{"id":29635,"date":"2018-03-21T11:51:00","date_gmt":"2018-03-21T11:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=29635"},"modified":"2023-11-17T19:17:04","modified_gmt":"2023-11-18T01:17:04","slug":"los-altares-del-cuerpo-como-resistencia-ante-el-poder-carcelario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/los-altares-del-cuerpo-como-resistencia-ante-el-poder-carcelario\/","title":{"rendered":"Altares do corpo como resist\u00eancia ao poder da pris\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este texto faz parte de um projeto de pesquisa realizado no Centro de Reinser\u00e7\u00e3o Social para Homens Santa Marta, na Cidade do M\u00e9xico, cujo principal objetivo era conhecer a pr\u00e1tica do culto \u00e0 \"Santa Muerte\" nessa institui\u00e7\u00e3o prisional. V\u00e1rios temas surgiram dessa proposta, sendo um deles o uso do corpo e sua rela\u00e7\u00e3o com as pr\u00e1ticas religiosas em um contexto em que o controle \u00e9 onipresente. Primeiro examinaremos em que consiste esse controle prisional e depois consideraremos a import\u00e2ncia do corpo como forma de resist\u00eancia a esse poder prisional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/altares\/\" rel=\"tag\">altares<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/cuerpo\/\" rel=\"tag\">corpo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/prision\/\" rel=\"tag\">pris\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/resistencia\/\" rel=\"tag\">resist\u00eancia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/santa-muerte\/\" rel=\"tag\">Santa Muerte<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/tatuajes\/\" rel=\"tag\">tatuagens<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">Os altares do corpo como resist\u00eancia ao poder da pris\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">O presente ensaio descreve uma pesquisa selecionada realizada no Centro de Reinser\u00e7\u00e3o Social Masculino de Santa Marta, na Cidade do M\u00e9xico, cujo principal objetivo era entender as pr\u00e1ticas religiosas da Santa Muerte nesse centro correcional. A proposta deu origem a uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, incluindo o uso do corpo e a rela\u00e7\u00e3o do corpo com as pr\u00e1ticas religiosas, em um contexto em que o controle \u00e9 onipresente. A natureza desse controle relacionado \u00e0 pris\u00e3o \u00e9 revelada para, em seguida, apresentar uma tese sobre a import\u00e2ncia do corpo como um meio de resistir ao poder relacionado \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: Santa Muerte, pris\u00e3o, corpo, tatuagens, altares, resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">O culto \u00e0 Santa Muerte \u00e9 um dos fen\u00f4menos religiosos cuja expans\u00e3o e difus\u00e3o t\u00eam sido constantes desde a primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo no M\u00e9xico e chegou at\u00e9 mesmo aos Estados Unidos; ele se posicionou como mais uma oferta no mercado religioso mexicano.<\/p>\n\n\n\n<p>O culto foi objeto de v\u00e1rias pesquisas que tentaram responder a origem dessas cren\u00e7as, mas sempre come\u00e7ando com o s\u00edmbolo da morte e sua transforma\u00e7\u00e3o em nossa cultura (Malvido, 2005; Lomnitz, 2006; Perdig\u00f3n, 2008). Outras pesquisas tentaram explicar alguns dos processos sociais que permitiram que a Santa Muerte tivesse tantos seguidores e se expandisse em v\u00e1rias partes do pa\u00eds (Fragoso Lugo, 2007; Kristensen e Adeath, 2007; Castells Ballarin, 2008; Reyes, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Algo que n\u00e3o passou despercebido nesse culto s\u00e3o seus devotos e as caracter\u00edsticas do setor sociocultural ao qual muitos deles pertencem. Entre os v\u00e1rios estudos que abordaram direta ou indiretamente o tema da Santa Muerte, foi capturada a rela\u00e7\u00e3o entre esse n\u00famero e a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria (Lerma, 2004; Pay\u00e1, 2006; Pay\u00e1 <em>et al<\/em>2013) ou que t\u00eam familiares que foram presos (Kristensen, 2011, 2015; Fragoso Lugo, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Somente na Cidade do M\u00e9xico, de 1992 a 2005, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria aumentou consideravelmente, assim como o n\u00famero de altares de rua da Santa Muerte, cujo n\u00famero aumentou especialmente em lugares como Nezahualc\u00f3yotl, Ecatepec, Atizap\u00e1n de Zaragoza, Chimalhuac\u00e1n. \"Esses altares tamb\u00e9m estavam em \u00e1reas com altos n\u00edveis de viol\u00eancia e grandes popula\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias\".<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> (Kristensen, 2011: 551).<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema penitenci\u00e1rio apresenta v\u00e1rias ambiguidades, inclusive corrup\u00e7\u00e3o dentro do sistema judici\u00e1rio. Muitos dos prisioneiros s\u00e3o frequentemente detidos antes de serem investigados e durante as investiga\u00e7\u00f5es, ou seja, passam pelo menos seis meses na pris\u00e3o durante \"o processo\". Alguns s\u00e3o presos sem serem culpados ou cumprem longas penas por delitos menores. Nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o, aparece a Santa Muerte, que recompensa e pune, uma figura sagrada t\u00e3o amb\u00edgua quanto o pr\u00f3prio sistema judici\u00e1rio. Muitos dos presos,<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> De acordo com Regnar, eles se aproximam de Santa Muerte pedindo que ela acelere o processo para obter uma senten\u00e7a e deixe a incerteza do processo prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, apenas alguns estudos trataram indiretamente da presen\u00e7a da Santa Muerte na pris\u00e3o. O soci\u00f3logo V\u00edctor Alejandro Pay\u00e1 descobriu que, dentro das pris\u00f5es, a morte e o dem\u00f4nio s\u00e3o adorados (2006: 243). Por outro lado, uma investiga\u00e7\u00e3o realizada em uma pris\u00e3o feminina explica como, na vida cotidiana do confinamento, algumas prisioneiras mantinham cren\u00e7as m\u00e1gicas, entre elas a da Santa Muerte:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Os prisioneiros acreditam nela como um ref\u00fagio, especialmente porque, segundo eles, ela \u00e9 a \u00fanica que \"satisfaz seus caprichos\", e estando em um lugar cheio de incertezas, onde a liminaridade absorve e viver \u00e9 como estar morto, acreditar em Santa Muerte \u00e9 se apegar \u00e0quela que os entende (Lerma, 2004: 128).<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo faz parte de uma investiga\u00e7\u00e3o mais ampla (Yllescas, 2016) realizada no Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o Masculina Santa Marta, na Cidade do M\u00e9xico, cujo principal objetivo era descobrir como o culto \u00e0 Santa Muerte era praticado em um local de pris\u00e3o. Entre os resultados dessa pesquisa estava a forma como os detentos usam seus corpos como uma forma de resist\u00eancia ao poder da pris\u00e3o, usando tatuagens para se marcarem com diferentes s\u00edmbolos, a maioria dos quais alude a quest\u00f5es religiosas e familiares. Al\u00e9m disso, o corpo se torna um altar ou reposit\u00f3rio de rituais que permite que os presos estabele\u00e7am uma conex\u00e3o com o sagrado. Uma das regras da pris\u00e3o \u00e9 que, l\u00e1 dentro, voc\u00ea s\u00f3 precisa ver, ouvir e ficar em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Pris\u00e3o (jail, <em>fazenda de gado leiteiro<\/em>, <em>barco<\/em>, <em>cana<\/em> s\u00e3o alguns dos nomes dados a ela) \u00e9, sem d\u00favida, uma institui\u00e7\u00e3o de controle. Citando Foucault, que em sua proposta te\u00f3rica define a pris\u00e3o como uma institui\u00e7\u00e3o onidisciplinar, ela \u00e9 \"um aparato disciplinar exaustivo. Em v\u00e1rios sentidos: deve tratar de todos os aspectos do indiv\u00edduo, de sua educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, de sua aptid\u00e3o para o trabalho, de sua conduta cotidiana, de sua atitude moral\" (Foucault, 2005: 235). Ela representa um espa\u00e7o de confinamento onde ocorrem intera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de natureza disciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a pris\u00e3o pode ser entendida como uma institui\u00e7\u00e3o total, que Goffman define como<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">um local de resid\u00eancia e trabalho onde um grande n\u00famero de indiv\u00edduos com situa\u00e7\u00e3o semelhante, isolados da sociedade por um per\u00edodo de tempo consider\u00e1vel, compartilham em seu confinamento uma rotina di\u00e1ria formalmente administrada (2007: 13).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre essas institui\u00e7\u00f5es, ele distingue pelo menos cinco tipos: aquelas que servem para cuidar de pessoas inofensivas, como lares para idosos; aquelas que cuidam de pessoas que n\u00e3o podem cuidar de si mesmas e s\u00e3o uma amea\u00e7a n\u00e3o intencional \u00e0 sociedade, como hospitais psiqui\u00e1tricos; um terceiro tipo de institui\u00e7\u00e3o total \u00e9 organizado para proteger a comunidade contra aqueles que intencionalmente constituem um perigo para ela, e as pris\u00f5es pertencem a esse tipo; outro grupo de institui\u00e7\u00f5es \u00e9 deliberadamente destinado ao melhor cumprimento de uma tarefa de car\u00e1ter trabalhista e, por fim, ele menciona estabelecimentos concebidos como abrigos do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o soci\u00f3logo classifica as institui\u00e7\u00f5es totais pela semelhan\u00e7a que apresentam em suas din\u00e2micas de intera\u00e7\u00e3o; nas pris\u00f5es h\u00e1 aqueles que s\u00e3o \"intencionalmente\" perigosos e aos quais n\u00e3o \u00e9 garantido o bem-estar. Entre suas caracter\u00edsticas est\u00e3o o rompimento com as atividades comuns (dormir, brincar, trabalhar, comer) que os sujeitos normalmente realizam fora de casa sem nenhuma autoridade para medi\u00e1-las, enquanto nas institui\u00e7\u00f5es totais essas atividades est\u00e3o sujeitas a autoridades, programadas com um plano racional a ser executado; al\u00e9m disso, s\u00e3o realizadas no mesmo local e sob a mesma autoridade. A atividade di\u00e1ria dos membros da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada na companhia imediata de um grande n\u00famero de outras pessoas, que s\u00e3o tratadas da mesma forma e precisam fazer as mesmas coisas juntas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica importante das institui\u00e7\u00f5es totais s\u00e3o os aparatos burocr\u00e1ticos encarregados de lidar com as necessidades dos detentos da institui\u00e7\u00e3o. Entre a burocracia est\u00e1 a equipe de cust\u00f3dia. Esses funcion\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o encarregados de dar orienta\u00e7\u00e3o ou fazer inspe\u00e7\u00f5es regulares das pessoas sob seus cuidados, mas de<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">para garantir que todos fa\u00e7am o que lhes foi claramente exigido, em condi\u00e7\u00f5es em que a infra\u00e7\u00e3o de um indiv\u00edduo provavelmente se destacaria em relevo singular contra o pano de fundo da subjuga\u00e7\u00e3o geral, vis\u00edvel e comprovada (Goffman, 2007: 20).<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, h\u00e1 um grupo subjugado, os presos, e um pequeno grupo de funcion\u00e1rios que os gerencia e que s\u00e3o os supervisores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os presos vivem dentro de casa e t\u00eam contato limitado com o mundo al\u00e9m dos muros da institui\u00e7\u00e3o total, enquanto o restante da equipe (burocr\u00e1tica) trabalha poucas horas e sai constantemente. Os presos e os funcion\u00e1rios geralmente se representam mutuamente em estere\u00f3tipos r\u00edgidos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Os funcion\u00e1rios tendem a julgar os detentos como cru\u00e9is, traumatizados e indignos de confian\u00e7a; os detentos tendem a considerar os funcion\u00e1rios como petulantes, desp\u00f3ticos e mesquinhos. Os funcion\u00e1rios tendem a se sentir superiores e justos; os presos tendem a se sentir inferiores, fracos, culpados e culpados (Goffman, 2007: 21).<\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o entre os dois estratos \u00e9 regularmente restrita e realizada com tons de voz especiais; as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o frequentemente limitadas entre os dois, especialmente os planos dos funcion\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o aos detentos; as restri\u00e7\u00f5es ao contato ajudam a manter os estere\u00f3tipos.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade de trabalho \u00e9 programada pela parte burocr\u00e1tica da institui\u00e7\u00e3o; nesse sentido, o incentivo ao trabalho n\u00e3o tem o significado que tem fora dela, de modo que diferentes atitudes e motiva\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho s\u00e3o geradas por parte dos detentos; Essa situa\u00e7\u00e3o pode levar ao fato de que o pouco trabalho exigido gera t\u00e9dio entre os detentos, pois o trabalho pode ser lento e com pagamento m\u00ednimo, mas tamb\u00e9m h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es totais nas quais \"\u00e9 exigido mais do que um dia comum de trabalho \u00e1rduo e, para incentivar o cumprimento, n\u00e3o s\u00e3o oferecidas recompensas, mas amea\u00e7as de puni\u00e7\u00e3o f\u00edsica\" (Goffman, 2007: 23).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro controle que as institui\u00e7\u00f5es totais exercem sobre os detentos est\u00e1 em suas rela\u00e7\u00f5es familiares. O contato com a fam\u00edlia \u00e9 controlado e at\u00e9 programado. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante que os detentos tenham contato com suas fam\u00edlias e, assim, sejam removidos da institui\u00e7\u00e3o total; \u00e9 uma garantia de resist\u00eancia permanente contra as institui\u00e7\u00f5es totais. Em geral, Goffman diz que \"a institui\u00e7\u00e3o total \u00e9 um h\u00edbrido social, parte comunidade residencial e parte organiza\u00e7\u00e3o formal\" (2007: 25) e, portanto, \u00e9 importante para a an\u00e1lise sociol\u00f3gica e antropol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi muito importante levar em conta essa perspectiva te\u00f3rica na pesquisa, pois ela aborda o papel da religiosidade em torno da Santa Muerte em uma institui\u00e7\u00e3o de tipo pris\u00e3o total, a partir da perspectiva dos espa\u00e7os dos funcion\u00e1rios e dos espa\u00e7os dos detentos. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel entender como os detentos se apropriam de seus espa\u00e7os, colocando altares ou imagens religiosas em suas celas ou nos corredores, aplicando uma racionalidade diferente da dos funcion\u00e1rios da pris\u00e3o, que projetaram os espa\u00e7os dos detentos com outras fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em institui\u00e7\u00f5es totais, como as pris\u00f5es, todas as atividades s\u00e3o organizadas e controladas pelo aparato burocr\u00e1tico ou pela equipe. As pr\u00e1ticas religiosas n\u00e3o escapam a esse controle, pois os funcion\u00e1rios que administram a pris\u00e3o estabelecem regras para que elas possam ser realizadas ou n\u00e3o. Embora no discurso da legalidade e dos direitos que cada pessoa tem, esteja estabelecido que todos s\u00e3o livres para praticar ou n\u00e3o uma religi\u00e3o, dentro das pris\u00f5es essa liberdade \u00e9 geralmente respeitada, mas com algumas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No Centro Varonil de Reinserci\u00f3n Social h\u00e1 duas capelas nas \u00e1reas comuns, uma cat\u00f3lica e outra protestante, nas quais s\u00e3o realizadas atividades para recrea\u00e7\u00e3o familiar ou para que os presos tentem mudar e refletir sobre seu comportamento. Os funcion\u00e1rios da pris\u00e3o reconhecem como boa pr\u00e1tica uma mudan\u00e7a percept\u00edvel no comportamento dos detentos que participam de atividades nas igrejas cat\u00f3lica e protestante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambas as capelas, s\u00e3o realizadas cerim\u00f4nias religiosas, a B\u00edblia \u00e9 lida e at\u00e9 retiros espirituais s\u00e3o organizados na capela cat\u00f3lica. Ou, no caso da capela protestante, os pastores v\u00eam de diferentes lugares para ajudar os presos. No entanto, nem todos os prisioneiros frequentam as capelas por causa de sua f\u00e9, mas por causa dos benef\u00edcios que podem obter tanto em seu processo de senten\u00e7a quanto em termos mais imediatos, pois podem receber alimentos ou produtos de limpeza, que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de obter dentro da pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os detentos que praticam outras pr\u00e1ticas religiosas, como a Santa Muerte, s\u00e3o proibidos de montar altares ou colocar ef\u00edgies em espa\u00e7os p\u00fablicos dentro da CEVARESO. Os locais para a pr\u00e1tica da Santa Muerte ou do culto ao dem\u00f4nio e da Santeria s\u00e3o as celas e os corredores, espa\u00e7os que n\u00e3o s\u00e3o acess\u00edveis ao p\u00fablico e s\u00e3o mantidos escondidos da vista dos familiares e de outras autoridades. \u00c9 uma forma de encobrir esse tipo de religiosidade dentro da pris\u00e3o, que faz parte de um estigma negativo, pois \u00e9 considerado t\u00edpico de presos que n\u00e3o mudaram seu comportamento criminoso.<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-left\"><a title=\"Altar \u00e0 Santa Muerte em um corredor no CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/40848533102\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4782\/40848533102_fc1bf9f0cd.jpg\" alt=\"Altar a la Santa Muerte dentro de un pasillo en el CEVARESO.\" width=\"360\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/div>\n\n\n\n<p>O controle da express\u00e3o religiosa na pris\u00e3o \u00e9 muito claro, pois \u00e9 permitido colocar imagens ou s\u00edmbolos religiosos cat\u00f3licos em espa\u00e7os abertos, como cantinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os agentes penitenci\u00e1rios tentem estabelecer um sistema de controle sobre todas as atividades dos detentos, na realidade esse sistema tem seus limites; por exemplo, h\u00e1 espa\u00e7os em que os detentos vivem diariamente, como suas celas; h\u00e1 pris\u00f5es cujos espa\u00e7os de conviv\u00eancia s\u00e3o projetados para cinco ou seis detentos, mas na realidade at\u00e9 vinte pessoas vivem neles, o que d\u00e1 origem a disputas e formas muito singulares de acomodar os detentos nesses pequenos espa\u00e7os, e os detentos geram suas pr\u00f3prias alternativas para viver neles.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No CEVARESO, n\u00e3o h\u00e1 esse problema de alojamento celular; l\u00e1, uma cela projetada para cinco detentos geralmente tem cinco detentos. H\u00e1 at\u00e9 mesmo uma \u00e1rea de celas individuais onde s\u00e3o mantidos os presos que t\u00eam \"bom comportamento\" e que demonstraram \"melhora\". Dentro das celas, \u00e9 poss\u00edvel corroborar quais presos t\u00eam dinheiro e quais n\u00e3o t\u00eam, pois alguns deles t\u00eam televisores, colch\u00f5es, estantes; ou seja, embora os espa\u00e7os sejam concebidos e projetados para uma determinada forma de conviv\u00eancia, os presos fazem seus pr\u00f3prios ajustes e deixam sua identidade marcada.<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-wrapper\"><a title=\"Sala de jantar em uma \u00e1rea do CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/40848527142\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/810\/40848527142_e8e127511d_n.jpg\" alt=\"Comedor en una zona del CEVARESO.\" width=\"320\" height=\"212\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><a title=\"C\u00e9lula vazia dentro do CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/39996809545\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4788\/39996809545_5159271367_n.jpg\" alt=\"Celda vac\u00eda dentro del CEVARESO.\" width=\"320\" height=\"212\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><span class=\"clear\"><\/span><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O corpo como resist\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Caminhando pelos corredores e celas do CEVARESO, \u00e9 poss\u00edvel ver diferentes murais, muitos deles tendo a Santa Muerte como figura central, outros o dem\u00f4nio, santos cat\u00f3licos e muitos s\u00e3o apenas os nomes de alguns dos detentos que estiveram l\u00e1. Dessa forma, os prisioneiros se apropriam da pris\u00e3o, usando imagens com as quais se identificam ou que representam seu desejo de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos murais, as figuras religiosas aparecem acompanhadas de seus devotos, seja por meio do contorno de um corpo ou com a marca de seu nome; al\u00e9m disso, figuras que se referem ao acaso, como dados, s\u00e3o frequentemente pintadas, pois eles vivem em constante incerteza; eles tamb\u00e9m fazem refer\u00eancia ao peso do tempo na pris\u00e3o, retratando figuras de elefantes ou rel\u00f3gios nos murais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro das celas, os presos costumam colocar altares repletos de figuras feitas de diferentes materiais e acompanhados de murais com a figura do santo; essa atividade \u00e9 uma forma de resist\u00eancia ao controle da pris\u00e3o, j\u00e1 que esses espa\u00e7os foram originalmente projetados para colocar pertences pessoais, como roupas, e os presos se apropriam deles com suas cren\u00e7as e pr\u00e1ticas religiosas.<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-wrapper\"><a title=\"Mural de Santa Muerte em um corredor dentro do CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/26018284397\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4780\/26018284397_e35aeab3b9.jpg\" alt=\"Mural a la Santa Muerte en un pasillo dentro del CEVARESO.\" width=\"333\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><a title=\"Altares nas prateleiras de uma cela em CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/39996888895\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4785\/39996888895_fd7a800ac1.jpg\" alt=\"Altares en las repisas de una celda en el CEVARESO.\" width=\"329\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><span class=\"clear\"><\/span><\/div>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos murais nos corredores e dos altares nas prateleiras, h\u00e1 tamb\u00e9m o corpo dos detentos, que entra na mesma din\u00e2mica de resili\u00eancia, pois<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">torna-se um territ\u00f3rio privilegiado para a a\u00e7\u00e3o institucional. O corpo cativo \u00e9 propriedade do Estado, e o desafio do Estado \u00e9 aprision\u00e1-lo; um corpo desejante, em cont\u00ednuo movimento, sempre \u00e0 beira do tumulto e da transgress\u00e3o, raz\u00e3o pela qual sempre ser\u00e1 um alvo a ser subjugado (Pay\u00e1, 2006: 271).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora, na realidade, o corpo dos detentos n\u00e3o seja totalmente controlado e se torne um dos limites do poder e do controle da pris\u00e3o, uma vez que \"o corpo \u00e9 uma realidade significada\" (Aug\u00e9, 1998: 64) com uma individualidade caracterizada por experi\u00eancias e fisionomias individuais com as quais os detentos se diferenciam e se individualizam por meio da incorpora\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos por meio de tatuagens, que se tornam parte do corpo, personificando-o e dando-lhe um senso de autonomia.<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-right\"><a title=\"Tatuagem da Virgem de Guadalupe nas costas de um detento da CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/39996805255\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/803\/39996805255_b5b51d755a.jpg\" alt=\"Tatuaje de la Virgen de Guadalupe en la espalda de un interno del CEVARESO.\" width=\"331\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/div>\n\n\n\n<p>Dessa forma, os presos decidem em que parte do corpo colocar a tatuagem, as figuras que preferem de acordo com suas cren\u00e7as ou hist\u00f3ria pessoal. Por meio das marcas de tinta em sua pele, os detentos relembram sua vida em liberdade ou com a fam\u00edlia, capturam suas experi\u00eancias na pris\u00e3o e tamb\u00e9m expressam sua f\u00e9 por meio das tatuagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o uso de tatuagens seja uma pr\u00e1tica muito comum, nem todos os presos s\u00e3o tatuados, mas uma boa porcentagem \u00e9.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> As imagens mais frequentes s\u00e3o, em sua maioria, imagens religiosas, como a Virgem de Guadalupe, Cristos, cruzes, dem\u00f4nios, Santa Muerte. Ou tamb\u00e9m h\u00e1 tatuagens de rostos humanos, nomes de pessoas, datas significativas, figuras psicod\u00e9licas, frases famosas, entre muitas outras.<\/p>\n\n\n\n<p>As tatuagens variam em suas formas, tamanhos e na parte do corpo onde s\u00e3o colocadas, seja nas costas, no rosto, no pesco\u00e7o, na canela, na panturrilha, nos bra\u00e7os, nos peitorais, nas m\u00e3os, nos dedos. Os tamanhos variam desde os muito pequenos - como os feitos nos dedos - at\u00e9 os muito grandes, que cobrem todo o dorso ou o bra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das pr\u00e1ticas religiosas, as tatuagens se tornam um meio de vincular o portador ao seu numen. Por meio delas, os detentos podem se proteger do mal ou invoc\u00e1-lo, incorporam os pactos com suas cren\u00e7as e lhes d\u00e3o uma identidade. Mas essa identidade n\u00e3o \u00e9 exatamente aquela que alude ao pertencimento a um grupo, mas aquela que nasce de uma decis\u00e3o pessoal, de modo que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">a escolha do desenho responde, acima de tudo, a uma iniciativa pessoal e a uma prefer\u00eancia est\u00e9tica, n\u00e3o \u00e9 um gesto de ades\u00e3o. A liga\u00e7\u00e3o com o cosmos s\u00f3 pode existir, metaforicamente, se a hist\u00f3ria do indiv\u00edduo a articular por meio de um simbolismo que pertence somente a ele (Le Breton, 2013: 46).<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-wrapper\"><a title=\"Arquivo J. Adri\u00e1n Yllescas.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/39080935110\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4777\/39080935110_4834f81959.jpg\" alt=\"Archivo J. Adri\u00e1n Yllescas.\" width=\"311\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><a title=\"St. Jude vermelho no bra\u00e7o de um detento do CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/40182775304\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4781\/40182775304_b2a32ff1fb.jpg\" alt=\"San Judas rojo en el brazo de un interno del CEVARESO.\" width=\"281\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><span class=\"clear\"><\/span><\/div>\n\n\n<div class=\"iframe-wrapper\"><a title=\"Tatuagem da Virgem de Guadalupe no estilo &quot;Virgencita Plis&quot; no bra\u00e7o de um detento do CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/26018235917\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/785\/26018235917_57886cb63f.jpg\" alt=\"Tatuaje de la Virgen de Guadalupe al estilo \u201cVirgencita Plis\u201d en el brazo de un interno del CEVARESO.\" width=\"331\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><a title=\"Ora\u00e7\u00e3o e tatuagem de Santa Muerte nas costas de um detento da CEVARESO.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/27020012198\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4786\/27020012198_6679da59b9.jpg\" alt=\"Oraci\u00f3n y tatuaje de la Santa Muerte en la espalda de un interno del CEVARESO.\" width=\"331\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><span class=\"clear\"><\/span><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os altares do corpo<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Na pris\u00e3o, os corpos dos presos adornados com tatuagens religiosas s\u00e3o semelhantes a altares.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a>Porque, assim como os dep\u00f3sitos rituais, as tatuagens religiosas s\u00e3o colocadas no corpo com uma fun\u00e7\u00e3o e uma racionalidade espec\u00edficas. Assim como os objetos s\u00e3o colocados em um altar, colocados e protegidos para uma finalidade espec\u00edfica, a tinta \u00e9 colocada no corpo para comemorar a f\u00e9; ambos s\u00e3o meios de criar um v\u00ednculo com o sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os altares recebem um espa\u00e7o f\u00edsico para a realiza\u00e7\u00e3o de todos os tipos de pr\u00e1ticas rituais. Uma parte do corpo do devoto \u00e9 usada para colocar tatuagens, que depois s\u00e3o usadas para o ritual.<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-left\"><a title=\"Tatuagem da Santa Muerte vermelha.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/26018240597\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/793\/26018240597_39f8108e4e.jpg\" alt=\"Tatuaje de la Santa Muerte roja.\" width=\"331\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/div>\n\n\n\n<p>Os altares servem para exibir as prefer\u00eancias religiosas de cada devoto, e cada um dos objetos ali colocados tem uma hist\u00f3ria significativa para aqueles que os montam e os guardam. Da mesma forma, o corpo se torna um altar, pois os fi\u00e9is geralmente exibem suas tatuagens e mostram por meio delas suas afilia\u00e7\u00f5es religiosas. A tatuagem religiosa tem uma hist\u00f3ria significativa para quem a usa. Os presos incorporam suas cren\u00e7as por meio de suas tatuagens religiosas e, por meio delas, procuram sentir o sagrado em seu corpo, e o corpo se torna um ve\u00edculo de devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas entrevistas com os detentos, eles foram questionados sobre suas tatuagens e, quando falavam sobre o significado ou a hist\u00f3ria de sua tatuagem, faziam-no enquanto a tocavam ou acariciavam, direcionando a m\u00e3o e o olhar para ela. O gesto corporal era como o de guardar algo de valor, com movimentos sutis das m\u00e3os e dos olhos, como se estivessem se lembrando de algo.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das hist\u00f3rias das tatuagens se referiam a um pacto ou promessa que os prisioneiros fizeram com a Santa Muerte, como o preso conhecido como \"el Gato\" (o Gato). Ele, al\u00e9m de trabalhar em uma comiss\u00e3o dentro da CEVARESO, tamb\u00e9m se dedicava \u00e0 venda e ao arranjo de figuras da Santa Muerte feitas de papel mach\u00ea. \"El Gato\" tinha muitas tatuagens. Ele conhecia a Santa Muerte desde que era jovem em Oaxaca, gra\u00e7as a uma tia; \"El Gato\" concebe a Santa Muerte como uma bela mulher, uma virgem que deu sua carne por causa de uma crian\u00e7a e foi assim que ela ficou apenas com o esqueleto.<\/p>\n\n\n\n<p>A santa o ajudou a acompanhar seu irm\u00e3o, que foi despejado, durante sua agonia. \"El Gato\" prometeu a Santa Muerte que se ela o deixasse sair da pris\u00e3o nos Estados Unidos para que ele pudesse ver seu irm\u00e3o morrer, ele faria uma tatuagem dela. Em seu pedido, ele disse a ela que se ela quisesse que ele voltasse para a pris\u00e3o ap\u00f3s a morte de seu irm\u00e3o, e \u00e9 por isso, diz ele, que agora est\u00e1 preso novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pris\u00e3o, ele faz figuras de Santa Muerte que vende entre os pr\u00f3prios detentos, e tamb\u00e9m as faz sob encomenda e as vende do lado de fora. \"El Gato\" tamb\u00e9m sabe pintar, ele at\u00e9 pintou um dos murais da Santa Muerte nos corredores. Ele diz que vender as Santas Muertes \u00e9 uma maneira de ganhar dinheiro na CEVARESO e, dessa forma, tamb\u00e9m o ajuda. Ele j\u00e1 foi \"picado\" em uma briga e diz que foi salvo pela Santa Muerte. Outro milagre foi o fato de ele ter conseguido ver seu pai novamente depois de v\u00e1rios anos.<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-right\"><a title=\"Arquivo J. Adri\u00e1n Yllescas.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/39996830805\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/788\/39996830805_30e7ec4862.jpg\" alt=\"Archivo J. Adri\u00e1n Yllescas.\" width=\"331\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/div>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">R: E voc\u00ea tem tatuagens do Santo?<br>G: Das madrinhas que eu tenho... Todas elas est\u00e3o incompletas.<br>R: Por que, onde voc\u00ea os faz?<br>G: Na pris\u00e3o, a maioria deles est\u00e1 aqui.<br>R: Mas quem os faz para voc\u00ea?<br>G: Eu, todos esses aqui foram feitos por mim.<br>R: Como voc\u00ea as faz, existem m\u00e1quinas de tatuagem...?<br>G: N\u00e3o, mas voc\u00ea recebe um.<br>R: Como voc\u00ea os faz?<br>G: Bem, com o motor de um r\u00e1dio ou manualmente, basta pegar as agulhas...<br>R: O que \u00e9 a tinta?<br>V: Bem, de penas... Eu sei pintar.<br>R: E voc\u00ea as desenhou?<br>G: Esses s\u00e3o os t\u00famulos do meu irm\u00e3o, do meu amigo, isso significa a pris\u00e3o, esses s\u00e3o...<br>R: Qual deles \u00e9 da pris\u00e3o?<br>G: Aquela com as correntes. E aqui eu tenho, se voc\u00ea reparar, essa aqui; eu estava tatuando coisas que eu fazia quando era crian\u00e7a, quando n\u00e3o sabia o que era tatuagem porque tamb\u00e9m \u00e9 cultura, como arte, e aqui eu tenho o significado, os t\u00famulos dos meus irm\u00e3os, do meu amigo, e caveiras de pessoas que eu conheci que eu coloquei em forma de caveira e aqui eu tenho a madrinha vestida como se fosse a Virgem de Guadalupe, ela significa vida e morte. Meu sobrenome \u00e9 Ros\u00e1rio, essa cruz \u00e9 a cruz, voc\u00ea pode ver que tem uma caveira no meio, todas as outras, como essas, s\u00e3o s\u00f3 caveiras, mas eu quis tatuar, porque essa parte aqui est\u00e1 incompleta, eu vou te mostrar: a pessoa que est\u00e1 atr\u00e1s n\u00e3o \u00e9 a Virgem de Guadalupe, \u00e9 a Virgem de F\u00e1tima, aquela que supostamente \u00e9 a Morte antes de ser assim.<br>R: Para fazer uma tatuagem aqui, voc\u00ea, por exemplo, diz que com suas m\u00e1quinas, mas se n\u00e3o, a outra pessoa cobra por elas ou s\u00e3o favores entre voc\u00eas?<br>G: N\u00e3o, porque entre n\u00f3s, quando arranhamos, \u00e0s vezes, \"fa\u00e7a isso para mim e eu farei isso para voc\u00ea\". Em troca de coisas, como costumavam fazer antes, um escambo.<br>R: Quantas tatuagens voc\u00ea tem no total?<br>G: Tenho sete cr\u00e2nios, e aqui estou fazendo minhas costelas at\u00e9 abaixo da cintura. S\u00e3o cerca de nove.<br>(Entrevista com Adri\u00e1n Yllescas, fevereiro de 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>As tatuagens de Santa Muerte, al\u00e9m de representarem os pactos que os detentos fazem com ela, tamb\u00e9m funcionam como amuletos, pois eles se sentem protegidos; outra de suas fun\u00e7\u00f5es \u00e9 lembr\u00e1-los de um evento dif\u00edcil. Por exemplo, as tatuagens de Paredes o ajudaram a n\u00e3o se intimidar quando ele entrou na CEVARESO. Quando os prisioneiros o receberam, iam bater nele, mas quando viram que ele tinha a tatuagem de Santa Muerte, n\u00e3o fizeram nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">R: Essa tatuagem foi \u00fatil para voc\u00ea, para alguma coisa aqui?<br>P: N\u00e3o, \u00e9, n\u00e3o \u00e9? Voc\u00ea deve perceber que h\u00e1 muitas bandas aqui. <em>envelopes<\/em>Mas quero dizer, eu ando normalmente com minha camiseta. Quando eu cheguei no come\u00e7o, \"Ll\u00e9gale, puto, qu\u00e9 onda, vamos ver, o que voc\u00ea tem?\" e quando eles fazem isso (giram o bra\u00e7o) eles veem a imagem, eles a veem e \"Chale carnal, abre, vai jogar um papel\", passa outro que n\u00e3o tem uma imagem e n\u00e3o tem uma prote\u00e7\u00e3o. \"Eles os colocam em um cobertor, come\u00e7am a form\u00e1-los: \"Vamos ver, me d\u00ea alguns chocolates\". (Entrevista, Adri\u00e1n Yllescas, fevereiro de 2015).<\/p>\n\n\n<div class=\"iframe-wrapper\"><a title=\"O estagi\u00e1rio CEVARESO e suas tatuagens.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/40848535132\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/812\/40848535132_5396ea3d3a.jpg\" alt=\"Interno del CEVARESO y sus tatuajes.\" width=\"332\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><a title=\"O estagi\u00e1rio CEVARESO e suas tatuagens.\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/142811999@N05\/40848537522\/in\/photostream\/\" data-flickr-embed=\"true\" data-footer=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm1.staticflickr.com\/802\/40848537522_5c466151c2.jpg\" alt=\"Interno del CEVARESO y sus tatuajes.\" width=\"331\" height=\"500\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><span class=\"clear\"><\/span><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Foi poss\u00edvel observar como as pr\u00e1ticas religiosas dentro da pris\u00e3o s\u00e3o de alguma forma controladas, tanto as de religi\u00f5es institucionais cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 conter e controlar os presos por meio de disciplinas r\u00edgidas, com o objetivo de corrigir os presos que decidem participar dessas atividades religiosas que visam orientar e ajudar os presos por meio dos ensinamentos de Deus. Essas religi\u00f5es institucionais servem como um meio de controle institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, outros sistemas de cren\u00e7as, como a Santa Muerte, servem como formas de resist\u00eancia ao poder prisional, pois os prisioneiros se apropriam dos espa\u00e7os para expressar essas cren\u00e7as e s\u00e3o livres para realiz\u00e1-las de acordo com suas possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo tamb\u00e9m \u00e9 usado para expressar a resist\u00eancia ao controle da pris\u00e3o por meio de tatuagens, que s\u00e3o uma forma de corporeifica\u00e7\u00e3o das cren\u00e7as. Os detentos transformam seu corpo em um altar, onde desenham em sua carne as mem\u00f3rias, experi\u00eancias e s\u00edmbolos que lhes d\u00e3o identidade, e isso se torna um meio de conex\u00e3o e liga\u00e7\u00e3o com suas entidades sagradas. As tatuagens no corpo s\u00e3o uma forma de mostrar que eles n\u00e3o podem ser completamente despojados, que ainda est\u00e3o ligados ao exterior, mesmo que esse exterior s\u00f3 possa ser constantemente lembrado por meio de um desenho de tinta em sua pele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Aug\u00e9, Marc (1998). <em>Dios como objeto. S\u00edmbolos-cuerpos-materias-palabras<\/em>. Barcelona: Gedisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Castells Ballar\u00edn, Pilar (2008). \u201cLa Santa Muerte y los derechos humanos\u201d, <em>LiminaR. Estudios Sociales y Human\u00edsticos<\/em>, a\u00f1o 6, vol. vi, n\u00fam. 1, junio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Fragoso Lugo, Perla (2007). \u201cLa muerte santificada. La fe desde la vulnerabilidad: devoci\u00f3n y culto a la Santa Muerte en la ciudad de M\u00e9xico\u201d. Tesis de maestr\u00eda en antropolog\u00eda social. M\u00e9xico: CIESAS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Foucault, Michel (2005). <em>Vigilar y castigar. Nacimiento de la prisi\u00f3n<\/em>. M\u00e9xico: Siglo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Goffman, Erving (2007). <em>Internados. Sobre la situaci\u00f3n social de los enfermos mentales<\/em>. Buenos Aires: Amorrortu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lerma Rodr\u00edguez, Enriqueta (2004). \u201cRitos institucionales e instituyentes y creencias m\u00e1gicas en el Centro Femenil de Readaptaci\u00f3n Social de Tepepan\u201d. Tesis de licenciatura en sociolog\u00eda. M\u00e9xico: fes-Acatl\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Kristensen, Regnar (2011). <em>Postponing Death. Saints and Security in Mexico City<\/em>. Universidad de Copenhagen, Departamento de Antropolog\u00eda, Facultad de Ciencias Sociales. PhD Series n\u00fam. 68.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2015). \u201cLa Santa Muerte in Mexico City: The Cult and its Ambiguities\u201d. <em>Journal of Latin American Studies<\/em>, 47, pp.543-566.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 y Caludia Adeath (2007). <em>La Muerte de tu lado<\/em>. M\u00e9xico: Casa Vecina, colecci\u00f3n Libros de la Meseta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Le Breton, David (2013). <em>El tatuaje<\/em>. Madrid: Casimiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lomnitz, Claudio (2006). <em>La idea de la Muerte en M\u00e9xico<\/em>. M\u00e9xico: fce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Malvido, Elsa (2005). \u201cCr\u00f3nicas de la Buena Muerte a la Santa Muerte en M\u00e9xico\u201d, <em>Arqueolog\u00eda Mexicana<\/em>, vol. XIII, n\u00fam. 76, noviembre-diciembre, pp. 20-27.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pay\u00e1, V\u00edctor (2006). <em>Vida y muerte en la c\u00e1rcel. Estudio sobre la situaci\u00f3n institucional de los prisioneros<\/em>. M\u00e9xico: Plaza y Vald\u00e9s\/unam-Facultad de Estudios Superiores Acatl\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (coordinador), Grissel L\u00f3pez, Jovani Rivera y Quetzalli Rojas (colaboradores) (2013). <em>Mujeres en prisi\u00f3n. Un estudio socioantrop\u00f3logico de historias de vida y tatuaje<\/em>. M\u00e9xico: Juan Pablos Editor\/<span class=\"small-caps\">unam<\/span>-Facultad de Estudios Superiores Acatl\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Perdig\u00f3n Casta\u00f1eda, Katia J. (2008). <em>La Santa Muerte protectora de los hombres<\/em>. M\u00e9xico: inah.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Reyes Ruiz, Claudia (2010). <em>La Santa Muerte. Historia, realidad y mito de la \u201cni\u00f1a blanca\u201d<\/em>. M\u00e9xico: Porr\u00faa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rivera, Jovani (2011). <em>Cuerpo y ritualidad moderna: inscripciones corporales en mu- jeres prisioneras. <\/em>Tesis de licenciatura en Sociolog\u00eda. Ciudad de M\u00e9xico: Facultad de Estudios Superiores Acatl\u00e1n, <span class=\"small-caps\">unam<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Yllescas Illescas, Jorge Adri\u00e1n (2016). \u201cLa Santa Muerte: historias de vida y fe desde la c\u00e1rcel\u201d. Tesis de maestr\u00eda en en Antropolog\u00eda, M\u00e9xico, UNAM-FFYL\/IIA.<\/p>\n\n\n<div class=\"notas invisible\" id=\"notas-fixed\"><br \/>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote1\">1 Pesquisa para um mestrado em Antropologia <\/div><br \/>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote2\">2 \"Esses altares tamb\u00e9m estavam em \u00e1reas com altos n\u00edveis de viol\u00eancia e grandes popula\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias\". <\/div><br \/>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote3\">3 \u00c9 preciso deixar bem claro que h\u00e1 diferentes tipos de devotos (n\u00e3o apenas criminosos); h\u00e1 tamb\u00e9m comerciantes, policiais, crian\u00e7as, donas de casa, funcion\u00e1rios de escrit\u00f3rio....<\/div><br \/>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote4\">4 Alguns detentos dizem que, para dormir, podem se sentar no vaso sanit\u00e1rio ou se amarrar \u00e0s barras.<\/div><br \/>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote5\">5 O uso constante de tatuagens foi importante para a pesquisa, pois enquanto eu fazia os procedimentos administrativos para entrar no CEVARESO pude ouvir as hist\u00f3rias de vida na pris\u00e3o de alguns ex-presidi\u00e1rios que conheci nos altares de rua e que, quando perguntei sobre o significado de suas tatuagens, me contaram hist\u00f3rias que remetiam \u00e0s suas experi\u00eancias na pris\u00e3o.<\/div><br \/>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote6\">6 Jovani Rivera (2011) denominou as tatuagens religiosas como altares de pele e as considerou um ritual moderno praticado entre as mulheres presas.<\/div><br \/>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este texto faz parte de um projeto de pesquisa realizado no Centro de Reinser\u00e7\u00e3o Social para Homens Santa Marta, na Cidade do M\u00e9xico, cujo principal objetivo era conhecer a pr\u00e1tica do culto \u00e0 \"Santa Muerte\" nessa institui\u00e7\u00e3o prisional. V\u00e1rios temas surgiram dessa proposta, sendo um deles o uso do corpo e sua rela\u00e7\u00e3o com as pr\u00e1ticas religiosas em um contexto em que o controle \u00e9 onipresente. Primeiro examinaremos em que consiste esse controle prisional e depois consideraremos a import\u00e2ncia do corpo como forma de resist\u00eancia a esse poder prisional.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":30204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[60,58,57,61,56,59],"coauthors":[551],"class_list":["post-29635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-9","tag-altares","tag-cuerpo","tag-prision","tag-resistencia","tag-santa-muerte","tag-tatuajes","personas-yllescas-illescas-jorge-adrian","numeros-217"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Los altares del cuerpo como resistencia ante el poder carcelario &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/los-altares-del-cuerpo-como-resistencia-ante-el-poder-carcelario\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Los altares del cuerpo como resistencia ante el poder carcelario &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Este texto forma parte de una investigaci\u00f3n realizada en el Centro de Reinserci\u00f3n Social Varonil de Santa Marta, en la ciudad de M\u00e9xico, cuyo principal objetivo fue conocer la pr\u00e1ctica del culto de la \u201cSanta Muerte\u201d en esa instituci\u00f3n carcelaria. 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