{"id":29584,"date":"2018-03-21T11:57:31","date_gmt":"2018-03-21T11:57:31","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=29584"},"modified":"2023-11-17T19:14:53","modified_gmt":"2023-11-18T01:14:53","slug":"el-conocimiento-antropologico-en-tiempos-de-pos-verdad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/el-conocimiento-antropologico-en-tiempos-de-pos-verdad\/","title":{"rendered":"Conhecimento antropol\u00f3gico em tempos de \"p\u00f3s-verdade\"."},"content":{"rendered":"<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">A<\/span> Acho que o diagn\u00f3stico de Gustavo sobre nossa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito oportuno. Talvez as vozes dos antrop\u00f3logos profissionais sejam um pouco mais proeminentes no mundo do \"conhecimento especializado\" ligado a organiza\u00e7\u00f5es multilaterais e internacionais e a comit\u00eas consultivos de organiza\u00e7\u00f5es governamentais e n\u00e3o governamentais, mas, em geral, acho que temos que aceitar o que ele diz sobre a fraqueza de nosso perfil p\u00fablico profissional atual e nossa aparente incapacidade de produzir an\u00e1lises dos \"grandes desafios\" de nosso tempo que consigam atrair o interesse do p\u00fablico em geral e ganhar peso pol\u00edtico. Tamb\u00e9m concordo com suas opini\u00f5es sobre os impactos negativos das chamadas \"viradas\" te\u00f3ricas das \u00faltimas d\u00e9cadas e das posi\u00e7\u00f5es epistemol\u00f3gicas que nos deixaram na posi\u00e7\u00e3o absurda de negar nossa capacidade de produzir qualquer tipo de conhecimento. Igualmente importante \u00e9 sua cr\u00edtica aos impactos da transforma\u00e7\u00e3o neoliberal das universidades p\u00fablicas e das culturas de avalia\u00e7\u00e3o individual em um ambiente mercantilizado.<div class=\"fb-quote fb_iframe_widget\"><span style=\"vertical-align: bottom;width: 178px;height: 47px\"><\/span><\/div><\/p>\n\n\n\n<p>Embora Gustavo tenha raz\u00e3o em apontar que as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o exatamente as mesmas em todo o mundo e que n\u00e3o devemos falar da crise da antropologia no mundo anglo-sax\u00e3o como se fosse global, preocupa-me o fato de que muitos desses problemas s\u00e3o cada vez mais vis\u00edveis na Am\u00e9rica Latina. Os latino-americanos podem dar uma leitura potencialmente mais emancipat\u00f3ria e descolonizadora \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas destinadas a respeitar, em vez de controlar, a diversidade \u00e9tnica, falando de \"interculturalidade\" em vez de \"multiculturalidade\", mas a experi\u00eancia mexicana n\u00e3o me encoraja a pensar que essa diferen\u00e7a conceitual, por si s\u00f3, garanta melhores resultados na pr\u00e1tica dentro das estruturas de poder existentes. Na Argentina e no Brasil, a \"mudan\u00e7a para a direita\" est\u00e1 produzindo uma regress\u00e3o nos direitos ind\u00edgenas em dire\u00e7\u00e3o a uma era hist\u00f3rica que pens\u00e1vamos ter sido superada. A neoliberaliza\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o do ensino superior p\u00fablico e os impulsos da privatiza\u00e7\u00e3o comercial tamb\u00e9m est\u00e3o cada vez mais presentes, de forma particularmente lament\u00e1vel no Brasil p\u00f3s-golpe, \u00e0 luz das tentativas anteriores de fortalecer as universidades p\u00fablicas e torn\u00e1-las mais inclusivas socialmente. Embora as empresas gringas estejam profundamente envolvidas nesse neg\u00f3cio, n\u00e3o lhes faltam aliados locais, tanto pol\u00edticos quanto empresariais, j\u00e1 que cada vez mais \"representantes do povo\" lucram atuando como \"lobistas\" do capital estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz n\u00e3o apenas da excelente declara\u00e7\u00e3o de nossos colegas poloneses citada por Gustavo, mas tamb\u00e9m da formula\u00e7\u00e3o geral das raz\u00f5es para considerar a antropologia \"relevante\" para os problemas de nosso tempo, recentemente adotada pela Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Antrop\u00f3logos Sociais (EASA, 2015), acredito que as propostas positivas feitas por Gustavo ser\u00e3o bem recebidas. No entanto, no que se segue, quero acrescentar algumas observa\u00e7\u00f5es sobre as implica\u00e7\u00f5es de viver em um mundo onde a vida democr\u00e1tica est\u00e1 sendo prejudicada por mudan\u00e7as profundas, apesar dos movimentos para aprofund\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma perspectiva europeia, parece que as tend\u00eancias econ\u00f4micas e pol\u00edticas atuais est\u00e3o nos empurrando mais uma vez para o tipo de cen\u00e1rio de estados-na\u00e7\u00e3o competitivos e nacionalismos excludentes que foi o contexto hist\u00f3rico dos passos originais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o da antropologia como disciplina acad\u00eamica dentro das institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias (Hart, 2003). Os motivos ligados a esse impulso de criar disciplinas dignas de \"respeito\" intelectual dentro das universidades estabelecidas e de promover a profissionaliza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o nos ajudam a entender, por exemplo, a colabora\u00e7\u00e3o de alguns dos principais antrop\u00f3logos sociais do mundo de l\u00edngua alem\u00e3 com o regime nazista (Gingrich, 2010) e as rela\u00e7\u00f5es complicadas entre a antropologia brit\u00e2nica e o colonialismo brit\u00e2nico (Mills, 2002). Entretanto, apesar da exist\u00eancia de ecos do passado na situa\u00e7\u00e3o atual, a hist\u00f3ria n\u00e3o se repete. A transforma\u00e7\u00e3o da universidade em outro tipo de institui\u00e7\u00e3o poderia continuar a ser elaborada apesar do fracasso global das pol\u00edticas de austeridade neoliberal e da possibilidade de uma revers\u00e3o em termos de alguns aspectos da globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Talvez a China, ainda defensora da globaliza\u00e7\u00e3o e o pa\u00eds que mais rapidamente avan\u00e7a no mundo, tanto em termos de<em> classifica\u00e7\u00f5es<\/em> A elei\u00e7\u00e3o de Trump, fundador de uma universidade privada t\u00e3o fraudulenta que foi for\u00e7ado a fech\u00e1-la (Helderman, 2016), n\u00e3o nos encoraja a pensar que o futuro das universidades p\u00fablicas dos EUA \u00e9 seguro. Al\u00e9m disso, a China tem seus pr\u00f3prios problemas para lidar com as diferen\u00e7as \u00e9tnico-raciais. Tanto na Europa quanto do outro lado do Atl\u00e2ntico, os Estados controlados por grupos de direita e xen\u00f3fobos n\u00e3o promover\u00e3o o tipo de pensamento antropol\u00f3gico que Gustavo est\u00e1 defendendo, nem ver\u00e3o com bons olhos as tentativas dignas de algumas universidades de defender os direitos humanos de seus alunos que s\u00e3o filhos de imigrantes. Ainda mais preocupante \u00e9 a probabilidade de que os partidos social-democratas continuem a se mover mais para o \"centro\" e mais para a direita, especialmente quando se trata de quest\u00f5es de imigra\u00e7\u00e3o, por medo de perder mais votos para os partidos populistas de direita que est\u00e3o conquistando as classes trabalhadoras e m\u00e9dias fragilizadas pelo decl\u00ednio do capitalismo neoliberal como um projeto social que poderia aliviar o impacto pol\u00edtico de suas desigualdades para produzir uma parcela adequada de \"vencedores\".<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos a um ponto em que as distin\u00e7\u00f5es do passado entre direita e esquerda n\u00e3o funcionam mais para definir a estrutura do campo pol\u00edtico. A mudan\u00e7a para a direita tira proveito de um ressentimento social difuso que est\u00e1 produzindo efeitos pol\u00edticos em diferentes classes sociais e at\u00e9 mesmo contradi\u00e7\u00f5es entre, e tamb\u00e9m dentro, de diferentes segmentos das \"minorias \u00e9tnicas\" produzidas pela imigra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, o que \u00e9 bastante claro no caso da popula\u00e7\u00e3o \"latina\" dos EUA. Nem o multiculturalismo nem o interculturalismo eliminaram os legados do imperialismo e do colonialismo ocidentais e sua inven\u00e7\u00e3o da \"ra\u00e7a branca\". Rea\u00e7\u00f5es violentas (<em>rea\u00e7\u00e3o<\/em>) contra essas pol\u00edticas, especialmente quando o reconhecimento \u00e9 combinado com algum grau de redistribui\u00e7\u00e3o, sempre foram previs\u00edveis e reconhecidas (Fraser, 1995; Hale, 2006). Entretanto, sob condi\u00e7\u00f5es agravadas de crise estrutural, as pessoas ressentidas se sentem no direito n\u00e3o apenas de dizer coisas \"politicamente incorretas\", mas tamb\u00e9m de se expressar sobre seu \"outro\" preferido com viol\u00eancia e \u00f3dio. Vivemos em uma \u00e9poca de intoler\u00e2ncia expandida, ampliada n\u00e3o apenas pela demagogia pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m pelas dificuldades reais que diferentes segmentos da sociedade enfrentam em seu cotidiano, em alguns casos, problemas de mera sobreviv\u00eancia, em outros, problemas de reprodu\u00e7\u00e3o de um modo de vida ao qual as pessoas j\u00e1 est\u00e3o acostumadas. Combater, por meio de argumentos fundamentados, esses tipos de ressentimentos nos apresenta um desafio mais dif\u00edcil do que refutar o tipo de ressentimento mesquinho que levou alguns elementos mais abastados da classe m\u00e9dia branca a apoiar o golpe no Brasil por causa de seu desgosto com a ascens\u00e3o social, ainda curta, de membros de estratos sociais cujas caracter\u00edsticas fenot\u00edpicas diferem das dos propriet\u00e1rios da Casa Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o caso do Brasil tamb\u00e9m nos mostra que, apesar da exist\u00eancia de movimentos de extrema direita entre as gera\u00e7\u00f5es mais jovens e mais velhas e da implementa\u00e7\u00e3o de um estado de emerg\u00eancia repressivo pelo governo ileg\u00edtimo, as universidades (juntamente com as escolas secund\u00e1rias) ainda podem servir como bases importantes para resistir \u00e0 exclus\u00e3o social, \u00e0 intoler\u00e2ncia e ao cultivo da ignor\u00e2ncia e do preconceito. Parece-me que os antrop\u00f3logos, como profissionais, s\u00f3 se mostrar\u00e3o \"relevantes\" quando estivermos dispostos a agir tanto fora quanto dentro de nossas salas de aula e desde que tenhamos algo que valha a pena dizer, algo que atraia a aten\u00e7\u00e3o dos alunos anal\u00edtica e politicamente e que possamos expressar de forma intelig\u00edvel para pessoas de fora de nossa tribo. Nesse sentido, nossa meta atual talvez devesse ser a de nos mostrarmos um pouco menos \"disciplinares\", defendendo perspectivas mais universais e menos etnoc\u00eantricas nas ci\u00eancias sociais e hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso me leva a discordar um pouco de Gustavo (e Claudio Lomnitz) sobre a centralidade dos m\u00e9todos etnogr\u00e1ficos. De um ponto de vista epistemol\u00f3gico, e apoiando a perspectiva de Gustavo sobre as virtudes, apesar de suas limita\u00e7\u00f5es, dos evolucionistas, concordo com Keith Hart (2004) e Tim Ingold (2007), que insistem que o projeto antropol\u00f3gico n\u00e3o deve ser definido em termos de etnografia, sem negar as enormes virtudes desse m\u00e9todo em termos do estudo de certos tipos de processos e rela\u00e7\u00f5es humanas, em certas escalas de an\u00e1lise. Em termos pr\u00e1ticos, pelo menos na Europa, as tentativas de vender nossa disciplina ao Estado e a organiza\u00e7\u00f5es internacionais e n\u00e3o governamentais, em termos do uso de m\u00e9todos etnogr\u00e1ficos, n\u00e3o conseguiram garantir nosso futuro como disciplina acad\u00eamica, embora provavelmente tenham ampliado o mercado de trabalho fora da academia para nossos PhDs. Acredito que podemos conseguir muito mais destacando as virtudes de uma ci\u00eancia humana que usa v\u00e1rios m\u00e9todos, dependendo da quest\u00e3o a ser investigada, mas que sempre adota uma perspectiva comparativa que desafia o etnocentrismo e destaca uma gama mais ampla de <em>possibilidades<\/em> humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora eu tenha d\u00favidas sobre esse elemento do argumento de Gustavo, acho que nossa admira\u00e7\u00e3o compartilhada pelo tipo de antropologia praticada por Eric Wolf e Sidney Mintz nos leva \u00e0 mesma conclus\u00e3o sobre o tipo de projeto acad\u00eamico que pode nos ajudar a sair de nossa atual crise de relev\u00e2ncia. \u00c9 uma quest\u00e3o de mostrar ao p\u00fablico que \u00e9 poss\u00edvel ver o mundo humano e sua hist\u00f3ria de uma forma rigorosamente diferente e mais universal, a partir de perspectivas que colocam o Ocidente em seu devido lugar e que demonstram a falsidade de alguns de seus mitos constitutivos, os mitos que s\u00e3o a base das ideias ocidentais modernas sobre ra\u00e7a e os outros c\u00f3digos modernos de discrimina\u00e7\u00e3o e xenofobia. Mas h\u00e1 outro problema que precisamos enfrentar.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vivemos em uma \u00e9poca que tem sido chamada de \"p\u00f3s-verdade\". Hoje n\u00e3o temos apenas que lidar com o dom\u00ednio das grandes corpora\u00e7\u00f5es de m\u00eddia, conhecidas por seu trabalho propagand\u00edstico em nome das elites, \u00e0s quais seus pr\u00f3prios propriet\u00e1rios pertencem, e interessadas, por raz\u00f5es comerciais, em manter os antrop\u00f3logos no \"buraco do selvagem\", vendendo-se como especialistas em alteridade ex\u00f3tica. Tamb\u00e9m temos que lidar com o que Gustavo chama de \"hiperdemocratiza\u00e7\u00e3o\" de um espa\u00e7o p\u00fablico virtual \"no qual todos aparentemente t\u00eam o mesmo peso e valor\". Quero estender sua discuss\u00e3o com dois exemplos recentes de reportagens na m\u00eddia inglesa. A BBC informou que, se voc\u00ea fizer uma pesquisa no Google usando a pergunta \"Os negros s\u00e3o inteligentes?\", o algoritmo atual do Google retornar\u00e1 v\u00e1rias p\u00e1ginas da Web que privilegiam argumentos a favor de uma hierarquia de ra\u00e7as (Baraniuk, 2016). O Google se comprometeu a mudar seu algoritmo, mas a propor\u00e7\u00e3o de jovens no Reino Unido que expressam total confian\u00e7a na autoridade das informa\u00e7\u00f5es que encontram no Google est\u00e1 aumentando, embora at\u00e9 o momento ainda n\u00e3o tenha ultrapassado trinta por cento dos jovens pesquisados. \u00c9 verdade que a Internet tamb\u00e9m pode ser uma fonte de dados confi\u00e1veis sobre quest\u00f5es como a imigra\u00e7\u00e3o, por exemplo. No entanto, em uma an\u00e1lise detalhada publicada pelo jornal <em>O Guardi\u00e3o<\/em>O soci\u00f3logo William Davis (2016) n\u00e3o apenas alertou sobre a amea\u00e7a que o controle de dados em massa representa para a democracia (<em>Big Data<\/em>) por empresas privadas, mas tamb\u00e9m nos resultados de pesquisas nos Estados Unidos, na v\u00e9spera da elei\u00e7\u00e3o de Trump, e no Reino Unido, na v\u00e9spera da vota\u00e7\u00e3o a favor da sa\u00edda do pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia, que mostraram altos n\u00edveis de desconfian\u00e7a do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 validade das estat\u00edsticas oficiais sobre imigra\u00e7\u00e3o. Um estudo mostrou que os entrevistados acreditavam que o governo estava mentindo sobre o n\u00famero real de imigrantes no pa\u00eds e as consequ\u00eancias sociais e econ\u00f4micas de sua presen\u00e7a, mas responderam mais positivamente a dados qualitativos que contavam as hist\u00f3rias de imigrantes individuais e a material fotogr\u00e1fico que mostrava aspectos positivos da diversidade cultural. Novamente, poder\u00edamos pensar que haveria aqui uma oportunidade para os antrop\u00f3logos e seus estudos etnogr\u00e1ficos, tanto visuais quanto textuais. No entanto, o excepcionalismo particular - \"ele \u00e9 gente boa, mas n\u00e3o suporto a maioria dos [insira o nome da minoria \u00e9tnica de sua escolha]\" - sempre foi parte integrante da discrimina\u00e7\u00e3o racial, e sabemos que \"o p\u00fablico\" pode receber a foto de uma crian\u00e7a refugiada com caridade e afeto, enquanto sua postura nega a mesma humanidade (e os direitos de asilo) a seus irm\u00e3os mais velhos e pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, uma perspectiva mais ampla, hol\u00edstica e hist\u00f3rica continua sendo indispens\u00e1vel em nossos argumentos, incluindo, apesar de seus poss\u00edveis vieses, um grau de respeito pelas an\u00e1lises quantitativas, indispens\u00e1veis para mostrar que as caracter\u00edsticas das popula\u00e7\u00f5es em geral n\u00e3o se conformam a estere\u00f3tipos que podem ser constru\u00eddos com base em dados qualitativos sobre o comportamento de um punhado de figuras \"representativas\" isoladas de seu contexto ou mal interpretadas, como aconteceu, por exemplo, no caso da \"cultura da pobreza\" de Oscar Lewis, um conceito rapidamente apropriado pela direita pol\u00edtica, apesar das inten\u00e7\u00f5es do autor e da popularidade de suas ricas hist\u00f3rias de vida de seus sujeitos fora da academia, tanto no M\u00e9xico quanto nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os antrop\u00f3logos n\u00e3o s\u00f3 t\u00eam o material para repensar o passado (algo que muitos j\u00e1 fizeram com distin\u00e7\u00e3o), mas tamb\u00e9m para pensar sobre o futuro para o qual as tend\u00eancias atuais est\u00e3o nos levando. A hegemonia global dos Estados Unidos parece estar chegando ao fim, mas os imp\u00e9rios de outras \u00e9pocas n\u00e3o tinham a capacidade militar de destruir o planeta. Os rob\u00f4s e a intelig\u00eancia artificial poder\u00e3o, em um futuro n\u00e3o muito distante, alterar o mundo do trabalho de forma mais radical do que qualquer outra mudan\u00e7a anterior, incluindo muitas formas de trabalho intelectual que atualmente exigem treinamento universit\u00e1rio, embora as consequ\u00eancias sociais dessas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas sejam, como sempre, determinadas pelas lutas sociais e pol\u00edticas que vir\u00e3o. Essas quest\u00f5es oferecem muitas possibilidades para os antrop\u00f3logos, pois tratam do que significa ser humano e viver uma vida humana. O mesmo pode ser dito sobre os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que amea\u00e7am ocorrer mais rapidamente do que o previsto, mesmo deixando de lado o problema de Donald Trump. No entanto, como Gustavo ressalta, estamos sendo bastante t\u00edmidos em abra\u00e7ar as novas oportunidades que nossa era nos apresenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que h\u00e1 um amplo reconhecimento de que os antrop\u00f3logos podem fazer contribui\u00e7\u00f5es importantes para os debates sobre como gerenciar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, simplesmente porque tamb\u00e9m h\u00e1 um amplo reconhecimento de que as quest\u00f5es culturais s\u00e3o relevantes. Entretanto, tanto aqui quanto no caso de quest\u00f5es relacionadas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia artificial ou biotecnologias, chegamos aos limites da autonomia disciplinar. N\u00e3o \u00e9 suficiente dizer que tudo \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social: at\u00e9 mesmo Bruno Latour se desculpou um pouco sobre essa quest\u00e3o (Latour, 2004). N\u00e3o s\u00f3 temos que conversar com outros tipos de cientistas e entender as informa\u00e7\u00f5es que as ci\u00eancias naturais podem nos fornecer, mas tamb\u00e9m nos comportar como cientistas capazes de chegar a conclus\u00f5es, mesmo que sejam parciais e provis\u00f3rias. O mais importante n\u00e3o \u00e9 a sobreviv\u00eancia da antropologia como disciplina institucionalizada, mas a sobreviv\u00eancia e a extens\u00e3o do projeto antropol\u00f3gico, entendido como o estudo das possibilidades dos seres humanos como animais sociais que se reproduzem em um mundo cuja \"naturalidade\" \u00e9 de fato uma constru\u00e7\u00e3o sociocultural, mas que tamb\u00e9m est\u00e1 sujeita a outras ordens de causalidade. Considerando que nosso mundo, de repente, tamb\u00e9m ser\u00e1 povoado por \"pessoas artificiais\" criadas por n\u00f3s, mas que estamos apenas come\u00e7ando a nos engajar nos debates cient\u00edficos sobre o antropoceno, h\u00e1 muito a ser feito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Baraniuk, Chris (2016) \u201cGoogle Responds on Skewed Holocaust Search Results\u201d, http:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/technology-38379453, acceso 20 de diciembre de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Davies, William (2016) \u201cHow Statistics Lost Their Power \u2013 And Why We Should Fear What Comes Next\u201d, https:\/\/www.theguardian.com\/politics\/2017\/jan\/19\/crisis-of-statistics-big-data-democracy, acceso 18 de enero de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">easa (2015) \u00bfPor qu\u00e9 es importante la antropolog\u00eda?, http:\/\/www.easaonline.org\/downloads\/publications\/policy\/EASA%20policy%20paper_ES.pdf, acceso 12 de diciembre de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Fraser, Nancy (1995). \u201cFrom Redistribution to Recognition? 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Santa Fe: School of American Research Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hart, Keith (2003). \u201cBritish Social Anthropology\u2019s Nationalist Project\u201d. <em>Anthropology Today<\/em> 19(6): 1-2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2004). \u201cWhat Anthropologists Really Do\u201d. <em>The Memory Bank<\/em>, http:\/\/thememorybank.co.uk\/papers\/what-anthropologists-really-do\/, acceso 12 de diciembre de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Helderman, Rosalind S. (2016) \u201cTrump Agrees to $25 Million Settlement in Trump University fraud cases\u201d, https:\/\/www.washingtonpost.com\/politics\/source-trump-nearing-settlement-in-trump-university-fraud-cases\/2016\/11\/18\/8dc047c0-ada0-11e6-a31b-4b6397e625d0_story.html?utm_term=.e8b22edfde08, acceso 15 de enero de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ingold, Tim (2008). \u201cAnthropology Is <em>Not<\/em> Ethnography\u201d, <em>Proceedings of the British Academy<\/em>, 154: 69-92. Oxford: The British Academy\/Oxford University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Latour, Bruno (2004) \u201cWhy Has Critique Run Out of Steam? From Matters of Fact to Matters of Concern\u201d, <em>Critical inquiry<\/em> 30(2): 225-248.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mills, David (2002). \u201cBritish Anthropology at the End of Empire: The Rise and Fall of the Colonial Social Science Research Council, 1944-1962\u201d. <em>Revue d\u2019Histoire des Sciences Humaines<\/em> 6(1): 161-88.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na minha opini\u00e3o, o diagn\u00f3stico de Gustavo sobre nossa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito oportuno. 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