{"id":29569,"date":"2018-03-21T11:59:02","date_gmt":"2018-03-21T11:59:02","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=29569"},"modified":"2023-11-17T19:14:38","modified_gmt":"2023-11-18T01:14:38","slug":"revisar-el-mandato-antropologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/revisar-el-mandato-antropologico\/","title":{"rendered":"Revisitando o mandato antropol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">R<\/span>muito f\u00e1cil compartilhar o descontentamento de nosso colega Gustavo Lins Ribeiro. Digo \"nosso\" referindo-me ao colega antrop\u00f3logo das \"antropologias do mundo\", o colega latino-americano, o brasileiro formado nas academias do Brasil e dos Estados Unidos e, acima de tudo, o colega que veio para a Argentina para fazer seu trabalho de campo de doutorado sobre a Barragem Binacional de Yacyret\u00e1 e sua equipe t\u00e9cnica, conhecida como \"bichos de obra\". Desde relativamente cedo em sua carreira acad\u00eamica, Gustavo participou de v\u00e1rios debates, publicou nas nascentes revistas antropol\u00f3gicas argentinas e apoiou fortemente o renascimento e o fortalecimento institucional da antropologia social no per\u00edodo democr\u00e1tico, Gustavo foi membro de um grupo de antrop\u00f3logos sociais que permaneceu na Argentina durante a \u00faltima ditadura militar e que conseguiu manter, com varia\u00e7\u00f5es, uma antropologia \u00fatil e presente, conectada \u00e0s principais correntes antropol\u00f3gicas do Atl\u00e2ntico Norte, o que foi ent\u00e3o chamado, seguindo Eric Wolf, o grande professor de Gustavo em Cuny, de \"a antropologia das sociedades complexas\".<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessa hist\u00f3ria comum, posso ter certeza de que o apelo do Gustavo \u00e9 genu\u00edno. E por causa de seu interesse nas correntes da globaliza\u00e7\u00e3o e de seu trabalho em organiza\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas nacionais e internacionais, tenho certeza de que sua vis\u00e3o resulta de um vasto conhecimento de como antrop\u00f3logos de diferentes origens entendem e praticam o que chamam de \"antropologia\". Portanto, com isso em mente, gostaria de fazer algumas reflex\u00f5es a partir de minha humilde experi\u00eancia como um de seus muitos colegas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os antrop\u00f3logos de nossos pa\u00edses, ou seja, aqueles que est\u00e3o fora do Atl\u00e2ntico Norte, termo que me parece mais apropriado do que \"Ocidente\", nos vemos como caixa de resson\u00e2ncia te\u00f3rica, metodol\u00f3gica e tem\u00e1tica do que est\u00e1 acontecendo nos pa\u00edses \"centrais\". Como advertiu Gustavo, as crises locais desses pa\u00edses, e de suas antropologias, assumem imediatamente um car\u00e1ter global que envolve os pa\u00edses das \"outras antropologias\" (Boscovich), \"perif\u00e9ricos\" (Cardoso de Oliveira), \"segundas antropologias\" ou \"do Sul\" (Krotz). Entretanto, e apesar do fato de estarmos todos no mesmo mundo, cuja din\u00e2mica responde fortemente aos ditames de seus poderes econ\u00f4micos e tamb\u00e9m de seus governos, a antropologia nos ensinou que \u00e9 t\u00e3o importante o que vive um morador de Miami quanto o que vive um cidad\u00e3o de Kinshasha, Santiago do Chile ou Sofia. Ela tamb\u00e9m nos ensinou que at\u00e9 mesmo um vilarejo, perif\u00e9rico se houver, como o arquip\u00e9lago melan\u00e9sio das Ilhas Trobriand, tinha muito a ensinar aos europeus que se massacraram uns aos outros na Grande Guerra de 14. N\u00e3o apenas sobre a variabilidade da esp\u00e9cie humana; n\u00e3o apenas sobre o amplo espectro cultural, que merece dignidade e respeito. Os trobriandeses, juntamente com Malinowski (que n\u00e3o era brit\u00e2nico, mas polon\u00eas), estavam ensinando \u00e0 Europa sobre a sociedade europeia. Os antrop\u00f3logos nunca perderam contato com seus respectivos nativos e essa foi a pedra de toque de seu lugar nas ci\u00eancias sociais e humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, sem d\u00favida, quest\u00f5es atuais que nos convocam como agentes do conhecimento globalizado e globalizante. Muitas delas s\u00e3o quest\u00f5es dif\u00edceis e urgentes que exigem o posicionamento humanit\u00e1rio e profissional dos antrop\u00f3logos. Entretanto, esses dois posicionamentos n\u00e3o s\u00e3o id\u00eanticos, nem v\u00e3o necessariamente na mesma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lins Ribeiro descreve a posi\u00e7\u00e3o dos antrop\u00f3logos no mundo de hoje como uma posi\u00e7\u00e3o de perda de relev\u00e2ncia (intelectual) nos debates nacionais e globais em face de uma \"mudan\u00e7a para a direita\" que se expressa no racismo crescente e na discrimina\u00e7\u00e3o expansiva contra imigrantes. Raz\u00f5es? Tanto end\u00f3genas quanto ex\u00f3genas. Quanto aos primeiros, Lins atribui nossa perda de relev\u00e2ncia ao nosso envolvimento em \"discuss\u00f5es internas e em nossas especialidades como forma de demonstrar erudi\u00e7\u00e3o e fazer carreira\". Ele n\u00e3o esclarece a que discuss\u00f5es internas est\u00e1 se referindo ou as formas de fazer carreira, onde e \"contra quem\". Ele est\u00e1 dizendo que nossas formas de fazer carreira e desenvolver estudos s\u00e3o mais parecidas com a ci\u00eancia b\u00e1sica do que com a ci\u00eancia aplicada e vis\u00edvel? Ele quer dizer com \"discuss\u00f5es internas\" linguagens e quest\u00f5es te\u00f3ricas espec\u00edficas de nossos desenvolvimentos acad\u00eamicos, ou ele sup\u00f5e que essa \"internalidade\" n\u00e3o \u00e9 apenas interna, mas tamb\u00e9m irrelevante? Quando ele se refere a raz\u00f5es ex\u00f3genas, ele fala de correntes e fen\u00f4menos globais, como o \"anti-intelectualismo\", o \"imp\u00e9rio das telas\" e o conhecimento fragmentado e aparentemente imediato fornecido pela Internet, bem como o avan\u00e7o do neoliberalismo na academia e o fechamento de v\u00e1rios programas de antropologia. Fala tamb\u00e9m da entrada competitiva de outras disciplinas - estudos culturais, suponho - quando buscam se pronunciar sobre o conceito de \"cultura\", t\u00e3o caro e aparentemente t\u00e3o pr\u00f3prio e inerente \u00e0 trajet\u00f3ria antropol\u00f3gica, mas que n\u00f3s, antrop\u00f3logos, abandonamos junto com o evolucionismo. Em seguida, Lins Ribeiro nos pede, por meio da declara\u00e7\u00e3o de outubro de 2016 dos antrop\u00f3logos poloneses, que assumamos posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mais claras e p\u00fablicas diante da xenofobia e do racismo norte-atl\u00e2ntico e europeu. Mesmo que tenhamos nos posicionado do \"lado certo\" da hist\u00f3ria, Lins tamb\u00e9m pede pronunciamentos mais precisos sobre a \"crise de civiliza\u00e7\u00e3o que estamos vivendo e os rumos do capitalismo hiperflex\u00edvel\", indo al\u00e9m das \"metanarrativas pastorais e comunit\u00e1rias\" nas quais tendemos a nos \"confortar\". N\u00e3o s\u00e3o apenas os antrop\u00f3logos poloneses que podem inspirar esse movimento, mas tamb\u00e9m o formid\u00e1vel exemplo de Franz Boas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, essa afirma\u00e7\u00e3o parece mais apropriada quando aplicada \u00e0 academia antropol\u00f3gica do grande pa\u00eds do norte, a da virada p\u00f3s-moderna, a da <em>fardo do homem branco<\/em>Os resultados da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial, a da academia onde ele e eu estudamos para nossos doutorados, do que para outros pa\u00edses, como o meu e talvez o pr\u00f3prio Lins. Na Argentina hiperpolitizada, acad\u00eamica ou n\u00e3o, os antrop\u00f3logos carregam uma disciplina mission\u00e1ria. N\u00e3o apenas por causa dos temas que estudamos, dos autores que lemos, da ret\u00f3rica que usamos, mas tamb\u00e9m e muito proeminentemente (em termos de visibilidade e qualidade) por causa do car\u00e1ter pol\u00edtico da antropologia social, estabelecida como a subdisciplina antropol\u00f3gica dominante nas institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias argentinas desde 1984, e por causa do car\u00e1ter judicial e compensat\u00f3rio da antropologia forense desde alguns anos depois. Os antrop\u00f3logos argentinos acreditam que a antropologia social \u00e9 uma disciplina eminentemente progressista, comprometida com as classes subalternas e as minorias \u00e9tnicas e, embora o racismo n\u00e3o tenha sido um tema constante ou recorrente em nossa produ\u00e7\u00e3o, os antrop\u00f3logos sociais argentinos acreditam que nossa disciplina serve principalmente, como pede Lins, para denunciar a injusti\u00e7a, a exclus\u00e3o e a espolia\u00e7\u00e3o. \u00c9 por essa raz\u00e3o que os temas preferidos s\u00e3o principalmente quest\u00f5es relacionadas \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, \u00e0 desigualdade social, ao etnoc\u00eddio e aos crimes contra a humanidade cometidos pelo Estado durante a \u00faltima ditadura militar (1976-1983). Os migrantes, especialmente os de pa\u00edses vizinhos, mas tamb\u00e9m, e mais recentemente, os de origem africana e asi\u00e1tica, fazem parte dessa miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desnecess\u00e1rio dizer que a rela\u00e7\u00e3o da Equipe Argentina de Antropologia Forense n\u00e3o deveria explicitar seu compromisso, dado seu nascimento como um grupo de jovens estudantes de antropologia - sociocultural, arqueol\u00f3gica e biol\u00f3gica - que foram treinados para identificar restos humanos inominados (\"nn\") encontrados em covas cavadas por esses mesmos seres quando ainda tinham nomes e sobrenomes e estavam prestes a serem fuzilados, ou quando j\u00e1 eram peda\u00e7os de carne morta, em interrogat\u00f3rios horrendos com o objetivo de obter um grande n\u00famero de den\u00fancias para desarmar c\u00e9lulas e redes de simpatizantes, militantes e l\u00edderes de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda armada que haviam optado pela t\u00e1tica foquista, para desmantelar organiza\u00e7\u00f5es sindicais e sociais rotuladas como \"subversivas\" e para desencorajar a sociedade como um todo pelo car\u00e1ter exemplar de tais puni\u00e7\u00f5es. O s\u00e9culo atual tamb\u00e9m viu os arque\u00f3logos em busca de uma arqueologia p\u00fablica mais pr\u00f3xima das popula\u00e7\u00f5es que vivem nas \u00e1reas ao redor dos s\u00edtios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, j\u00e1 faz muito tempo, digamos desde meados da d\u00e9cada de 1980, que as antropologias argentinas que hoje s\u00e3o praticadas, pensadas e discutidas neste canto do mundo assumiram publicamente v\u00e1rias miss\u00f5es contra a injusti\u00e7a, o genoc\u00eddio, a desigualdade e a discrimina\u00e7\u00e3o. Portanto, a alega\u00e7\u00e3o de Lins n\u00e3o se sustenta aqui (ser\u00e1 que se sustenta no Brasil?). E, no entanto, esse vi\u00e9s n\u00e3o elimina a relev\u00e2ncia de certas perguntas, como, por exemplo, essas antropologias comprometidas e progressistas s\u00e3o influentes na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas justas, democr\u00e1ticas e pluralistas? Ou dever\u00edamos perguntar: essas antropologias influenciam e afetam os climas de opini\u00e3o pol\u00edtica e social no pa\u00eds, em quais setores e em quais classes sociais? Ou talvez dev\u00eassemos perguntar, mais simplesmente: essas antropologias comprometidas, p\u00fablicas, pluralistas e supostamente \u00fateis s\u00e3o \"boa antropologia\"? Cada uma dessas perguntas pode ser respondida de forma diferente, dependendo, \u00e9 claro, de como definimos termos como \"influente\", \"bom\", \"justo, democr\u00e1tico e pluralista\", e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as muitas quest\u00f5es levantadas por essas perguntas, eu apenas alertaria para o fato de que estar na arena p\u00fablica n\u00e3o significa ter credibilidade, e \"ter credibilidade\" n\u00e3o significa ter credibilidade como antrop\u00f3logo. Provavelmente, como cidad\u00e3o, ativista ou funcion\u00e1rio p\u00fablico, mas n\u00e3o necessariamente como acad\u00eamico dessa disciplina (que acredito ser a mais pr\u00f3xima de todas as ci\u00eancias sociais das pessoas que a estudam). A situa\u00e7\u00e3o dos antrop\u00f3logos sociais \u00e9 diferente da dos antrop\u00f3logos forenses, cujos procedimentos s\u00e3o caracterizados pela resolu\u00e7\u00e3o de uma identidade apagada ou pelo estabelecimento da causa da morte. Certamente, algu\u00e9m pode ou n\u00e3o concordar com a decis\u00e3o de exumar restos humanos e identific\u00e1-los, como \u00e9 atualmente o caso dos \"nn\" mortos no conflito do Atl\u00e2ntico Sul nas Malvinas em 1982, que jazem no Cemit\u00e9rio Darwin, a oeste da Ilha Soledad, nas Malvinas. Mas o veredicto final ser\u00e1 creditado por apoiadores e cr\u00edticos da opera\u00e7\u00e3o. A Equipe Argentina de Antropologia Forense conquistou o reconhecimento que, por meio da per\u00edcia tecnocient\u00edfica, d\u00e1 a n\u00f3s argentinos (e a outros cidad\u00e3os do mundo quando a equipe operou na Iugosl\u00e1via, Bol\u00edvia, Ruanda e M\u00e9xico, entre muitos outros destinos) o conhecimento que nos foi negado sob o r\u00f3tulo de \"desaparecidos\".<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o dos antrop\u00f3logos sociais me parece menos clara e linear, em parte porque a agenda profissional e intelectual de atender a quest\u00f5es \"relevantes\" que n\u00f3s, antrop\u00f3logos argentinos, criamos para n\u00f3s mesmos parece ter vencido as complexidades da realidade sociocultural, a pluralidade de enfoques e quest\u00f5es que tamb\u00e9m merecem aten\u00e7\u00e3o. O que quero dizer com isso? Que se tudo o que passar pelos meus registros de campo tiver de ser lido em termos de discrimina\u00e7\u00e3o, genoc\u00eddio ou etnoc\u00eddio, e essa e somente essa for a mensagem que meus leitores receber\u00e3o, \u00e9 muito prov\u00e1vel que minha produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja totalmente confi\u00e1vel. Por qu\u00ea? Porque minha interpreta\u00e7\u00e3o como antrop\u00f3logo n\u00e3o estaria ligada \u00e0 experi\u00eancia de meus leitores e porque minha interpreta\u00e7\u00e3o (politicamente correta, justa e denunciadora) pintaria uma imagem unilateral e provavelmente caricatural dos objetos de estudo. Talvez essa imagem seja endossada por meus interlocutores (que normalmente chamamos de \"informantes\"), at\u00e9 mesmo para limpar sua m\u00e1 imagem p\u00fablica. Mas isso n\u00e3o implica que eles pr\u00f3prios e os leitores (funcion\u00e1rios p\u00fablicos, acad\u00eamicos de outras disciplinas ou leigos) acreditem na minha interpreta\u00e7\u00e3o. \"Acreditar\" deve ser entendido como genuinamente se ver refletido nessa produ\u00e7\u00e3o ou achar minha pintura socioculturalmente plaus\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O esp\u00edrito de den\u00fancia que muitos antrop\u00f3logos latino-americanos adotaram pode ter v\u00e1rios efeitos. O primeiro \u00e9 que a filosofia dos direitos humanos e sociais como pan-humanit\u00e1ria \u00e9 imposta ao reconhecimento de realidades, sistemas de valores e normas que contradizem ou reconfiguram esses preceitos. O pesquisador se torna um monitor do n\u00e3o cumprimento dos direitos formulados pelo direito internacional. No mesmo movimento, um segundo efeito \u00e9 produzido: os interlocutores em nossos escritos aparecem como puros objetos de explora\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a, perdendo a dimens\u00e3o de sua pr\u00f3pria ag\u00eancia, sua capacidade de manobra e rea\u00e7\u00e3o, e as explica\u00e7\u00f5es que elas provocam. O terceiro efeito \u00e9 a prioridade absoluta de certos assuntos em detrimento de outros, que s\u00e3o deixados de lado porque seus protagonistas n\u00e3o gozam da simpatia pol\u00edtica ou sociocultural do mundo ao qual o pesquisador pertence (um mundo que restrinjo ao mundo universit\u00e1rio-acad\u00eamico), ou porque s\u00e3o respons\u00e1veis pela diminui\u00e7\u00e3o dos direitos dos subalternos e\/ou perseguidos. O resultado dessa evas\u00e3o \u00e9 um conjunto de pesquisas que higieniza os pobres e as minorias \u00e9tnicas, ignorando seus lados sombrios, cru\u00e9is e at\u00e9 mesmo imorais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente esse ponto que nos desafia, antrop\u00f3logos, diante dos assassinatos e atentados produzidos por diferentes tramas organizacionais que, longe de seguirem e pretenderem afirmar os \"fundamentos\" das escrituras divinas, geram uma prega\u00e7\u00e3o exacerbada, recalcitrante e absolutamente p\u00f3s-moderna, como Talal Asad demonstrou magistralmente em <em>Sobre atentados a bomba suicidas <\/em>(2007). Que o pa\u00eds com a maior produ\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o de antrop\u00f3logos do mundo corra o risco de se tornar o Trumpist\u00e3o; que as rep\u00fablicas que emergiram das promissoras guerras de liberta\u00e7\u00e3o dos anos 50 e 60 tenham se transformado em reinos absolutistas, muito distantes da prega\u00e7\u00e3o dos primeiros ide\u00f3logos revolucion\u00e1rios; que a revolu\u00e7\u00e3o russa, que tem um s\u00e9culo de exist\u00eancia, tenha se transformado em uma rep\u00fablica belicista com uma formid\u00e1vel concentra\u00e7\u00e3o de poder; que alguns milh\u00f5es de habitantes deste mundo vivam sob o dom\u00ednio de cliques com prega\u00e7\u00e3o esquerdista, alguns deles com extraordin\u00e1rio poder nuclear; ou que alguns milh\u00f5es de habitantes deste mundo vivam sob o dom\u00ednio de cliques com prega\u00e7\u00e3o esquerdista, alguns deles com extraordin\u00e1rio poder nuclear; ou que um povo fundado sobre a mem\u00f3ria de um dos maiores genoc\u00eddios do s\u00e9culo XX aplique a seus vizinhos as mesmas medidas que seus carrascos aplicaram a ele no s\u00e9culo XX; tudo isso e muito mais nos obriga a nos perguntar, com muita seriedade, qual \u00e9 a linha que divide o lado certo do lado errado da humanidade e da hist\u00f3ria, e qual seria o lugar mais propriamente antropol\u00f3gico para fazer contribui\u00e7\u00f5es que tornem nossa produ\u00e7\u00e3o \u00fatil, vis\u00edvel, plaus\u00edvel e compreens\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, e se seguirmos Lins Ribeiro em sua defini\u00e7\u00e3o exagerada do per\u00edodo antropol\u00f3gico evolucionista de acordo com o esp\u00edrito predominantemente otimista de seus adeptos, acredito que a f\u00e9 evolucionista se baseou em um ponto que muitas vezes \u00e9 esquecido e que \u00e9 brutalmente evidente no mundo de hoje. Em nossas hist\u00f3rias da antropologia, tendemos a esquecer que o grande interlocutor dos evolucionistas n\u00e3o era o \"mundo primitivo\", nem \"os selvagens\". Era aquela outra pot\u00eancia de pensamento e conhecimento que competia com a ci\u00eancia secular, a ponto de negar suas descobertas e proibir seus crit\u00e9rios, em defesa da f\u00e9 e de suas doutrinas. O que esses evolucionistas (incluo aqui Karl Marx e Frederick Engels) pensariam hoje sobre o significado da hist\u00f3ria e da cultura? Como eles explicariam a destrui\u00e7\u00e3o dos monumentos da Mesopot\u00e2mia? Que semelhan\u00e7as poderiam ser estabelecidas com os s\u00e9culos XVI e XVII, e certamente antes, quando os restos de homin\u00eddeos foram escondidos ou negados para estudo?<\/p>\n\n\n\n<p>Concluindo, estou longe de argumentar que Lins Ribeiro e os antrop\u00f3logos poloneses, e tamb\u00e9m a maioria de n\u00f3s, seus colegas, n\u00e3o devam se posicionar em defesa de v\u00e1rias causas que acreditamos serem justas e para cujo conhecimento e divulga\u00e7\u00e3o tanto contribu\u00edmos. Mas se Claudio Lomnitz est\u00e1 certo (como acredito que esteja) quando diz que nos faltam categorias para caracterizar o que est\u00e1 acontecendo hoje, \u00e9 porque algo mais \u00e9 necess\u00e1rio. Refor\u00e7ar o que j\u00e1 estamos fazendo e da forma como estamos fazendo s\u00f3 nos tornar\u00e1 mais recalcitrantes e imperme\u00e1veis ao que as realidades est\u00e3o gritando em nossos rostos. Como cidad\u00e3os, continuaremos a nos manifestar na arena p\u00fablica. Como antrop\u00f3logos, precisamos repensar, estudar muito e inventar novas maneiras. E, para isso, precisamos fazer mais e melhores pesquisas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os antrop\u00f3logos de nossos pa\u00edses, ou seja, aqueles que est\u00e3o fora do Atl\u00e2ntico Norte, termo que me parece mais apropriado do que \"Ocidente\", nos vemos como caixa de resson\u00e2ncia te\u00f3rica, metodol\u00f3gica e tem\u00e1tica do que est\u00e1 acontecendo nos pa\u00edses \"centrais\". 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