhece uma garota, n\u00e3o sei se s\u00e3o realmente identidades ou pap\u00e9is que est\u00e3o se transformando, mas certamente a experi\u00eancia \u00e9 diferente. Se tudo isso acontece nessa rota de transporte p\u00fablico, voc\u00ea sente isso como uma experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Em um de seus textos, voc\u00ea diz que, em vez de serem lidos como textos, os movimentos cotidianos devem ser lidos como inscri\u00e7\u00f5es cin\u00e9sicas, que t\u00eam componentes sensoriais, emotivos e cognitivos (Wright, 2007: 24). Como n\u00f3s, que estudamos esses tipos de realidades, podemos acessar esses tr\u00eas componentes, como podemos interpretar os movimentos do transeunte?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Acho que a primeira coisa que eu faria seria observar as regularidades dos gestos, das coreografias, para poder ver os padr\u00f5es das coreografias, o que requer muita observa\u00e7\u00e3o, filmagem ou manuten\u00e7\u00e3o de registros escritos e experimentais. Nesse caso, \u00e9 necess\u00e1rio determinar conjuntos de padr\u00f5es ou figuras e depois identificar quais s\u00e3o as inscri\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 influenciado pelo hor\u00e1rio, pela presen\u00e7a de outras pessoas, pelas condi\u00e7\u00f5es e pela dist\u00e2ncia interpessoal. Dependeria tamb\u00e9m um pouco dos contextos interacionais que determinam os valores ou as experi\u00eancias cognitivas e sinest\u00e9sicas, esses tipos de quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Os soci\u00f3logos interessados no estudo do que alguns j\u00e1 definem como o paradigma da mobilidade falam sobre o uso de metodologias m\u00f3veis para entender os fen\u00f4menos m\u00f3veis (B\u00fcscher e Urry, 2009). Basicamente, eles argumentam que h\u00e1 dois tipos de metodologias para estudar a mobilidade: aquelas que a estudam a partir da est\u00e1tica e aquelas que a estudam movendo-se, e que as realidades obtidas com essas metodologias s\u00e3o muito diversas. Na estrat\u00e9gia que voc\u00ea usou para estudar o comportamento nas estradas, vejo algo que estaria relacionado a essa proposta, o que voc\u00ea chamou de <em>autoeduca\u00e7\u00e3o. <\/em>Gostaria que voc\u00ea me contasse como surgiu essa ideia e o que ela permitiu que voc\u00ea encontrasse em compara\u00e7\u00e3o com outras t\u00e9cnicas que seriam mais est\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>A autopedagogia surgiu por acaso, com meu filho mais novo, n\u00e3o sei se eu o estava ensinando a dirigir ou algo assim, e bem, foi a\u00ed que me ocorreu; na verdade, a ideia vem mais da lingu\u00edstica. A proposta da lingu\u00edstica \u00e9 que, para reconhecer as oposi\u00e7\u00f5es fon\u00eamicas, \u00e9 preciso for\u00e7ar os exemplos; trata-se de descobrir, por meio do exerc\u00edcio de for\u00e7ar, onde est\u00e3o os limites. Essa \u00e9 a ideia, \u00e9 muito simples, o autopedag\u00f3gico seria o autopedag\u00f3gico que respeita as regras escritas, o que permite que voc\u00ea veja todos aqueles que n\u00e3o as respeitam. Aqueles que passam por aqui, aqueles que passam por ali, aqueles que buzinam para voc\u00ea e, se voc\u00ea puder, voc\u00ea freia e deixa o pedestre passar, mas, \u00e0s vezes, se a estrada \u00e9 de m\u00e3o \u00fanica e voc\u00ea freia aqui, a pessoa que est\u00e1 passando ao seu lado; ent\u00e3o, talvez n\u00e3o seja conveniente frear, mesmo se voc\u00ea estiver com o carro pedag\u00f3gico, a menos que isso seja vis\u00edvel com sinais e s\u00edmbolos e avisando as pessoas. Mas \u00e9 isso que acontece, \u00e9 for\u00e7ar a regra a aparecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, voc\u00ea est\u00e1 seguindo as regras e depois aparecem as transgress\u00f5es das regras, geralmente excesso de velocidade e desrespeito ao direito de passagem nos cruzamentos. Na Argentina, a regra \u00e9 que se duas pessoas estiverem de frente uma para a outra, a que estiver \u00e0 direita passa, n\u00e3o importa se \u00e9 norte ou sul. Aqui me disseram que se for do norte n\u00e3o sei o qu\u00ea ou do sul n\u00e3o sei o qu\u00ea, mas tudo bem, \u00e9 \u00f3timo para a antropologia rodovi\u00e1ria porque seria um c\u00f3digo de conduta. <em>ad hoc<\/em>Seria necess\u00e1rio analisar a hist\u00f3ria, de onde vem a regra, por que o norte \u00e9 predominante sobre o sul ou o leste-oeste. O uso de capacetes tamb\u00e9m seria um objeto interessante a ser abordado, poderia haver uma motocicleta pedag\u00f3gica. \u00c9 mais complicado porque n\u00e3o teria um efeito t\u00e3o grande, porque o carro ocupa espa\u00e7o e se a velocidade m\u00ednima em uma rua for quarenta, voc\u00ea vai levar muita buzinada. Ent\u00e3o, a ideia seria que aparecesse uma placa dizendo \"senhor, a velocidade m\u00e1xima na rua \u00e9 quarenta, este \u00e9 o carro pedag\u00f3gico\".<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Aqui no M\u00e9xico, algo peculiar acontece com os ve\u00edculos oficiais da pol\u00edcia de tr\u00e2nsito, porque eles devem sempre dirigir no limite m\u00e1ximo se n\u00e3o estiverem com as sirenes ligadas, portanto, quando as pessoas encontram um na frente delas, geralmente dirigem no limite. Se voc\u00ea passar por essa experi\u00eancia, perceber\u00e1 que geralmente ultrapassa o limite. Mas eles t\u00eam essa fun\u00e7\u00e3o aqui, as patrulhas est\u00e3o marcando, como voc\u00ea disse. N\u00e3o sei se funciona da mesma forma na Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 assim que funciona.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>O senhor \u00e9 um antrop\u00f3logo afinado com o pensamento decolonial, mas, ao mencionar sua experi\u00eancia nos Estados Unidos e se referir ao estado que o disciplina, parece entrar em uma certa contradi\u00e7\u00e3o (Wright, 2000). O senhor d\u00e1 a impress\u00e3o de que invoca o car\u00e1ter performativo do comportamento nas estradas, ou seja, tudo o que foge \u00e0 norma, com um campo sem\u00e2ntico negativo no qual entram o violento, o perigoso e at\u00e9 mesmo o malandro. Isso n\u00e3o seria negar o conhecimento concebido pelos cidad\u00e3os comuns a partir de sua experi\u00eancia cotidiana, n\u00e3o lhe pareceria que est\u00e1 pintando os transeuntes como selvagens que devem ser civilizados pelo Estado? Afinal de contas, eles criaram coreografias que lhes permitem passar, o que voc\u00ea acha?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Esse \u00e9 um bom ponto. N\u00e3o vejo isso como uma contradi\u00e7\u00e3o, porque, embora o sistema <em>ad hoc<\/em> Por outro lado, o servi\u00e7o gera muitas mortes. Portanto, pode haver sistemas melhores e o Estado tem de aplicar os melhores sistemas, mas falta-lhe a criatividade para transmitir isso ao cidad\u00e3o e gerar uma mudan\u00e7a cultural de longo prazo. Se voc\u00ea optar por uma cultura pol\u00edtica de curto prazo, n\u00e3o haver\u00e1 incentivo para fazer nada a longo prazo. A vis\u00e3o decolonial ou p\u00f3s-colonial tenta reivindicar o conhecimento subalterno e invis\u00edvel; aqui n\u00e3o se trata de conhecimento subalterno ou invis\u00edvel, \u00e9 o conhecimento, digamos, da cidadania em geral, at\u00e9 mesmo da interclasse. \u00c9 a cultura da cidadania, e o problema aqui s\u00e3o as leis da f\u00edsica. Acho que o argumento mais forte \u00e9 que essa cultura implica maximizar o interesse pr\u00f3prio: ir mais r\u00e1pido, apressar-se, n\u00e3o deixar os outros passarem, n\u00e3o diminuir a velocidade quando chove, e esse tipo de coisa que ignora as leis da f\u00edsica; as regras de tr\u00e2nsito s\u00e3o regidas pelas leis da f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma criatividade cultural que seria muito bom recuperar por meio da forma\u00e7\u00e3o de equipes para criar uma pedagogia para isso, o que acho que ainda n\u00e3o foi feito. Os Estados Unidos s\u00e3o apenas uma anota\u00e7\u00e3o sobre como a cultura permite ou cuida dos cidad\u00e3os e, ao mesmo tempo (obviamente \u00e9 um pa\u00eds muito diferente), os cidad\u00e3os incorporaram, internalizaram as normas, devido aos valores culturais protestantes... nossas sociedades n\u00e3o s\u00e3o assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Se estivermos interessados no assunto, teremos que fazer uma adapta\u00e7\u00e3o; l\u00e1 o \u00edndice de mortes nas estradas \u00e9 menor, certo? N\u00e3o \u00e9 que eu achasse que era uma cultura melhor, mas pensei: \"outra ordem \u00e9 poss\u00edvel, vamos ver se \u00e9 poss\u00edvel\", mas n\u00e3o copiando o sistema americano, mas sendo criativos na Argentina, vendo quais valores s\u00e3o positivos e como gostamos de receber palavras e n\u00e3o ordens dos militares. Um americano diz: \"Eu n\u00e3o fa\u00e7o isso porque \u00e9 a lei\", e n\u00f3s, voc\u00ea e eu, rir\u00edamos. H\u00e1 algo comum nos estados que nos formaram como cidad\u00e3os, que \u00e9 cultural e hist\u00f3rico, e \u00e9 isso que temos de explorar para poder reverter essa rebeldia, que n\u00e3o \u00e9 ruim em si, mas que foi gerada por um v\u00e1cuo estatal, por n\u00e3o regulamentar e n\u00e3o verificar os regulamentos e a legisla\u00e7\u00e3o correspondentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Educar sobre a responsabilidade individual pelo nosso comportamento no tr\u00e2nsito, n\u00e3o temos isso, pelo menos na Argentina, n\u00e3o \u00e9 incutido como um valor. Acho que temos valores, ou seja, todas as sociedades t\u00eam valores mais ou menos positivos, mas n\u00e3o temos esse valor espec\u00edfico de seguran\u00e7a vi\u00e1ria. Em termos de dire\u00e7\u00e3o, minhas manobras s\u00e3o muito individualistas e n\u00e3o vejo as consequ\u00eancias coletivas. Dirigir com a fam\u00edlia, com as crian\u00e7as na frente e sem cinto de seguran\u00e7a, \u00e9 como uma extens\u00e3o da <em>viver<\/em> da casa; o corpo met\u00e1lico seria pr\u00f3prio do condutor, mas talvez pud\u00e9ssemos agora inventar o novo termo que seria o <em>sala de estar de metal<\/em>Em resposta \u00e0 sua pergunta anterior sobre transporte p\u00fablico, acho que seria isso. O ve\u00edculo pode ter caracter\u00edsticas de cozinha, por exemplo, porque \u00e0s vezes os ocupantes est\u00e3o comendo e abrem a janela e jogam a comida para fora, como um interior e um exterior. Todos esses s\u00e3o limiares simb\u00f3licos que cruzam a materialidade, mas s\u00e3o simb\u00f3licos porque partem de um imagin\u00e1rio, de um mundo do poss\u00edvel que \u00e9 um produto da hist\u00f3ria e da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Quando voc\u00ea diz que esse interesse pelo frasco n\u00e3o foi instilado em n\u00f3s, bem, voc\u00ea fala do caso argentino, mas acho que no M\u00e9xico est\u00e1 acontecendo algo muito semelhante... Voc\u00ea concordaria se diss\u00e9ssemos que o frasco foi uma surpresa, que nossas sociedades n\u00e3o estavam preparadas para toda essa transforma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o sei se eles n\u00e3o estavam preparados, mas n\u00e3o era uma agenda pol\u00edtica e n\u00e3o era uma agenda do Estado, e \u00e9 a\u00ed que nos encontramos com o aumento do n\u00famero de motocicletas e carros, o aumento da velocidade e a destrui\u00e7\u00e3o ou a m\u00e1 manuten\u00e7\u00e3o da infraestrutura rodovi\u00e1ria. Isso tem a ver com onde o Estado coloca seus recursos e os pol\u00edticos n\u00e3o est\u00e3o interessados. Portanto, como n\u00e3o h\u00e1 muita conscientiza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os sobre as estradas, n\u00e3o pressionamos as autoridades para que gastem dinheiro com a infraestrutura f\u00edsica, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Temos o que merecemos: os l\u00edderes pol\u00edticos, os governantes.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>N\u00e3o podemos pedir a eles que nos ensinem algo que n\u00e3o consideramos que valha a pena saber.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o, n\u00e3o, a for\u00e7a moral vista na Argentina para transformar isso s\u00e3o os mortos, ent\u00e3o imagine como \u00e9 feio, como \u00e9 doloroso. A \u00fanica maneira de intervir \u00e9 por meio da dor e n\u00e3o por meio do direito dos cidad\u00e3os de que o Estado cuide da seguran\u00e7a de seus cidad\u00e3os. N\u00f3s nem sequer imaginamos que o Estado tem essa obriga\u00e7\u00e3o, \u00e9 como pedir permiss\u00e3o ou \"desculpe-me por dizer isso\". Dever\u00edamos exigir isso, mas bem, sabemos onde vivemos, n\u00e3o \u00e9 na Noruega ou na Holanda.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Nem tudo o que \u00e9 prescrito vem do poder do Estado, voc\u00ea h\u00e1 de concordar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Sim.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Parece-me que na cidade h\u00e1 outros tipos de normas, que n\u00e3o s\u00e3o impostas por autoridades governamentais, mas talvez por classe social, status, g\u00eanero e idade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>O mercado, certo?<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>\u00c9 claro que essas prescri\u00e7\u00f5es nos diriam implicitamente quais lugares temer, quais lugares desejar e como nos transportar para esses lugares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Sim, perfeito.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Acho que isso tamb\u00e9m pode ser visto em termos de coreografias que s\u00e3o repetidas dia ap\u00f3s dia e que d\u00e3o um significado \u00e0 cidade de acordo com o personagem que est\u00e1 passando por ela. \u00c9 uma coreografia que tem um fato social por tr\u00e1s e que s\u00f3 pode ser explicada por meio da enuncia\u00e7\u00e3o de seu significado. Se voc\u00ea concorda comigo, que valor voc\u00ea daria \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o das prescri\u00e7\u00f5es por <em>performances<\/em>? Em outras palavras, o que aconteceria se n\u00f3s, pessoas, nos permit\u00edssemos improvisar mais em nossos movimentos pela cidade? Voc\u00ea j\u00e1 deixou claro que se trata de uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o para a seguran\u00e7a vi\u00e1ria, de pedagogia, de conhecimento. Se tiv\u00e9ssemos essa pedagogia, voc\u00ea acha que poder\u00edamos nos permitir improvisar ao dirigir?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o, n\u00e3o acho que precisar\u00edamos improvisar. Se fiz\u00e9ssemos mais ou menos o que t\u00ednhamos de fazer, n\u00e3o precisar\u00edamos improvisar. Improvisar \u00e9 corrigir a entropia do sistema, a decad\u00eancia do sistema, porque o sistema n\u00e3o funciona bem; ent\u00e3o, colocamos nossa energia nele para que funcione mais ou menos e n\u00e3o nos matemos em cinco minutos. O que eu vi nos Estados Unidos e na Espanha, que \u00e9 o que mais se aproxima da Argentina na Europa, \u00e9 que eles dirigem mais devagar, respeitam os pedestres, e isso s\u00e3o cinquenta anos de pol\u00edticas p\u00fablicas de tr\u00e2nsito, n\u00e3o \u00e9 um dia. E na Espanha, no M\u00e9xico e na Argentina, somos mais ou menos parecidos culturalmente; isso sugere que a mudan\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel, mas houve um acordo pol\u00edtico, uma pol\u00edtica de Estado e o mercado n\u00e3o interveio muito para colocar seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, temos de usar a energia para outra coisa, n\u00e3o para improvisar na rua, porque improvisar na rua n\u00e3o \u00e9 o exerc\u00edcio da liberdade c\u00edvica, estamos corrigindo os defeitos do sistema. Somos um produto do sistema e tamb\u00e9m o perpetuamos. Nossa manobra ruim na rua permite que essa manobra ruim permane\u00e7a no universo imagin\u00e1rio de manobras poss\u00edveis. Portanto, ela \u00e9 forte porque, se uma crian\u00e7a v\u00ea um adulto fazer essa manobra ruim, para ela ela est\u00e1 inscrita como uma manobra de um adulto, n\u00e3o uma manobra ruim. Talvez ela fa\u00e7a isso e lhe diga: \"meu pai, meu irm\u00e3o mais velho ou meu amigo fez isso\".<\/p>\n\n\n\n<p>O que eu quero dizer \u00e9 que eu tamb\u00e9m, embora esteja no projeto de investigar essas quest\u00f5es, me beneficio das ambiguidades do sistema que n\u00e3o controla e, quando controla, \u00e9 para que voc\u00ea pague com multas e impostos. H\u00e1 uma grande desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao controle do Estado, uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o ou suspeita, o policial que o det\u00e9m sempre vai lhe pedir uma \"mordida\", n\u00f3s a chamamos de \"coima\". Digamos que, de cada dez policiais, talvez quatro mordam e seis n\u00e3o mordam, e todos eles caem. \u00c9 como um exerc\u00edcio excessivo de poder e n\u00e3o estamos acostumados a rejeitar isso, n\u00e3o h\u00e1 san\u00e7\u00e3o social contra isso porque valorizamos o poder. N\u00e3o temos uma estrutura de poder interna internalizada, o poder \u00e9 externo e \u00e9 coercitivo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Continuando com essa ideia das semelhan\u00e7as que temos entre as sociedades latino-americanas, como voc\u00ea acha que poder\u00edamos pensar sobre os fen\u00f4menos vi\u00e1rios a partir de uma perspectiva decolonialista em cidades que foram materialmente concebidas, projetadas e constru\u00eddas a partir de uma perspectiva colonialista?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Bem, eu planejaria o transporte p\u00fablico, ou seja, se eu pudesse, se eu fosse Deus por algum tempo, eu faria isso. Descentralizaria os locais de trabalho do governo, criaria estacionamentos, ciclovias, daria subs\u00eddios para as pessoas que comprassem bicicletas, faria campanhas muito fortes para que os motociclistas usassem capacetes e faria boas campanhas sobre responsabilidade c\u00edvica; faria o que falei com as crian\u00e7as: oficinas nas escolas em que os pais participassem e, na verdade, as crian\u00e7as reeducariam seus pais. Al\u00e9m desses tipos de quest\u00f5es, eu tentaria garantir que as rela\u00e7\u00f5es de poder n\u00e3o afetassem muito a din\u00e2mica das estradas. O que regula agora \u00e9 a desigualdade, o carro maior e mais r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Um dos detalhes que mais me atrai em sua pr\u00e1tica antropol\u00f3gica \u00e9 a diversidade aparentemente diametral entre, de um lado, o estudo do outro, do ex\u00f3tico, o que poderia at\u00e9 ser chamado de \"cl\u00e1ssico\" na antropologia; e, de outro lado, o estudo do que para n\u00f3s \u00e9 mais t\u00edpico e mais cotidiano, ou seja, o urbano. Que exig\u00eancias esse exerc\u00edcio etnogr\u00e1fico multitem\u00e1tico e multissituado lhe imp\u00f4s em termos de reflexividade, e como voc\u00ea, em termos de reflexividade, se situa nesses dois cen\u00e1rios?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Bem, o que me permite superar a descontinuidade dos contextos aparentes \u00e9 a perspectiva simb\u00f3lica. Se eu pensar que a a\u00e7\u00e3o social \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que ela \u00e9 constru\u00edda a partir de s\u00edmbolos, isso me permite assumir que o repert\u00f3rio de ideias, a\u00e7\u00f5es, palavras, objetos que t\u00eam valores, s\u00e3o o objeto de estudo e n\u00e3o importa muito onde eles s\u00e3o estudados. Eu nem penso nisso como antropologia urbana, n\u00e3o, de forma alguma, \u00e9 uma antropologia rodovi\u00e1ria, vejo padr\u00f5es de comportamento rodovi\u00e1rio em todos os lugares! \u00c9 por isso que nem penso nisso como um fen\u00f4meno exclusivamente urbano, ele s\u00f3 \u00e9 urbano quando entra na cidade, mas n\u00e3o \u00e9 definido pela cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade tem suas especificidades que fazem com que as coreografias das vias tenham certas possibilidades e limites. Especialmente a quest\u00e3o da velocidade e outros aspectos, como o n\u00famero de pedestres. Por outro lado, na estrada a velocidade aumenta, h\u00e1 menos pedestres e, ent\u00e3o, os valores de fadiga entram em jogo, o valor que voc\u00ea d\u00e1 ao carro como uma m\u00e1quina que anda r\u00e1pido, na estrada isso fica claro.<sup><a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/sup> O cara que n\u00e3o suporta andar devagar ou no limite de velocidade e vira na contram\u00e3o em uma estrada quando n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m por perto, qual \u00e9 o objetivo? Mas \u00e9 para amortizar o investimento de capital e, ao mesmo tempo, receber capital por ter cometido essa transgress\u00e3o que lhe permite usar aquela m\u00e1quina que anda r\u00e1pido. Quando voc\u00ea infringe uma regra de tr\u00e2nsito, voc\u00ea o faz porque isso lhe d\u00e1 retorno, lhe d\u00e1 capital. A quest\u00e3o \u00e9: qual \u00e9 esse capital que voc\u00ea recebe de volta?<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>H\u00e1 uma pergunta que me vem \u00e0 mente agora que voc\u00ea menciona o capital. Em seu trabalho, podemos ver que voc\u00ea usa os conceitos de Bourdieu; s\u00f3 por curiosidade, por que voc\u00ea escolheu Bourdieu e n\u00e3o outro autor? O que voc\u00ea descreve me faz pensar muito sobre os dramas sociais de Victor Turner, por exemplo, e me parece que isso tamb\u00e9m pode ser aplicado para explic\u00e1-lo. O que esse aparato conceitual de Bourdieu lhe oferece que outros n\u00e3o oferecem?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Bourdieu e Goffman s\u00e3o os mais \u00fateis, e Turner era realmente mais social, o drama social implica a estrutura de um processo social que come\u00e7a e termina. Portanto, n\u00e3o sei se seria um drama social nos termos de Turner, talvez como uma express\u00e3o literal, o que vivenciamos em nossos pa\u00edses poderia ser. Por outro lado, o trabalho de Bourdieu \u00e9 suficientemente abstrato, a teoria dos campos e capitais \u00e9 adaptada para pensar sobre o campo rodovi\u00e1rio: como ele \u00e9 estruturado, quais agentes existem, quais capitais s\u00e3o trocados e acumulados. Empresas de transporte, empresas de t\u00e1xi, motoristas particulares, pedestres, empresas que interv\u00eam na constru\u00e7\u00e3o do campo vi\u00e1rio material, aqueles que fazem sem\u00e1foros, aqueles que pintam as ruas, n\u00e3o sei, um n\u00famero infinito. Ent\u00e3o seria assim, isso me ajuda a pensar, \u00e9 uma ferramenta que n\u00e3o me sobrecarrega muito, n\u00e3o sou obrigado a ir at\u00e9 aqui porque Bourdieu disse, eu pego e depois manobro.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Voc\u00ea mencionou que nem sequer falaria sobre antropologia urbana porque v\u00ea o frasco em outros contextos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>\u00c9 claro que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Estou muito curioso para saber se voc\u00ea j\u00e1 pensou sobre as coreografias das estradas das comunidades ind\u00edgenas onde estudou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Eu pensei sobre isso, exatamente na pergunta anterior. N\u00e3o comentei essa parte, eu lhe disse que a perspectiva me permitiu superar a descontinuidade espacial n\u00e3o urbana, acho que no caso das comunidades Toba. De fato, para fazer uma pesquisa com elas sob a perspectiva da antropologia rodovi\u00e1ria, eu observaria o efeito da modernidade perif\u00e9rica. Em uma \u00e1rea perif\u00e9rica do pa\u00eds, essa modernidade implica que as comunidades t\u00eam estradas de terra. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, elas eram asfaltadas e pavimentadas, de modo que as pessoas n\u00e3o aprenderam a calcular a velocidade desde o horizonte at\u00e9 chegarem ao seu lado. Isso gera muitas mortes de pessoas para as quais o carro que passava nas estradas vinha muito r\u00e1pido; quando tentavam atravessar, para elas o carro que se aproximava estava l\u00e1 no horizonte; na estrada de terra, o tempo que os carros levam para se aproximar de voc\u00ea ao atravessar uma estrada \u00e9 maior, mas com asfalto eles chegam rapidamente. Ent\u00e3o, bem, nesse contexto, devemos nos perguntar \"como eles atravessam aqui, como eles v\u00e3o, como eles usam, como eles se apropriam, eles usam muito a bicicleta, sem luzes, contra a m\u00e3o\". Isso tamb\u00e9m tem a ver com uma capacidade limitada de capital e confian\u00e7a em suas tradi\u00e7\u00f5es sensoriais. Quero dizer, eu vejo a noite, estou acostumado com isso, mas o carro n\u00e3o v\u00ea voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>E quando nessas comunidades n\u00e3o h\u00e1 toda essa infraestrutura material que h\u00e1 nas cidades, onde s\u00e3o identificadas as coreografias das estradas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o, da mesma forma. N\u00e3o importa que n\u00e3o seja pavimentada.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Mas n\u00e3o h\u00e1 corpos met\u00e1licos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>N\u00e3o, haver\u00e1 motocicletas, semi-met\u00e1licos, bicicletas e pedestres.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Em outra de suas obras,<em> Corpos e espa\u00e7os plurais: sobre a l\u00f3gica espacial da pr\u00e1tica etnogr\u00e1fica <\/em>(2005)<em>,<\/em> Li o caso de \u00c1ngel, um ind\u00edgena Toba que gerou uma experi\u00eancia digna de ser contada e que me parece ser uma ponte incr\u00edvel entre suas duas experi\u00eancias de campo. Nesse texto, voc\u00ea fala sobre a experi\u00eancia antropol\u00f3gica ao contr\u00e1rio, j\u00e1 que \u00c1ngel vai \u00e0 sua casa em vez de o antrop\u00f3logo ir \u00e0 dele. Que reflex\u00f5es sobre o urbano isso gerou em voc\u00ea, como \u00c1ngel vivia na cidade e o que isso o fez repensar?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Primeiro, isso me fez pensar que eu tinha um problema em trabalhar com Angel no meu espa\u00e7o dom\u00e9stico, quando, nos meus termos acad\u00eamicos, o trabalho sempre acontecia depois de eu ter feito um grande movimento espacial, um deslocamento. Isso realmente me desorientou muito, achei que a \u00fanica maneira poss\u00edvel era l\u00e1, ele, no lugar dele, n\u00e3o em minha casa. Eu me sentia violada em meu espa\u00e7o dom\u00e9stico. \u00c1ngel sempre teve muita experi\u00eancia em ambientes urbanos, era um grande viajante; foi para o Paraguai, Assun\u00e7\u00e3o, a capital de Formosa, que \u00e9 uma cidade grande, Resistencia, outra cidade na prov\u00edncia de Chaco, Santa F\u00e9, Buenos Aires, Mendoza; ele j\u00e1 tinha treinamento urbano e era um grande ca\u00e7ador, ent\u00e3o se localizava muito bem, como podia, mas se localizava. N\u00e3o vi nenhuma desorienta\u00e7\u00e3o da parte dele nem nada, mas vi que era um espa\u00e7o com o qual ele estava acostumado. OK, Buenos Aires \u00e9 mais urbana, mas bem, eu o vi muito bem, solto, calmo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>O que nossas reflex\u00f5es e etnografias urbanas de cidades latino-americanas t\u00eam a contribuir para o campo das ci\u00eancias sociais?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Muitas coisas: entender a l\u00f3gica do uso do espa\u00e7o por diferentes setores, os significados do espa\u00e7o, ouvir as demandas por melhores servi\u00e7os, a constru\u00e7\u00e3o de significados. Em termos de cidadania, que qualidade de vida eles querem, que tipo de espa\u00e7o, que tipo de cidade. Esses tipos de quest\u00f5es s\u00e3o importantes e n\u00e3o s\u00e3o muito bem conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Por fim, gostaria de saber como voc\u00ea se sente ao se mudar para o M\u00e9xico e quais coreografias voc\u00ea identificou que temos em comum com a Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Aqui \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar o que eu conhe\u00e7o da Cidade do M\u00e9xico e de Guadalajara. Na Cidade do M\u00e9xico, \u00e9 mais dif\u00edcil prever manobras, \u00e9 muito dif\u00edcil atravessar a rua e \u00e9 dif\u00edcil andar em um t\u00e1xi que vai muito r\u00e1pido e evita obst\u00e1culos com muita criatividade, como surfar na rua e n\u00e3o entrar em sua pr\u00f3pria faixa. Aqui o tr\u00e2nsito \u00e9 muito mais lento, eles respeitam mais as regras, mais ou menos imagino que sejam semelhantes \u00e0s da Argentina, mas aqui voc\u00ea n\u00e3o pode mudar de faixa, eles n\u00e3o deixam, voc\u00ea tem que esperar a sua vez. Na Cidade do M\u00e9xico eles n\u00e3o deixam, eles entram; em Buenos Aires \u00e9 como l\u00e1. Aqui eu vejo muitos carros que saem muito devagar, um argentino ou algu\u00e9m da Cidade do M\u00e9xico entraria imediatamente, a l\u00f3gica dita que, se houver um espa\u00e7o vazio, ele pode ser meu, embora, por causa dos regulamentos, voc\u00ea tenha que esperar ou ligar o pisca-alerta e fazer uma s\u00e9rie de coisas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CG. <\/em>Na s\u00e9rie de document\u00e1rios <em>Corpos met\u00e1licos, <\/em>Em um programa transmitido pelo canal Encuentro na Argentina, no qual foram compiladas v\u00e1rias de suas reflex\u00f5es sobre essas quest\u00f5es, aparece uma mo\u00e7a que diz algo que considero sugestivo: \"dirigimos como somos\".<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PW. <\/strong>Sim, pode ser. O tipo de dist\u00e2ncia interpessoal, os gestos, sim, se vamos por muitos ou por poucos, de m\u00e3os dadas ou sem m\u00e3os, sim, pode ser.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">B\u00fcscher, M., y J. Urry (2009). \u201cMobile Methods and the Empirical\u201d. <em>European Journal of Social Theory, <\/em>12 (99), 99-116.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Goffman, E. (1993). <em>La presentaci\u00f3n de la persona en la vida cotidiana. <\/em>Buenos Aires: Amorrortu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lind\u00f3n, A. (2007). \u201cDi\u00e1logo con N\u00e9stor Garc\u00eda Canclini \u00bfQu\u00e9 son los imaginarios y c\u00f3mo act\u00faan en la ciudad?\u201d. <em>Eure<\/em>, 33 (99), 89-99.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mauss, M. (1979). <em>Sociolog\u00eda y antropolog\u00eda. <\/em>Par\u00eds: Tecnos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Scott, J. (2012). <em>Elogio del anarquismo<\/em>. Barcelona: Cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wright, P. (2000)<em>. Los viajes de Foucault y la materialidad de los signos: Philadelphia Buenos Aires. <\/em>VI Congreso Argentino de Antropolog\u00eda Social, Mar del Plata. Recuperado de: https:\/\/www.academia.edu\/31490395\/los_viajes_de_foucault_y_la_materialidad_de_los_signos_philadelphia_buenos_aires.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2005). \u201cCuerpos y espacios plurales: sobre la raz\u00f3n espacial de la pr\u00e1ctica etnogr\u00e1fica\u201d. <em>Indiana<\/em>, (22), 55-72.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2013). \u201cImaginarios, s\u00edmbolos y coreograf\u00edas viales: una perspectiva antropol\u00f3gica\u201d. <em>Seguridad Vial, <\/em>(121), 18-22.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wright, P., D. Moreira y M. Soich (2007). \u201cAntropolog\u00eda vial: s\u00edmbolos, met\u00e1foras y pr\u00e1cticas en el \u201cjuego de la calle\u201d de conductores y peatones en Buenos Aires\u201d. Recuperado de: https:\/\/redseguridadvial.files.wordpress.com\/2011\/02\/paper-vial-2.pdf.<\/p>\n\n\n<div class=\"notas invisible\" id=\"notas-fixed\"><div class=\"nota invisible\" id=\"footnote1\">1 O di\u00e1logo, que durou 52 minutos, ocorreu no contexto da reuni\u00e3o acad\u00eamica <em>As ci\u00eancias sociais aqui e agora. Sentidos e perspectivas do of\u00edcio da pesquisa, <\/em>organizado pelo Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social (ciesas) sede Occidente em 8 de novembro de 2014. <\/div><br \/>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote2\">2 Ruta \u00e9 uma forma de se referir ao que conhecemos no M\u00e9xico como estradas. <\/div><br \/>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seguir, apresentamos uma conversa sobre o papel da antropologia no estudo do comportamento vi\u00e1rio, as rela\u00e7\u00f5es entre infraestruturas materiais e estruturas simb\u00f3licas, as express\u00f5es pol\u00edticas da mobilidade urbana e a discuss\u00e3o de v\u00e1rias ideias e posi\u00e7\u00f5es do Dr. Pablo Wright sobre o que ele chama de \"antropologia vi\u00e1ria\". Alguns detalhes, como a rebeldia simb\u00f3lica dos pedestres urbanos, o design e a implementa\u00e7\u00e3o de metodologias m\u00f3veis para pesquisa e o comportamento vi\u00e1rio como um campo em disputa entre o estado e os cidad\u00e3os no contexto latino-americano, s\u00e3o explorados com mais detalhes.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":30223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[232,235,234,233,237,236],"coauthors":[551],"class_list":["post-30063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-12","tag-antropologia-urbana","tag-infraestructura-moral","tag-metodologia-cualitativa","tag-movilidad","tag-normas-viales","tag-transporte-publico","personas-grimaldo-o-christian","personas-wright-pablo","numeros-217"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Se presenta a continuaci\u00f3n una conversaci\u00f3n acerca del papel de la antropolog\u00eda en el estudio de las conductas viales, las relaciones entre infraestructuras materiales y estructuras simb\u00f3licas, las expresiones pol\u00edticas de la movilidad urbana y la discusi\u00f3n de diversas ideas y posturas del doctor Pablo Wright acerca de lo que denomina una \u201cantropolog\u00eda vial\u201d. Se profundiza en algunos detalles como la rebeld\u00eda simb\u00f3lica de los transe\u00fantes urbanos, el dise\u00f1o e implementaci\u00f3n de metodolog\u00edas m\u00f3viles para la investigaci\u00f3n y las conductas viales como un campo en disputa entre el Estado y los ciudadanos en el contexto de Am\u00e9rica Latina.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-03-21T11:48:48+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-04-24T17:01:25+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"892\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"255\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"30 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural\",\"datePublished\":\"2018-03-21T11:48:48+00:00\",\"dateModified\":\"2024-04-24T17:01:25+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/\"},\"wordCount\":7218,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg\",\"keywords\":[\"antropolog\u00eda urbana\",\"infraestructura moral\",\"metodolog\u00eda cualitativa\",\"movilidad\",\"normas viales\",\"transporte p\u00fablico\"],\"articleSection\":[\"Entrevistas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/\",\"name\":\"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural &#8211; Encartes\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg\",\"datePublished\":\"2018-03-21T11:48:48+00:00\",\"dateModified\":\"2024-04-24T17:01:25+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg\",\"width\":892,\"height\":255},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/encartes.mx\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"name\":\"Encartes\",\"description\":\"Revista digital multimedia\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\",\"name\":\"Encartes Antropol\u00f3gicos\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png\",\"width\":338,\"height\":306,\"caption\":\"Encartes Antropol\u00f3gicos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\",\"name\":\"Arthur Ventura\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"caption\":\"Arthur Ventura\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural &#8211; Encartes","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural &#8211; Encartes","og_description":"Se presenta a continuaci\u00f3n una conversaci\u00f3n acerca del papel de la antropolog\u00eda en el estudio de las conductas viales, las relaciones entre infraestructuras materiales y estructuras simb\u00f3licas, las expresiones pol\u00edticas de la movilidad urbana y la discusi\u00f3n de diversas ideas y posturas del doctor Pablo Wright acerca de lo que denomina una \u201cantropolog\u00eda vial\u201d. Se profundiza en algunos detalles como la rebeld\u00eda simb\u00f3lica de los transe\u00fantes urbanos, el dise\u00f1o e implementaci\u00f3n de metodolog\u00edas m\u00f3viles para la investigaci\u00f3n y las conductas viales como un campo en disputa entre el Estado y los ciudadanos en el contexto de Am\u00e9rica Latina.","og_url":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/","og_site_name":"Encartes","article_published_time":"2018-03-21T11:48:48+00:00","article_modified_time":"2024-04-24T17:01:25+00:00","og_image":[{"width":892,"height":255,"url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Arthur Ventura","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Arthur Ventura","Est. tempo de leitura":"30 minutos","Written by":"Arthur Ventura"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/"},"author":{"name":"Arthur Ventura","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef"},"headline":"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural","datePublished":"2018-03-21T11:48:48+00:00","dateModified":"2024-04-24T17:01:25+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/"},"wordCount":7218,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg","keywords":["antropolog\u00eda urbana","infraestructura moral","metodolog\u00eda cualitativa","movilidad","normas viales","transporte p\u00fablico"],"articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/","name":"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural &#8211; Encartes","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg","datePublished":"2018-03-21T11:48:48+00:00","dateModified":"2024-04-24T17:01:25+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#primaryimage","url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg","contentUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg","width":892,"height":255},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/encartes.mx\/la-antropologia-vial-una-propuesta-para-el-estudio-de-la-movilidad-como-campo-cultural\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/encartes.mx\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"La antropolog\u00eda vial, una propuesta para el estudio de la movilidad como campo cultural"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website","url":"https:\/\/encartes.mx\/","name":"Encartes","description":"Revista digital multimedia","publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization","name":"Encartes Antropol\u00f3gicos","url":"https:\/\/encartes.mx\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png","contentUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png","width":338,"height":306,"caption":"Encartes Antropol\u00f3gicos"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef","name":"Arthur Ventura","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","caption":"Arthur Ventura"}}]}},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DSCN0416-1-e1521484906426.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30063"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30063\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38840,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30063\/revisions\/38840"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30063"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=30063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}